segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

QUE CRISTO POSSA RENASCER EM CADA CORAÇÃO (Publicado no "O NORTE FLUMINENSE" - 14/12/2012)




QUE CRISTO POSSA RENASCER EM CADA CORAÇÃO
                                                                                                  Vera Maria Viana Borges

Foi-se o tempo das cadeiras nas calçadas! A pressa, a correria da vida moderna escraviza e o homem escravo do relógio vive um mundo louco, cheio de contradições e continua emocionalmente imaturo frente ao vertiginoso avanço tecnológico. Corre-se contra o tempo em busca de sucesso e as palavras de ordem são Vencer, Fazer Nome, Aparecer, Ser Notícia, Acumular Riquezas... Assim perde-se a rota das estrelas, perde-se a trilha da alma e tudo fica sob tensão, vive-se esticado qual cordas de “VIOLA” que bem apertadas produzem maravilhosas melodias. Mas com nosso corpo é bem diferente, é na calma, na tranquilidade, na paz que melhores resultados serão produzidos. No afã de ultrapassar obstáculos seguidos, acontecem os desajustes, as frustrações e os conflitos. Quando se dá conta passa o tempo sem ser visto. E assim termina mais um ano. Período de muitas festas: Formaturas, Natal e Ano-Novo. Correria com compras, arrumações, ornamentações, confraternizações; momentos eufóricos que vividos atropeladamente quase não são sentidos. Época de planos, de viagens, programas especiais, corre-corre. Muita gente trocando abraços, mensagens, presentes, preparando CEIAS! Gente que se reúne e confraterniza deixando esquecido o ANIVERSARIANTE, Maior Dádiva de Deus. Uma festa comum! Influenciados pelo comércio, caros objetos são comprados. Desaparece rapidamente o dinheiro suado, adquirido na  grande lida do dia a dia, prejudicando prioridades. Parece um período de transição; temos a impressão de estar tentando vencer obstáculos, e afunilando, buscando o fim do túnel na esperança de que do outro lado, com o novo ano, tudo vai se renovar e melhorar.
A cada final de ano a cada um de nós cabe dar um balanço em nossas vidas. Vitórias, derrotas, sucessos, frustrações, alegrias, tristezas e uma busca incessante por felicidade... Descobrimos que a felicidade completa não existe, apenas há gotas de felicidade, momentos felizes aos quais devemos nos agarrar com unhas e dentes, vivendo-os intensamente; se assim o fizermos, o hoje, o agora bem explorado será transformado num ontem bem sucedido, exalando ternas recordações perfumadas de satisfações e o amanhã se traduzirá em expectativas e sonhos, em ESPERANÇA que será capaz de tornar real qualquer desejo. Somente AQUELE SANTO MENINO que nasceu em Belém, compartilhou nosso fardo e semeou em nós a esperança e o gosto de uma vida digna, plena e feliz será capaz de transformar o mundo e ELE mudará nossas vidas se nós O fizermos o Senhor de nossas vidas, e nos será concedida a PAZ, a mais preciosa dádiva, haverá saúde e felicidade em todos os lares e serão plantadas virtudes em nossas almas para que possamos ser bandeirantes da PAZ entre os HOMENS. Assim fortalecidos em CRISTO compreenderemos o valor da HARMONIA e da PAZ e haverá proteção para os fracos, desamparados e vacilantes. Serão valorizadas a liberdade, a justiça e a fraternidade. Só através DAQUELE MENINO acontecerá o MILAGRE da tão sonhada PAZ.
Para que o NOVO ANO seja melhor consideremos nossas reflexões sobre o ANO VELHO, avaliemos os erros e confiantes, com renovadas energias sigamos determinados nos melhores propósitos, com coragem, alegria e otimismo.
É dezembro outra vez! Mês lindo, mês de alegria, de confraternização, de perdão, de presentes, de cartões. Vitrines enfeitadas, tudo fica mais colorido e músicas natalinas ecoam nas residências e em ambientes públicos; as pessoas se tornam mais amáveis, mais descontraídas. Muita coisa vai se transformando em nosso espírito. Na verdade perguntamo-nos pelo sentido de nossa vida, ao ver que a vida vai acontecendo na sucessão dos anos, que nos enobrecem, mas também nos envelhecem. É Tempo de Gratidão. É Tempo de Agradecimento!
Na humildade do estábulo de Belém nasceu o Salvador: o anúncio de seu nascimento veio alegrar Maria, José e os pastores. Esta mensagem toca profundamente o coração da humanidade, porque os anseios fundamentais têm seu fundamento garantido pela presença do próprio Deus entre nós.
“Glória a Deus e paz para seus bem-amados!” os anjos cantaram naquela NOITE SANTA. Sim, pelo Nascimento de Jesus, a Luz Divina do céu resplandeceu sobre a face da terra. A distância entre Deus e os homens foi preenchida de amor e paz.
Que Cristo possa renascer em cada coração e a luz deste Natal ilumine nossas vidas, trazendo paz, compreensão e alegria por todo o novo ano.
FELIZ NATAL e PRÓSPERO ANO NOVO!

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

ANOS DOURADOS DA POESIA EM BOM JESUS (Publicado no Jornal O NORTE FLUMINENSE - 14 de novembro de 2012)



ANOS DOURADOS DA POESIA EM BOM JESUS
                                                                                          
Vera Maria Viana Borges
“A vida vale pelo uso que dela fazemos, pelas obras que realizamos. A medida social dos homens está na duração de suas obras, e a imortalidade é privilégio dos que fazem com que essas obras possam sobreviver ao tempo”. Este pensamento de José Ingenieros nos faz refletir sobre os ilustres intelectuais bonjesuenses do passado que não se aquietaram e sobreviveram ao tempo. 
Por volta de 1945, literatos reuniam-se de preferência na Praça Governador Portela, em aprazíveis noites embaixo do Pau-Ferro, na Farmácia Normal e também no “Bar do Noé” de propriedade do Noé Borges do Carmo, antigo “Bar do Otto” onde também Padre Mello em tempos idos fazia suas tertúlias literárias.
Padre Antônio Francisco de Mello foi vigário da Paróquia do Senhor Bom Jesus durante meio século. Uma das maiores culturas que a nossa terra conheceu. Poeta de grande sensibilidade estética, jornalista de escol, cronista invejável, professor, músico, matemático e agrimensor.  Versejava com maestria tanto em português como em latim, língua que dominava com perfeição. Orador sacro de grande eloquência. 
Além de Padre Mello compareciam aos referidos locais: Antônio Dutra, Octacílio de Aquino, José Silva, Athos Fernandes, Romeu Couto, Dr. Delton de Mattos, o então rapazinho Ayrthon Borges Seródio, Oscar de Andrade,  Dr. José Vieira Seródio, Dr. Deusdedith Tinoco de Rezende, Dr. Aurélio Gomes, Osório Carneiro, Antônio Miguel e outros.
Oscar de Andrade chegou a Bom Jesus na década de 40. Grande orador, grande cultura geral, afora a cultura especializada em advocacia. Homem de hábitos morigerados. Não fumava, não bebia, não jogava. Ele nutria pelo jovem Ayrthon um apreço muito especial. Enaltecia-lhe a inteligência e a oratória. Sempre que surgia um tema, pedia que discursasse sobre o mesmo. Oscar dedicou-lhe um artigo de duas laudas datilografadas, iniciando assim: “Dezesseis anos são as flores que lhe enfeitam a vida; se a voz não lhe tremesse nos lábios, certamente seria o maior orador deste país...” Caso Dr. Oscar  hoje aqui estivesse deveria se orgulhar da eloquência que se faz sentir na fala do nosso queridíssimo  poeta Ayrthon Borges Seródio, conspícuo orador do nosso Município.  Oscar de Andrade  criou aqui, um vasto círculo de amigos e admiradores; desempenhou com brilhantismo, vários papéis. Criminalista,  Professor do Colégio Rio Branco, Promotor Substituto de nossa Comarca e ainda emprestou a alma de Jornalista, ao jornal “A VOZ DO POVO” onde foi auxiliar de redação. Conhecedor profundo da Língua Portuguesa e da Literatura Universal. Grande estilista, escrevia com elegância onde impunha um estilo próprio. Versado em Latim e Grego; falava fluentemente o Francês. Grande cultura, grande devoção  à oratória e desempenho literário. De palavra clara, profunda e culta.
Os poetas Ayrthon Borges Seródio, Athos Fernandes e Antônio Miguel sonhavam com uma Academia em nossa cidade e com o respaldo do mecenas campista, o Professor Walter Siqueira, valoroso homem de letras sendo chamado “O Fundador de Academias” por tantas que ele apadrinhou Brasil afora, criaram a ABDL (Academia Bonjesuense de Letras) instalada solenemente aos 04 de dezembro de 1976, enriquecida com os 40 membros efetivos e seus respectivos patronos. Dr. Ayrthon foi o seu  1º Presidente, Athos Fernandes o 1º Vice- Presidente e o notável poeta Antônio Miguel o 1º Secretário.
A ABDL nasceu sob o signo da Poesia Clássica pois os quatro eméritos poetas que a trouxeram a lume são sonetistas de escol, eruditos, possuidores de vasta e ampla cultura. E, já são 35 anos a serviço da Língua Portuguesa. Dando prosseguimento a tão feliz iniciativa, atualmente são muitos os seguidores e inúmeros os sonhadores e entre tantos, eu, uma simples e humilde poeta, mas de grande coração e ainda maior IDEAL, procurando manter viva a chama do SONETO ( poesia Clássica devidamente metrificada e rimada, agrupada em dois quartetos e dois tercetos).
A ACADEMIA que tem como finalidade fomentar a cultura através das atividades de seus integrantes, aglutinando aqueles que se interessarem pela produção literária, procurando ser o centro de referência da cultura, das letras e demais artes, buscando o reconhecimento e respeito da comunidade e o desenvolvimento de atividades culturais, neste ano de 2012, está recebendo com expectativa e carinho, os novos intelectuais, Dr. Gino Martins Borges Bastos, Jailton da Penha, Ademir Azevedo, Victor de Almeida Silveira e Tereza Cristina de Lima Nazareth, que chegam para ilustrar as Letras de Bom Jesus e que futuramente abrirão alas para novos astros e estrelas do cenário cultural de nossa adorável terra, como deverá acontecer sucessivamente... 
“ A poesia lida ou declamada, não perde nunca a sua extraordinária virtude da comunicabilidade que a distingue e a torna querida, dos mais altos espíritos e dos mais humildes e ignorantes ouvintes.” Guimarães Rosa.  
Jamais nos falte a determinação, a coragem, a fé e a esperança e que possamos atingir os objetivos propostos, entre os quais, o engrandecimento da Cultura de Bom Jesus. 

terça-feira, 13 de novembro de 2012

HINO DO SESQUICENTENÁRIO - Paróquia do Senhor Bom Jesus - Bom Jesus do Itabapoana-RJ


HINO DO SESQUICENTENÁRIO
Paróquia do Senhor Bom Jesus- Bom Jesus do Itabapoana-RJ

                                                                               Vera Maria Viana Borges

                                             Bom Jesus, Deus e Homem, verdadeiro,
                                             Desceu à terra para nos salvar,
                                             Desta Paróquia sendo o Padroeiro,
                                             Graças mil está sempre a derramar.

                                                                 REFRÃO

                                             Salve, Salve, o Sesquicentenário
                                             Da Paróquia do Senhor Bom Jesus,
                                             Salve o Servo do Evangelho, o operário,
                                             Que a mantém plena de FÉ e de LUZ.

                                             Comemorando o seu aniversário
                                             Neste Bendito Ano jubilar,
                                             Fiéis devotos junto ao Campanário
                                             Presenciam EXCELSA LUZ brilhar.

                                             Fique sempre retida na memória
                                             A grande festa feita com fervor
                                             Ao GRANDE REI que guia a trajetória,
                                             Jesus Cristo, o Mestre, o Senhor.

                                             Jubilosa Paróquia és o Sacrário
                                             Que dá abrigo ao nosso Redentor.
                                             És guardiã e feliz relicário!
                                             Ao Bom Deus, o louvor, por seu valor. 

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

MÃOS ( O NORTE FLUMINENSE 14/10/2012 )



MÃOS
                                                                               Vera Maria Viana Borges

Dia desses, após as orações da noite, apaguei a luz, aconcheguei-me, rolei para lá e para cá e nada de sono. Veio-me então à mente o medo que tinha da escuridão naquelas frias noites da minha infância em Rosal. A prosa era sempre a mesma, assombração e vários mistérios da vila. Minha mãe fazia serão bordando a máquina e enquanto ela bordava a luz permanecia acesa o que para mim era extraordinário. Muitas vezes eu me levantava e observava aquelas alvas e firmes mãos conduzindo o bastidor que girava e girava executando uma perfeita dança, uma coreografia ritmada sob a agulha que formava encantáveis crivos, richelieus, matizes, aplicações e bordados de cordonê e ponto cheio. O resultado era algo surpreendente tal a beleza das peças elaboradas.Nas minhas reminiscências percebi o desempenho das mãos de mamãe também no bordado a mão, nos desenhos, na culinária e muitas e muitas outras coisas pois ela fazia de tudo em casa e com muita perfeição. Apreciando as mãos de minha irmã Sílvia Márcia, vejo muito nelas o talento de nossa genitora, tudo que elas tocam é transformado, há harmonia e beleza nos trabalhos que realiza. Sem delongas comecei a admirar  e refletir sobre outras mãos. Voltei à Escola Primária, deparei-me com as mãos de D. Julieta Roseira que nos ensinou os pontos básicos de bordado. No Colégio Zélia Gisner, as mãos de fada de D. Odete Tavares Borges (D. Niniu). Ambas excelentes professoras, tão exigentes quanto carinhosas. No final de cada ano apresentavam belas e requintadas exposições. 
A maravilhosa arte de bordar de D. Niniu foi transferida para suas filhas Leny Borges Bastos e Ercília Borges do Carmo. No meu viajar por habilidosas mãos deparei-me com D. Geninha, esposa do Senhor Santinho Tavares e a graciosidade e beleza de sua obra que foi assimilada por Celise Tavares Xavier , esposa do Senhor Luiz dos Santos Xavier, o primeiro gerente do BANERJ em Bom Jesus cuja agência foi inaugurada no dia 15 de agosto de 1968. Bordadeira de mão cheia, Celize vive num universo de novelos e linhas, cores e texturas, tendo o privilégio de ver na sua filha Sílvia Xavier Borges, a criatividade em vários segmentos. Silvinha da Garnier  paira num estado permanente de delicadeza onde são compartilhadas emoções e vivência enquanto as mãos produzem expressando sentimentos quer no artesanato, no piano, no violão ou no acordeon que chora a CHALANA, composta em 1954 por Mário Zan e Arlindo Pinto, interpretada por Almir Sater e “vai navegando no remanso do rio Paraguai”. Evidentemente sentimos uma ligação do passado com o presente, as gerações mais novas recebem das mais velhas, suas técnicas e demais experiências. Quem utiliza bem os seus dons desempenha papel relevante na comunidade e sua arte é fator de prestígio. Se além de habilidade manual possuir talento e sensibilidade, torna-se artista. 
São tantos os artistas anônimos que se revelam com suas aptidões, encantam com fartas produções e imprimem traços culturais em tudo o que realizam. Continuei observando e ali estavam Rosete e Mariazinha Dutra Baptista, José Carlos Thiebaut e Arlene Moraes Thiebaut, Drª Claúdia Borges Bastos do Carmo e Dr. José Alfredo Borges do Carmo, Tarcísio André e Cláudia Espinoza André, produtores de delicadas e belas peças. Extasiei-me com as mãos de Gerson Carlota Oliveira  que instantaneamente, em poucos minutos, reproduz com desenho sombreado a lápis, perfeitas fisionomias, tamanha a perfeição, não fica a dever às mais sofisticadas fotos.Arrebataram-me, as mãos zelosas das Irmãs do Abrigo José Lima e as mãos habilidosas do nosso Artista Maior: Raul Travassos.
Detive-me, que horror, em mãos que podem ferir, agredir, magoar e matar. Visualizei Pilatos que “lavou as mãos” para limpar a consciência e recordei da expressão “lavo as minhas mãos”, no sentido de desistir. Há a mão que destrói mas felizmente há muitas e muitas que constroem.  Mãos que oferecem rosas, mãos que trabalham, mãos que fiam, mãos que tecem, mãos que agasalham, mãos que oram, mãos que louvam,  mãos que carinham, mãos generosas, mãos caridosas, mãos dadivosas, mãos que afagam, mãos que bordam, mãos que pintam, mãos operárias, mãos amigas, altruístas e misericordiosas. Mãos que plantam e mãos que preparam alimentos. Mãos que falam em “LIBRAS” (língua de sinais, usada pelos surdos), mãos que falam de beleza e de tristeza, mãos que dirigem, mãos que acenam para quem fica, mãos que fotografam, mãos que escrevem, mãos que gesticulam poemas, mãos de artistas que compõem, que regem, que tocam, mãos que enxugam lágrimas, que confortam e consolam. Mãos Sacerdotais, benditas, que transformam pão e vinho no Corpo  e Sangue de Jesus. Mãos que curam feridas. MÃOS ENSANGUENTADAS DE JESUS e MÃOS PODEROSAS DE DEUS PAI.
Caminhantes que somos de uma mesma jornada, sejamos viajantes de mãos dadas, de mãos que se juntam, de mãos que se entrelaçam, como elos de uma corrente, juntando nossa história a outras histórias, envolvendo-nos numa semeadura boa para que a colheita seja de sazonados frutos. Com nossas “MÃOS” lancemos as sementes para que a paz, o amor, a fraternidade e a igualdade renasçam nos corações das pessoas, para que um dia estes sentimentos não sejam apenas o SONHO de uma noite mal dormida.

domingo, 30 de setembro de 2012

BOM JESUS MUSICAL ( O NORTE FLUMINENSE - 20 /09/2012)




BOM JESUS MUSICAL
                                                                        Vera Maria Viana Borges

A Música, paixão que supera obstáculos, colore a vida com sua vibrante força. Embala com seus sons e balanços os nossos pequenos, com  melodia, harmonia e ritmo faz-nos balançar o corpo,  mexer as cadeiras, marcar o compasso, tirar os pés do chão e nos eleva aos páramos da alma onde habitam os nossos mais puros sonhos. Proporciona uma leveza, um recurso terapêutico. Bálsamo salutar, é o remédio da alma e o alimento do amor.  De todas as artes é a que mais enleva, enobrece e melhor traduz os nossos anseios.  Exerce sobre todos um efeito salutar, animando, suavizando, encantando e até encorajando. Cultivar a música, é sem dúvida cultivar o que há de mais belo e nobre. LINGUAGEM UNIVERSAL , a música, é lida  pelas partituras da mesma forma em todas as partes do mundo, tendo o mesmo sentido aqui, no Japão ou na China.  
Quis o Bom Deus premiar Bom Jesus dando-lhe muitos artistas. Belíssimas composições estão entranhadas no âmago de nossa gente. A “Marcha a Bom Jesus” de autoria de Salim Tannus é cantada com entusiasmo e passada de geração em geração.  “Rio Itabapoana” composta por Oliveiro Teixeira, Tertuliana e Ana Maria, linda melodia e poética letra. “Alva Pomba que meiga apareceste...” de autoria do Padre Delgado, que  Padre Mello importou da Ilha de São Miguel em Portugal para ser cantada nas Procissões da Coroa do Divino na nossa magna festa. “Juntinho de Você” de Samuel Xavier que nos bailes do Aero Clube embalou muitos namoros...  “Juntinho de você /Até o amanhecer /Não posso esquecer amor...” Dá para sentir saudade!  Já se disse que saudade é a prova de que o passado valeu a pena.   
Sebastião Ferreira, maestro da Lira Operária  (Professor Bastião) ministrava aulas  nas áreas de sopros, cordas, percussão, piano e acordeon.  Foi um dos grandes responsáveis pela formação de muitos que hoje brilham no cenário  da música popular e erudita. Apresentou vários Shows com os alunos acordeonistas em Festas de Agosto, na Praça Governador Portela (cerca de 50 acordeons, uma verdadeira orquestra sanfônica que executava do Clássico ao Popular) e em vários cineteatros da região e mais tarde a  “Escola de Música Levi de Aquino Xavier” dirigida por várias décadas pela Professora Georgina Melo Teixeira.  Atualmente contamos com a “Escola de Música Cristo Rei” dirigida por Marise Figueiredo Xavier e com a “Escola de Música JEMAJ” de  Anísia Maria Aguiar Pimentel.
Como não lembrar o “Juquinha Sapateiro” com seu conjunto sobre camionetes ou caminhões executando marchinhas de Carnaval, fazendo propaganda para lojas da cidade?  O Conjunto do Jaime Figueiral. As  fortes vozes do Ricardo Medina e do Antônio João.  A voz marcante do Edílio Miranda nas ondas da “ZYP31 - Rádio Cultura de Bom Jesus do Itabapoana”, com o Programa: “Edílio Miranda Canta Para Você!” O Cristóvão com o Programa Tangos e Poesias. Os Programas de Calouros comandados por Freire Júnior, o “Garoto”. O “CONJUNTO GAROTAS BONJESUENSES” composto por Ana Maria, Maura Júlia, Conceição Pedrosa, Cândida e Lourdinha do Capitão. O vozeirão do Manoel Ribeiro nas mais encantáveis serenatas, a  cantora Carmem Guimarães, o Aurinho e o Walzenir Fiori.
Nas igrejas os magníficos Corais. Na Igreja Batista a maviosa voz de Vilméia Godoy. Na Matriz do Senhor Bom Jesus o Ilis Carlos Machado, a Maria da Conceição Fragoso de Oliveira, a Yole e Dona Nina (Georgina Melo Teixeira), regentes inconfundíveis. Hoje em dia as abençoadas mãos de  Ana Maria Teixeira Batista,  André Megre e muitas outras dão as notas para nossas mais lindas celebrações. Na Paróquia Pessoal do Senhor Bom Jesus Crucificado (Abrigo José Lima) magnificente Coral dirigido pelo pianista e organista Tadeu de Moraes Almeida.
O “Coral Acalanto” sob a regência do Maestro Francisco Oliveira Júnior e os “Chorões do Vale” que tocam, cantam e deveras nos encantam. O “Grupo Musical Amantes da Arte” comandado por Ana Maria Teixeira Batista,  abrilhanta quase todos os eventos do Vale do Itabapoana, já uma tradição nas festas Natalinas da região, culminando com a célebre Cantata de Natal na escadaria da Matriz e nas janelas do antigo sobrado da Panificadora Borges. Belíssimo e emocionante acontecimento. Supera-se a cada apresentação.   
As belas vozes de Marisa Valinho, Maria José Martins, Ester e Maria Lúcia Borges, o teclado e violão de João Vitor, Paulinho e Neumar Monteiro. Pedro Salim Júnior  e Martha Salim (nossa estimada Martinha), sempre envolvidos no movimento artístico-cultural nos brindam com espetáculos da “Cia Musical Corre Coxia”.  Os pianistas Antônio Bendia Júnior,  Luís Otávio Azevedo Barreto e Ana Luíza Xavier contagiando com a apresentação de  “3Piano”. Os divinos e angelicais sons do violino de Roberto Feijoli. O teclado de David Assad.  O cavaquinho do Marcelo Rezende e o violão de sete cordas do Sebastião  Rocha.  O Toninho do Tupy e o Cláudio (Negrito) na percussão. O Professor de violão e guitarra Ozéias Silva. O Conjunto “ABADART”.  O Fábio Ferreira, baixista e tecladista. O músico Roninho Louvain. Tenho o privilégio de ser vizinha do compositor,  pianista e  grande violonista Amílcar de Abreu Gonçalves  e de ser prima de Geraldo de Almeida Viana, maestro de incomparáveis méritos, conhecedor profundo de oboé, saxofone, clarineta, violão, violino e flauta. Festejado compositor. O Paulinho Natividade, o Jefferson  Alves, a Vânia Lissa, a Fatinha , Leziel e Arnaldo e muitos e muitos outros. Em cada barzinho, música ao vivo com os inúmeros artistas que esta terra possui.  É muita gente boa. 
A Lira Operária Bonjesuense, altiva, bela, nobre e forte, nas alvoradas, procissões e em quase todos os eventos. Está sempre presente. É de se admirar a determinação, a garra, o entusiasmo e a fidelidade do Maestro Nilo, a quem aplaudimos e nos curvamos agradecidos.
O Deus Pai Todo Poderoso vele sobre estes abnegados que dotaram e aos que se propõem a dotar nossa comunidade de tão sublimes benefícios. Abençoado é este povo com a multiplicidade de dons, de carismas, de sons, de intérpretes e de compositores. Tenho muito orgulho de ser Bonjesuense e me ufano desta Bom Jesus Musical.