sexta-feira, 5 de abril de 2013
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
O PRIMEIRO PIANO DO VALE DO ITABAPOANA (Publicado no Jornal "O NORTE FLUMINENSE" - 15 de janeiro de 2013)
O PRIMEIRO PIANO DO VALE DO ITABAPOANA
Vera Maria Viana Borges
“Na terra somos caminhantes, sempre prosseguindo... Isso significa que temos de nos manter em movimento, caminhando adiante. Assim esteja sempre insatisfeito com o que você é se quiser alcançar o que você não é. Se estiver satisfeito com o que você é, você parou. Se disser “é suficiente”, você está perdido. Siga andando, movendo-se para a frente, tentando atingir a sua meta. Não tente parar no meio do caminho, voltar ou desviar-se dele.” (Sto Agostinho - Sermão, 169-18)
Meus bisavós, Feliciano de Sá Viana e Ambrosina Justa de Sá Viana não esmoreceram, jamais perderam o entusiasmo. Chegaram à Fazenda da Prata, oriundos das Minas Gerais em 1862. Casal cheio de vitalidade, ânimo e alegria, pôs mãos-à-obra, dedicando-se à agricultura, atravessando épocas de vacas gordas pelo desempenho auspicioso do trabalho e dedicação a que se empenharam.
Via crescer a numerosa prole em meio a muita fartura proveniente de seu trabalho na terra, acalentando o sonho de educar todos os filhos proporcionando-lhes cultura e principalmente almejava que aprendessem música para encher de alegria o seu lar e aquele rincão distante...
Sonhava comprar um piano, mas para tal aquisição era necessário ir à Corte. Preparando-se e indo até lá adquiriu o instrumento, um piano de cauda; tratou de despachá-lo até o Porto da Limeira, que já funcionava desde 1864, a uns mais ou menos dez quilômetros da atual localidade de Ponte do Itabapoana, no rio Itabapoana, ligando este ao mar em Barra do Itabapoana. De lá veio até Bom Jesus de carro-de-boi e para dar continuidade à viagem, não havendo estradas, escravos tiveram de empunhá-lo e levá-lo até Arrozal de Sant'Ana, mais precisamente na Fazenda da Prata, onde residiam os Sá Viana.
Os filhos cheios de curiosidade rodearam o instrumento, uma grandiosíssima novidade na região. Feliciano por sua vez anunciava a necessidade de um mestre, corria de boca em boca a notícia... Sentia-se feliz mas ao mesmo tempo triste vendo o piano ali, mudo... Homem de expediente já providenciava alguém para ministrar aulas e contratado já estava um Professor de Escolaridade que viria ensinar leitura, contas e conhecimentos gerais a todos.
Entre seus criados, havia um escravo vindo de Diamantina, que cochichara aos outros, saber tocar piano. Chegando a alvissareira notícia aos ouvidos do patrão, este dando-lhe roupas limpas e decentes, pediu que tomasse um banho e se aprontasse devidamente. Quando adentrou o salão da Casa Grande, estava irreconhecível, de paletó e gravata. Emoção enorme aos primeiros acordes que quebraram o silêncio daquelas matas, daqueles cafezais, esfuziando aqueles olhares expectadores, encantando aqueles ouvidos ávidos de uma boa e bem animada melodia. O contentamento foi geral.
Passaram os Sá Viana a organizar saraus, atraindo pessoas da vizinhança e alegrando sobremaneira toda a família que se organizava para receber os que vinham dançar e apreciar as bem executadas valsas da época. Nestas reuniões semanais, serviam fartíssima mesa das mais finas e variadas iguarias, onde todos comiam a vontade.
Com a chegada do Professor “João Lino”, o início dos estudos e a surpresa maior: ao ver o “piano” disse que ele poderia também dar conhecimentos de música e ensinar os mais diversos instrumentos. Iniciou-se assim a realização do sonho do fazendeiro. Os filhos, Romualdo, Eulália, Aureliano, Adélia (Sinhazinha), Elpídio, Henrique, Malvina, Adolfina, Mulata, Adelaide, Diana, Abílio e Julinho se entusiasmaram e logo formaram conjunto com clarinetas, trombones, contrabaixos, Sax Horn, requinta e piano. Sobressaíram, Romualdo na clarineta, Julinho no cantrabaixo (ainda jovem faleceu na arquibancada de um circo onde tocava, atingido por uma bala perdida, disparada numa briga do lado de fora), Elpídio no trombone (a maior parte de sua vida foi dedicada ao contrabaixo), Henrique no Sax Horn, Adelaide no piano e requinta; Mulata dedicou-se um pouco ao piano e gostava de cantar.
Cada filho que se casasse recebia de dote um sítio e um lote de burro. Não eram apenas saraus e brincadeiras trabalhavam duro, estudavam e se dedicavam aos estudos de música e dos diversos instrumentos.
Mudando-se para a Fazenda União, mais próxima de Rosal (hoje propriedade do Sr. Carlowe Junger Vidaurre), ficou mais próximo de seu amigo e compadre Luís Tito de Almeida (Lulu), sogro de seu filho Elpídio que desposara Elzira.
Tocavam em ladainhas, casamentos e festas em geral, até que um dia reuniram-se Lulu (Luís Tito de Almeida), Elpídio de Sá Viana, Durval Tito de Almeida, Custódio Soares de Oliveira, Sebastião Magalhães e Elias Borges, iniciando o trabalho de formação da Corporação Musical 14 de Julho, que tem como data oficial de sua fundação, 14 de julho de 1922. Continua firme e vibrante com retretas nas praças, espalhando vida e alegria por onde passa, com suas marchas, dobrados e peças do cancioneiro popular.
Constantemente havia encontro das Bandas. No casamento de Mulatinha, neta de Feliciano, filha de Romualdo, compareceram as Bandas do Sr. Lulu e do Chico Gomes, clarinetista dos bons e que também formara uma banda com elementos de sua família, lá na Barra Funda. Elemento de uma Banda tocava também na outra; foram se casando e misturando as famílias e finalmente todos se tornaram parentes, acabando praticamente numa só família.
Os Sá Viana se espalharam pelos dois lados do vale do Itabapoana, fazendo frutificar a vocação musical que lhe estava impregnada no sangue e os conhecimentos que se adquiriram através daquele primeiro piano que com grande ideal foi trazido para esta região.
Elpídio de Sá Viana organizou na década de 40 uma filarmônica em São José do Calçado. Inicialmente contou com cinco de seus filhos: Luís, Antônio, Feliciano (Neném), Hélio e Geraldo, todos excelentes músicos e procurou completar o grupo com elementos da localidade a quem ministrava aulas. A filarmônica recebeu o nome de “Euterpe São José”, mais tarde passou a “Lira 19 de Março”, apresentando-se impecavelmente uniformizada e executando sempre com perfeição o vasto e riquíssimo repertório.
A descendência de Feliciano e Ambrosina continua acalentando e realizando o seu grande sonho... Que Deus os acolha em sua Glória como recompensa pela herança deste dom tão harmonioso quanto melodioso. Erguendo as taças da gratidão e do amor, prestamos-lhes uma consagradora homenagem pela determinação e garra com que impregnaram nossa gente e nossa terra com a paixão e o ardor deste ideal, assegurando que continuaremos mantendo viva a chama de seu lindo sonho que ainda nos embala com suaves canções e que com a graça de Deus assim o será para todo o sempre.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
UM FACHO DE LUZ ( Publicado no ÓRGÃO INFORMATIVO DA ABDL)
UM FACHO DE LUZ
Vera Maria Viana Borges
Quando as portas se abrem para o fulgor de um Sodalício percebe-se um facho de luz a cintilar tão profundamente na mística da comunhão de ideais, na pujança do extravasar das mentes e almas o objeto da mais alta inspiração, reunindo toda a perfeição concebível no nosso imaginário. Momento ímpar!
Um sonho sonhado por três amados poetas bonjesuenses tornou-se real aos quatro de dezembro de 1976. Os sonetistas Ayrthon Borges Seródio, Athos Fernandes e Antônio Miguel sob a égide do grande mecenas campista, o Criador de Academias por tantas que ele apadrinhou Brasil afora, criaram a nossa ABDL - Academia Bonjesuense de Letras que por várias décadas desempenhou com honradez e entusiasmo as suas funções e seus objetivos. Infelizmente por motivos vários que dispensam por si só explicações, acabou caindo no marasmo, naquele redemoinho inesgotável que suga todas as esperanças e ela foi lançada num vácuo inexplicável até quase se perder no sem-fim dos acontecimentos, dos fatos e das coisas.
A falência da Cultura nos assusta. Há na vida de todos nós, o momento em que se torna necessária a reflexão para que as coisas sejam colocadas nos devidos lugares. Revendo o cumprimento das obrigações inerentes à posição que ocupamos, com o compromisso de fomentar a cultura, o hábito da leitura, a apreciação da arte com a finalidade da exaltação do Belo, a preservação da nossa História e a continuação da mesma, através dos atos do nosso dia-a-dia, o incentivo às crianças, jovens e indivíduos de toda faixa etária, incluindo os da terceira idade que após a aposentadoria tendo mais tempo livre buscam algo para preenchê-lo com alguma coisa útil e saudável que só enobrece, eleva a autoestima e o torna mais feliz, resolvemos tomar uma atitude, fazendo uso dos DONS atribuídos por DEUS, nosso Poeta Maior. Cabe a cada um de nós administrar este legado, esta herança e multiplicá-la através do trabalho honesto, transparente, arregaçando as mangas, sem a pretensão de aparecer e receber honrarias, dividindo-a em doses acertadas a fim de que não sejam prejudiciais a nós e nem aos outros. Assim agindo com Sabedoria e Amor, atingiremos o ideal maior quando discernirmos o bem do mal, separando o joio do trigo.
Sobrepujando intempéries, injustiças e indiferenças, com nossas almas plenas de esperança e amor buscamos a vitória que de algum lugar nos acena. Podemos nos orgulhar do Celeiro de Talentos que é nossa tão amada Bom Jesus, que se preza por uma cultura admirável. Para a arrumação da casa contamos com os nossos queridos confrades e com novos acadêmicos, sangue novo, para que circulem novas ideias, novos projetos visando o crescimento desta Instituição Cultural já respeitada pelo valor de seus intelectuais. O sucesso de grandes empreendimentos deve-se ao trabalho intenso onde a colaboração de muitos é fator primordial para que tudo dê certo.
Houve o fim de um ciclo. A nova etapa que se inicia não deverá ser apenas mais um recomeço, e sim, o prosseguimento de uma trajetória de grandes realizações. Fiquemos com o pensamento de Robert F. Kennedy: “Cada vez que uma pessoa se levanta por um ideal, age para melhorar o destino dos outros ou combate a injustiça, provoca uma pequena onda de esperança, que, cruzando-se com outras a partir de um milhão de diferentes centros de energia e coragem, formam uma corrente capaz de varrer as mais poderosas barreiras de resistência e opressão.”
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
QUE CRISTO POSSA RENASCER EM CADA CORAÇÃO (Publicado no "O NORTE FLUMINENSE" - 14/12/2012)
QUE CRISTO POSSA RENASCER EM CADA CORAÇÃO
Vera Maria Viana Borges
Foi-se o tempo das cadeiras nas calçadas! A pressa, a correria da vida moderna escraviza e o homem escravo do relógio vive um mundo louco, cheio de contradições e continua emocionalmente imaturo frente ao vertiginoso avanço tecnológico. Corre-se contra o tempo em busca de sucesso e as palavras de ordem são Vencer, Fazer Nome, Aparecer, Ser Notícia, Acumular Riquezas... Assim perde-se a rota das estrelas, perde-se a trilha da alma e tudo fica sob tensão, vive-se esticado qual cordas de “VIOLA” que bem apertadas produzem maravilhosas melodias. Mas com nosso corpo é bem diferente, é na calma, na tranquilidade, na paz que melhores resultados serão produzidos. No afã de ultrapassar obstáculos seguidos, acontecem os desajustes, as frustrações e os conflitos. Quando se dá conta passa o tempo sem ser visto. E assim termina mais um ano. Período de muitas festas: Formaturas, Natal e Ano-Novo. Correria com compras, arrumações, ornamentações, confraternizações; momentos eufóricos que vividos atropeladamente quase não são sentidos. Época de planos, de viagens, programas especiais, corre-corre. Muita gente trocando abraços, mensagens, presentes, preparando CEIAS! Gente que se reúne e confraterniza deixando esquecido o ANIVERSARIANTE, Maior Dádiva de Deus. Uma festa comum! Influenciados pelo comércio, caros objetos são comprados. Desaparece rapidamente o dinheiro suado, adquirido na grande lida do dia a dia, prejudicando prioridades. Parece um período de transição; temos a impressão de estar tentando vencer obstáculos, e afunilando, buscando o fim do túnel na esperança de que do outro lado, com o novo ano, tudo vai se renovar e melhorar.
A cada final de ano a cada um de nós cabe dar um balanço em nossas vidas. Vitórias, derrotas, sucessos, frustrações, alegrias, tristezas e uma busca incessante por felicidade... Descobrimos que a felicidade completa não existe, apenas há gotas de felicidade, momentos felizes aos quais devemos nos agarrar com unhas e dentes, vivendo-os intensamente; se assim o fizermos, o hoje, o agora bem explorado será transformado num ontem bem sucedido, exalando ternas recordações perfumadas de satisfações e o amanhã se traduzirá em expectativas e sonhos, em ESPERANÇA que será capaz de tornar real qualquer desejo. Somente AQUELE SANTO MENINO que nasceu em Belém, compartilhou nosso fardo e semeou em nós a esperança e o gosto de uma vida digna, plena e feliz será capaz de transformar o mundo e ELE mudará nossas vidas se nós O fizermos o Senhor de nossas vidas, e nos será concedida a PAZ, a mais preciosa dádiva, haverá saúde e felicidade em todos os lares e serão plantadas virtudes em nossas almas para que possamos ser bandeirantes da PAZ entre os HOMENS. Assim fortalecidos em CRISTO compreenderemos o valor da HARMONIA e da PAZ e haverá proteção para os fracos, desamparados e vacilantes. Serão valorizadas a liberdade, a justiça e a fraternidade. Só através DAQUELE MENINO acontecerá o MILAGRE da tão sonhada PAZ.
Para que o NOVO ANO seja melhor consideremos nossas reflexões sobre o ANO VELHO, avaliemos os erros e confiantes, com renovadas energias sigamos determinados nos melhores propósitos, com coragem, alegria e otimismo.
É dezembro outra vez! Mês lindo, mês de alegria, de confraternização, de perdão, de presentes, de cartões. Vitrines enfeitadas, tudo fica mais colorido e músicas natalinas ecoam nas residências e em ambientes públicos; as pessoas se tornam mais amáveis, mais descontraídas. Muita coisa vai se transformando em nosso espírito. Na verdade perguntamo-nos pelo sentido de nossa vida, ao ver que a vida vai acontecendo na sucessão dos anos, que nos enobrecem, mas também nos envelhecem. É Tempo de Gratidão. É Tempo de Agradecimento!
Na humildade do estábulo de Belém nasceu o Salvador: o anúncio de seu nascimento veio alegrar Maria, José e os pastores. Esta mensagem toca profundamente o coração da humanidade, porque os anseios fundamentais têm seu fundamento garantido pela presença do próprio Deus entre nós.
“Glória a Deus e paz para seus bem-amados!” os anjos cantaram naquela NOITE SANTA. Sim, pelo Nascimento de Jesus, a Luz Divina do céu resplandeceu sobre a face da terra. A distância entre Deus e os homens foi preenchida de amor e paz.
Que Cristo possa renascer em cada coração e a luz deste Natal ilumine nossas vidas, trazendo paz, compreensão e alegria por todo o novo ano.
FELIZ NATAL e PRÓSPERO ANO NOVO!
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
ANOS DOURADOS DA POESIA EM BOM JESUS (Publicado no Jornal O NORTE FLUMINENSE - 14 de novembro de 2012)
ANOS DOURADOS DA POESIA EM BOM JESUS
Vera Maria Viana Borges
“A vida vale pelo uso que dela fazemos, pelas obras que realizamos. A medida social dos homens está na duração de suas obras, e a imortalidade é privilégio dos que fazem com que essas obras possam sobreviver ao tempo”. Este pensamento de José Ingenieros nos faz refletir sobre os ilustres intelectuais bonjesuenses do passado que não se aquietaram e sobreviveram ao tempo.
Por volta de 1945, literatos reuniam-se de preferência na Praça Governador Portela, em aprazíveis noites embaixo do Pau-Ferro, na Farmácia Normal e também no “Bar do Noé” de propriedade do Noé Borges do Carmo, antigo “Bar do Otto” onde também Padre Mello em tempos idos fazia suas tertúlias literárias.
Padre Antônio Francisco de Mello foi vigário da Paróquia do Senhor Bom Jesus durante meio século. Uma das maiores culturas que a nossa terra conheceu. Poeta de grande sensibilidade estética, jornalista de escol, cronista invejável, professor, músico, matemático e agrimensor. Versejava com maestria tanto em português como em latim, língua que dominava com perfeição. Orador sacro de grande eloquência.
Além de Padre Mello compareciam aos referidos locais: Antônio Dutra, Octacílio de Aquino, José Silva, Athos Fernandes, Romeu Couto, Dr. Delton de Mattos, o então rapazinho Ayrthon Borges Seródio, Oscar de Andrade, Dr. José Vieira Seródio, Dr. Deusdedith Tinoco de Rezende, Dr. Aurélio Gomes, Osório Carneiro, Antônio Miguel e outros.
Oscar de Andrade chegou a Bom Jesus na década de 40. Grande orador, grande cultura geral, afora a cultura especializada em advocacia. Homem de hábitos morigerados. Não fumava, não bebia, não jogava. Ele nutria pelo jovem Ayrthon um apreço muito especial. Enaltecia-lhe a inteligência e a oratória. Sempre que surgia um tema, pedia que discursasse sobre o mesmo. Oscar dedicou-lhe um artigo de duas laudas datilografadas, iniciando assim: “Dezesseis anos são as flores que lhe enfeitam a vida; se a voz não lhe tremesse nos lábios, certamente seria o maior orador deste país...” Caso Dr. Oscar hoje aqui estivesse deveria se orgulhar da eloquência que se faz sentir na fala do nosso queridíssimo poeta Ayrthon Borges Seródio, conspícuo orador do nosso Município. Oscar de Andrade criou aqui, um vasto círculo de amigos e admiradores; desempenhou com brilhantismo, vários papéis. Criminalista, Professor do Colégio Rio Branco, Promotor Substituto de nossa Comarca e ainda emprestou a alma de Jornalista, ao jornal “A VOZ DO POVO” onde foi auxiliar de redação. Conhecedor profundo da Língua Portuguesa e da Literatura Universal. Grande estilista, escrevia com elegância onde impunha um estilo próprio. Versado em Latim e Grego; falava fluentemente o Francês. Grande cultura, grande devoção à oratória e desempenho literário. De palavra clara, profunda e culta.
Os poetas Ayrthon Borges Seródio, Athos Fernandes e Antônio Miguel sonhavam com uma Academia em nossa cidade e com o respaldo do mecenas campista, o Professor Walter Siqueira, valoroso homem de letras sendo chamado “O Fundador de Academias” por tantas que ele apadrinhou Brasil afora, criaram a ABDL (Academia Bonjesuense de Letras) instalada solenemente aos 04 de dezembro de 1976, enriquecida com os 40 membros efetivos e seus respectivos patronos. Dr. Ayrthon foi o seu 1º Presidente, Athos Fernandes o 1º Vice- Presidente e o notável poeta Antônio Miguel o 1º Secretário.
A ABDL nasceu sob o signo da Poesia Clássica pois os quatro eméritos poetas que a trouxeram a lume são sonetistas de escol, eruditos, possuidores de vasta e ampla cultura. E, já são 35 anos a serviço da Língua Portuguesa. Dando prosseguimento a tão feliz iniciativa, atualmente são muitos os seguidores e inúmeros os sonhadores e entre tantos, eu, uma simples e humilde poeta, mas de grande coração e ainda maior IDEAL, procurando manter viva a chama do SONETO ( poesia Clássica devidamente metrificada e rimada, agrupada em dois quartetos e dois tercetos).
A ACADEMIA que tem como finalidade fomentar a cultura através das atividades de seus integrantes, aglutinando aqueles que se interessarem pela produção literária, procurando ser o centro de referência da cultura, das letras e demais artes, buscando o reconhecimento e respeito da comunidade e o desenvolvimento de atividades culturais, neste ano de 2012, está recebendo com expectativa e carinho, os novos intelectuais, Dr. Gino Martins Borges Bastos, Jailton da Penha, Ademir Azevedo, Victor de Almeida Silveira e Tereza Cristina de Lima Nazareth, que chegam para ilustrar as Letras de Bom Jesus e que futuramente abrirão alas para novos astros e estrelas do cenário cultural de nossa adorável terra, como deverá acontecer sucessivamente...
“ A poesia lida ou declamada, não perde nunca a sua extraordinária virtude da comunicabilidade que a distingue e a torna querida, dos mais altos espíritos e dos mais humildes e ignorantes ouvintes.” Guimarães Rosa.
Jamais nos falte a determinação, a coragem, a fé e a esperança e que possamos atingir os objetivos propostos, entre os quais, o engrandecimento da Cultura de Bom Jesus.
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