segunda-feira, 6 de julho de 2015

MAURÍCIO CARDOSO FARIA (Publicado no Jornal "O NORTE FLUMINENSE" - 26/06/2015)

MAURÍCIO CARDOSO FARIA
                                                                                       Vera Maria Viana Borges
          
                          Segunda-feira, primeiro de junho, diante do Computador para iniciar estes escritos, resolvo dar uma passadinha pelo FACE e deparo-me com uma foto postada pela nobre e muito digna poetisa Regina Coeli, membro da Academia Itaperunense de Letras onde outro não menos nobre, o acadêmico, Carlos Braga, homenageava o nosso POETA MAIOR - MAURÍCIO CARDOSO FARIA, com data de 29 de maio do corrente ano e, com olhar assustado, perplexo, não querendo acreditar, em lágrimas, pude constatar - IN MEMORIAM. Arrepiei. Gelei. Não pude me conter e desandei a procurar notícias... Na página da ACIL, a notícia difusa, segura, pertinaz e dolorosa  do seu falecimento no dia 29. Alçou o seu “voo”, deixando-nos rico e grandioso legado no final de maio e foi juntar-se ao coro celeste para o encerramento do mês de Maria.
                           Membro efetivo e fundador da Academia Itaperunense de Letras, ocupante da Cadeira 39, que tem como Patrono Nacional o magnânimo escritor Érico Veríssimo e como Patrono Regional o ilustre Ruy Buarque de Nazareth. Bacharel em Direito e Licenciado em Letras Clássicas (português, latim e grego). Pós-graduado em Docência Superior tendo exercido o magistério por muitos anos em Niterói e nos últimos tempos em Itaperuna. Autor de quinze obras de cunho didático e literário, além de muitos e muitos textos publicados em revistas e jornais. Emérito Professor de Português, autor de uma excelente GRAMÁTICA preparatória para vestibulandos.
                          Mais um sonetista parte para a Casa do Pai, agora ele verseja aos pés de DEUS. Enquanto entre nós, ele dizia sobre o Soneto: “Verdadeira obra de artesanato poético, vestindo miragens, sonhos ou visualizações da vida, quando os vates, ao se permearem de inspiração, transpõem o real e o lúdico, para se projetarem no quase maravilhoso. Dizer que a sua forma limita o seu criador, pelos ritmos, pela métrica, pela rima, é desconhecer o domínio possível do poeta sobre o verso. Em verdade parece-nos que a liberdade formal a que tanto aspiram os poetas, é apenas mais uma propositura da arte poética para eles. Mais um caminho. Mais um. O soneto, de fato, não limita formalmente a criação, pois, quando ela é exuberante, avassaladora amolda-se à forma, emergindo da capacidade de o artista libertar-se... mesmo contido.”  Como Maurício Cardoso, sou também apaixonada pelo SONETO (Poesia Clássica devidamente metrificada e rimada, agrupada em dois quartetos e dois tercetos). Num apelo crescente, imploro aos professores de Português: Ensinem Versificação aos seus alunos, não deixem  o Soneto morrer.
                    O Soneto foi constante na trajetória poética do poeta. O ourives da palavra deixou-nos filigranas de rara beleza como no registro que faço a seguir, página 56 do livro “AREIA DE MARÉ BAIXA” (100 sonetos escolhidos): A RESPOSTA/ Quando cansado e rebaixada a fronte,/ já que em cansaço venho ao torvelinho,/ procuro uma oração, subindo ao monte,/ como ensinou o Mestre do Caminho./ Então me integro ao rubro do horizonte,/ quando o poente cresta-se em cadinho,/ a misturar nuances e, defronte,/ prepara para o dia um novo ninho./ E genuflexo eu tento orar a Deus,/ em súplica de rumo aos dias meus/ na prece que Lhe envio em solidão./ Mas me parece ouvir, do monte à encosta,/ a Voz das vozes dando-me a resposta:/ “perdoa e ajuda e estende a tua mão”. Após este esplendoroso texto ele deixou a seguinte epígrafe: “Crer é cambiar-se nas cores do arco-íris, como em palheta do Pintor Maior.” Um esteta autêntico que buscava Beleza e Perfeição em cada escrito. Com excepcional sensibilidade atribuída aos sábios e poetas era mestre da palavra e a manipulava com extrema elegância e intensa graciosidade, com profundeza nos conceitos e incomum domínio linguístico. Um MESTRE. Sua dedicação, sua cortesia, seu trato com o semelhante era algo edificante. Sua lembrança permanecerá, pois nem mesmo a morte pode calar o canto do poeta, ficará indelével em nossos corações. Sua obra não se dissolverá, pelo contrário deitará rebentos e desenvolver-se-á em novas gerações produzindo muitos frutos. Deleite-se, caro leitor, com seus maviosos versos:
SONETO EM PRECE
Senhor, a madrugada é o meu missal,
os pássaros as vozes de um coral
de cantochões nas folhas que farfalham
às vibrações etéreas que agasalham.

Aqui oro consciente, - anseio o sal
da terra ser, entoo os hinos - mal
eu me concentro meus sentidos falham,
quedo-me ao chão e as minhas mãos se talham.

Ó Mestre, eu não me queixo dos abrolhos,
de me lanhar o rosto, desta festa
de dor e angústia a salobrar meus olhos.

Eu só quisera orientar-me, ó Luz,
pela coroa que te fere a testa,
pelo perdão que deste numa cruz.


          Irrepreensível modelo, este amado Amigo-Poeta. MAURÍCIO CARDOSO FARIA! Nome que soa como uma suave canção,  e que  foi e sempre será um perfeito, belo e inigualável POEMA!  Descanse em paz, meu tão estimado poeta!!!

sexta-feira, 12 de junho de 2015

ÉS SOL, QUERIDO! ( Página do meu Livro "DE-VERAS... DI-VERSOS...")

             


              Estávamos com doze e quinze anos respectivamente. A 26 de agosto de 1956 nos encontramos e iniciamos o namoro. No ano seguinte, no dia 12 de junho de 1957, o nosso primeiro DIA DOS NAMORADOS, hoje comemorado pela quinquagésima oitava vez...

quarta-feira, 3 de junho de 2015

OS BORGES MOVIMENTARAM A BARRA (Publicado no Jornal "O NORTE FLUMINENSE" - 18 de maio de 2015)

OS BORGES MOVIMENTARAM A BARRA

                                                              Vera Maria Viana Borges
                 
                         De olhos fixos num passado longínquo deparamo-nos com o jovem casal Antônio José Borges e Bárbara Roza Teixeira, os primeiros fazendeiros da Barra, vindo ocupar este território. Viam crescer a numerosa prole em meio à fartura proveniente de seu trabalho na terra. Providenciaram alguém para que ensinasse leitura, contas, conhecimentos gerais. O primeiro professor foi João Samarão, vindo da região do Rio Doce. Fixou residência na Barra onde dava aulas particulares e ainda percorria a região dando aulas nas fazendas. O segundo professor Joaquim Teixeira de Siqueira Magalhães que fora educado, no Seminário de Mariana-MG, era professor de letras e de música. Fundou em sua fazenda uma banda de música com 20 participantes, denominada Banda Quinca Magalhães. Seu filho Tatão Magalhães é o autor do belíssimo dobrado - “TEIXEIRA BORGES”. Posteriormente a grande educadora D. Olga Ebedinger e não podemos olvidar a queridíssima mestra Zandir Oliveira Fitaroni, abnegada que lecionava à noite em sua casa à luz de lamparina. Como Deputado e Prefeito de Bom Jesus, o dileto filho José de Oliveira Borges muito contribuiu para a educação de seus conterrâneos lutando pela criação da Escola  Francisco Borges Sobrinho onde por anos a fio esteve à frente, a nobre, doce e talentosa Professora Noêmia Teixeira Borges.  Meu marido foi aluno de Dona Noêmia, vinha do Sítio BOM RETIRO galopando no cavalo Castanho e sempre era advertido pelo Senhor Elias Moraes Borges para que não corresse tanto. 
                Passou o tempo e Bárbara Teixeira dos Reis  herdou as terras. Muito religiosa, vinha em seu cavalo “Balão Branco” a Bom Jesus estar com o Padre Mello para encomendar missas para a comunidade. Eram realizadas em sua residência ao lado de onde hoje é a Igreja e ali  também faziam novenas e orações, fatos estes presenciados pelo grande líder barrense Jarbas Teixeira Borges. Ela doou o terreno para a construção da Igreja e por ser muito devota de Santa Luzia, a Santa protetora dos olhos tornou-se a padroeira do lugar. Loteou e vendeu os terrenos a particulares. A primeira casa construída foi de Antônio Teixeira Borges.
                  Após a ponte sobre o Pirapetinga, na Fazenda da Cachoeira do Itabapoana, residiam o Senhor Manoel Vieira Seródio e Dona Maria Frias Seródio. Com o falecimento do casal, parte da Fazenda foi herdada pelo Senhor Oliveiro Seródio casado com D. Nenzinha, Maria José Teixeira Borges, progenitores do médico e festejado Poeta Dr. Ayrthon Borges Seródio. Foram eles os doadores do terreno para o Cemitério do hoje 7º Distrito de Bom Jesus do Itabapoana. 
                  Elias Moraes Borges, o Liá e sua esposa Morena, nossos primos e diletos padrinhos de casamento, acolhiam os tropeiros e carreiros com muita simpatia. Arranchavam-se em sua propriedade, onde soltavam os animais e pernoitavam. Os Borges movimentavam o povoado. Hamilton Borges teve uma Loja de Tecidos. O Djalma Borges, farmacêutico que atendia a toda a região,  ainda à noite, muito cortês, permanecia na Farmácia onde as famílias se reuniam para um dedo de prosa. Lembro-me do Bar do Francisco Teixeira Magalhães, parada certa do ônibus da minha querida Rosal, onde se saboreava picolés, refrigerantes e pastéis de queijo ou de palmito com carne moída, quentinhos, fritos na hora por sua esposa D. Geralda. Também ali foi sempre  ponto de encontro dos Borges, após o futebol, após as ladainhas ou quaisquer outros eventos. E eles digeriam ali os acontecimentos mais recentes.O primeiro Rádio também foi de um Borges. Chegou o rádio com a pilha maior que o próprio aparelho receptor e todos se reuniam na casa do Senhor Antuninho Borges para ouvir músicas, novelas, as divertidas propagandas e as notícias, até a pilha esquentar, porque quando esquentava começava a chiar acabando a festa.
                    Messias Borges Ribeiro, nascido em 1889, desde criança fazia manteiga na garrafa e assim fez por anos a fio. Com seu falecimento no ano de 1945 seus filhos continuaram fazendo a Manteiga Ribeiro. Em 1947, o filho mais novo Antônio José Borges, assumiu o negócio, adquirindo uma desnatadeira.  Com a criação da Cavil (Cooperativa Agrária Vale do Itabapoana), um de seus irmãos, o Francisco Borges dos Reis foi convidado para trabalhar na referida Cooperativa, confeccionando a manteiga da mesma forma que fazia na “Manteiga Ribeiro”, resultando no deliciosíssimo produto que até hoje faz tanto sucesso, tendo conquistado o prêmio de “Melhor Qualidade de Manteiga da América Latina” no ano de 1990. E não para por aí o dinamismo do Antônio, caçula da Malica. A Fábrica de Doces produzia doce de leite, goiabada, marmelada e mariola entre os anos de 1952 e 1958. O marmelo era fornecido por uma empresa de doces de Leopoldina que entregava a polpa em todo o norte fluminense. No período de 1952 a 1962 era ele, Antônio, quem fornecia a iluminação para a vila e moradores, através da Usina Santo Antônio. A energia era gerada pelo Córrego Pirapetinga. Em 1964, a Granja “A Carijó”, a todo vapor tinha entre pintos, frangos e galinhas, 1200 aves, produzindo em média 500 ovos por dia. A Barra ainda contava com uma Olaria com grande produção de tijolos e telhas. 
              O Folclore riquíssimo era destacado pelas Folias de Reis, pelo Caxambu, pelo Boi-Pintadinho e pelas Festas Juninas dos deliciosos pés de moleque, das broas, dos balões, busca-pés, das quadrilhas, do casamento do Jeca, com um bom sanfoneiro ao redor de grandes fogueiras. 
                 Os meios de transporte a princípio eram as tropas, cavalos, carroças, carros-de-bois e posteriormente a Viação G. Figueiredo & Cia, seguida da AutoViação Rosal, hoje a Empresa Viação Santo Antônio. 
                Para o belo artesanato, as linhas eram fiadas pelas próprias artesãs que enrolavam o algodão para fazer os fios, ou elas usavam o barbante que fechava os sacos de açúcar. E surgiam das mãos habilidosas as mais lindas pérolas, obras de arte em crochê, frivolité, tricô; além do bordado em richelieu, do fuxico, e das belíssimas colchas de retalhos.
           No futebol, a União Barrense, vasto acervo de craques que alegravam as tardes domingueiras. Fundada em 18 de agosto de 1916 por Joaquim Teixeira Borges e Manoel Bonifácio Alves, o Nenzinho Carreiro. Faz parte da Liga de Desportos de Bom Jesus. Tem sede própria e o terreno para sua construção foi doado pelo Dr. Francisco Ferreira de Moraes. Atualmente conta com o entusiasmo e eficiência do administrador Manoel Florêncio da Rosa, outro Nenzinho e do Embaixador dos Borges na Barra, o ex-vereador Jarbas Teixeira Borges.
                   Maria Cristina Borges, filha do saudoso “Antônio da Malica”, tem se movimentado organizando confraternizações entre os membros da Família e já é sucesso o “CAFÉ COM PARENTE” que vem robustecendo a união entre parentes e afins.
              Os Borges continuam movimentando a BARRA, assim como o nosso amado Município, logradouros diversos do  Brasil e até Portugal onde têm buscado novos parentes, desenrolando e resgatando a História da tradicional Família.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

OS BORGES E EU (Publicado no JORNAL "O NORTE FLUMINENSE" - 23 de abril de 2015)

OS BORGES E EU
                                                                                      Vera Maria Viana Borges
                 A História depositada no repositório fiel da memória, aflora em lembranças e podemos revivê-la em flashes de doces recordações. Celebrar o amor, a fraternidade, é sinal da Presença de Deus, sinal de carinho, fidelidade, renúncias e muitas alegrias por anos afora partilhando a graça e a beleza de se ter uma família, de sermos caminhantes de mãos dadas em busca de um mesmo destino. A minha ligação com os Borges aconteceu na infância quando Anacleto José Borges consorciando-se com D. Elzira em suas segundas núpcias, foi se estabelecer em Rosal, minha adorada terra. Muito simpático, tinha uma venda e se tornou amigo de todos da vila. Não me lembro dele lá, eu devia ser bem novinha mas diziam que ele sempre brincava: “eu tenho um neto que vou casar com esta menininha.” Depois, ele veio morar em Bom Jesus onde faleceu em 1953. Soube muito dele por minha mãe, que sempre fazia menção às suas histórias.
       Com dez anos, mudamo-nos para Bom Jesus. Visitamos o Calvário e posteriormente fomos ao Cemitério. Vendo a foto do Senhor Anacleto em um dos túmulos, mamãe parou para fazer orações por sua alma, e eu, curiosa subi na calçadinha à volta da sepultura de granito preto para ler o que se registrava na lápide, ao descer bati o joelho direito na quina da dita calçada o que ocasionou profundo corte. Ainda guardo a cicatriz, fui marcada ali pelos Borges. Não conhecíamos seus familiares. Quis o BOM DEUS nos aproximar e aos doze anos conheci José Roberto, neto do Senhor Anacleto. No soneto que segue, página 07 do meu livro “TRILHAS POÉTICAS”, narro a história do belo amor que nos uniu: Nós, aos doze e quinze anos, desde a infância,/Unimo-nos em bom, forte ideal,/Enamorados, firmes, com constância,/Julgamos nosso amor ser imortal./Do caminhar ficou suave fragrância/De rosas do mais belo roseiral,/Amamo-nos em toda circunstância,/Na calmaria e até no vendaval./O antigo afeto, bem aconchegante,/À proporção que o tempo foi passando,/Mais e mais nos unia a cada instante./Não haverá mortal que apaixonando/Possa amar a tal ponto que suplante,/O nosso amor que vai se renovando.
            Bolivar Teixeita Borges, meu sogro, austero homem de princípios, bom esposo, pai sensível, avô dedicado, amante de uma boa prosa, gostava de contar os casos de antanho, as histórias vividas na primeira quadra de sua vida. Relatava e eu ávida, ouvia atentamente, inclusive registrando em dezenas de páginas e até mesmo em gravações, que resultaram em parte do meu livro  intitulado “Das Brumas do Passado”. 
             Mergulhando nos vórtices do tempo deparamo-nos com os Borges oriundos de Portugal, aportando nas Terras de Santa Cruz, este Brasil alvissareiro e belo que tanto nos seduz. Fixaram-se em São Paulo, Minas Gerais e Goiás.  Francisco José Borges, o grande patriarca ficou em Uberaba-MG. Resolveu adquirir terras em Goiás e para lá se dirigiu com  agregados e pertences. A tropa viajava longas distâncias, cerca de 18 a 20 Km por dia. Após meses vislumbrou o encantado sonho, a chegada juntamente com a mulher e o único filho, Antônio José Borges. Cismado, começa a observar a região onde encontrou uma população “papuda”. Perguntou a um escravo o porquê de tantos “papos” e ele prontamente lhe respondeu: Nhonhô, aqui quem não tem papo é aleijado. Ele parecendo ver “papo” até nos paus, juntou a família com tropa e tudo e retornou  a Minas Gerais, desta feita, para a localidade de Dona Euzébia. Ficando viúvo, Francisco José Borges (com apenas um filho, Antônio José Borges,  chamado pelos íntimos de Borginho) contrai segundas núpcias com Anna Roza Teixeira (filha de Francisco Teixeira de Siqueira e D. Felicíssima) advinda de dois casamentos, tendo duas filhas do primeiro matrimônio e uma filha do segundo, Bárbara Roza Teixeira.
         Após o falecimento de Francisco Teixeira de Siqueira, pai de Anna Roza, ocorrido em 03 de dezembro de 1855, dez de seus quatorze filhos vieram aqui para  estas distantes plagas, atraídos pela fama das terras. Nessa época trouxeram as relíquias da Coroa do Divino Espírito Santo. Dentre eles estava o Patriarca Francisco José Borges e sua esposa Anna Roza Teixeira.Vendendo a Fazenda em Minas aqui chegaram em 1856, adquirindo terras do Alferes Francisco da Silva Pinto. Francisco José Borges instalou-se na Braúna, tomando posse de cerca de 2000 alqueires, compreendidos da Vertente do Arraial Novo, Serônia, Sacramento, Fazenda do Leite, atualmente Pavão, Braúna, até mais ou menos 100 metros após a Ponte da Lagartixa.
            Borginho, filho de Francisco estava com 15 anos e Bárbara filha de Anna Roza contava apenas 12 anos. Seus pais autorizaram o enlace das crianças Borginho e Bárbara, oferecendo-lhes o dote de 1000 alqueires, e o tão jovem casal veio para  a Barra do Pirapetinga. Os primeiros fazendeiros da Barra, Borginho e Barbinha, como eram carinhosamente chamados foram abençoados com os seguintes filhos: Messias Borges Ribeiro, Minervina Petronilha Borges, mais conhecida como Vivina,  Antônio Borges Ribeiro, Maria Borges Ribeiro, mais conhecida como Neném, Jovita Umbelina Teixeira, Francisco Borges Sobrinho, Tertuliano Borges Ribeiro e Lília Borges Ribeiro. Somente a Lília não deixou descendentes.
        A esta época Francisco José Borges tinha o filho Borginho do primeiro matrimônio e já mais dezoito filhos do segundo, sendo que dos dezoito, quatro, um homem e três mulheres casaram-se em Dona Euzébia. Com a morte da esposa Anna Roza, mais uma vez viúvo, inconformado e só, resolveu ir visitar os familiares em Minas Gerais. Indo a cavalo, cansado e sorumbático, ao passar por Patrocínio do Muriaé, viu uma donzela lavando roupas num córrego, aproximou-se e pediu-lhe água. Ela o convidou para entrar e serviu-lhe também um cafezinho. Conversaram e ato contínuo ele a pediu em casamento. Deixou o casório tratado para daí a trinta dias. Francisco José Borges e Maria Carolina Borges já vieram casados e desta união nasceram: Anacleto José Borges, Ernesto José Borges e Messias José Borges. Ao todo teve vinte e dois filhos. Parece que ele queria mesmo povoar a localidade. Seus filhos iam se casando e se multiplicando, os Borges foram formando novas famílias, agregando Reis, Teixeira, Magalhães, Alves, Viana, Moraes e uniram-se a muitas e muitas outras famílias continuando o ciclo da vida.
          Anacleto José Borges casou-se com Maria Leopoldina Teixeira aos 19 de fevereiro de 1886. Um de seus filhos, Bolivar Teixeira Borges no dia 22 de julho de 1933, desposou Leonor Alves Borges (cerimônia realizada pelo Padre José Jardim de São Pedro do Itabapoana, pois Padre Mello estava adoentado). Tiveram três filhos: Maria Apparecida, Eliézer e José Roberto. José Roberto e eu nos casamos em1970. Deus nos abençoou com Sávio, nosso dileto filho e com a querida netinha Helena.
             Os Borges foram construindo a história da Barra, uma Barra de gente simples, mas de famílias extremamente unidas, nas quais sempre reinou ambiente de princípios morais e religiosos muito sólidos, demonstrando nas atitudes boa formação e riqueza interior.

sexta-feira, 27 de março de 2015

PROGRESSO! PROGRESSO! (Publicado no Jornal O NORTE FLUMINENSE - 21 de março de 2015)

PROGRESSO! PROGRESSO!
                                                                                           Vera Maria Viana Borges

                            Há miudezas que povoam a nossa memória que são dignas de histórias grandiosas para os que as presenciaram, para os que vieram após nós e para os que ainda hão de vir: o nosso folclore riquíssimo, destacado pelas coloridíssimas Folias de Reis, pelo Boi-Pintadinho e pelas Festas Juninas dos deliciosos pés de moleque, das broas, dos balões, busca-pés, do Casamento do Jeca e das grandes fogueiras. No final da década de 50 e início dos anos 60, residi nas imediações da atual Rodoviária de Bom Jesus do Norte e pude viver momentos mágicos e magistrais nas festas juninas no Campo do ORDEM E PROGRESSO, sempre no Dia dos Namorados quando os casais apaixonados participavam de animadas Quadrilhas. Com meu acordeão toquei algumas delas e nosso amigo João Batista Assad Tavares, Diretor Comercial do Jornal “O NORTE FLUMINENSE”,  num daqueles inesquecíveis anos, foi o noivo do Casamento do Jeca. Tal é meu encantamento pelo município que lhe compus uma música cujo refrão aqui transcrevo: “Bom Jesus, terra boa, meu tudo,/ De céu lindo inundado de azul./ O seu nome tem "Norte" e contudo/ É uma estrela que brilha no Sul.” 
Honrou-me sobremaneira, anos após, por ocasião das comemorações alusivas ao nonagésimo aniversário, quando foi lançado o CD do Mais Querido, a solicitação do Presidente João Carlos de Campos Catharina, para que eu produzisse um texto narrando a História e as Glórias do referido Clube. Atendi prontamente e entre Pompas e Circunstâncias em noite de gala, no dia 06 de maio de 2004 foi narrado por Lisandro de Ferrão, como segue: Corria o ano de 1914! Enquanto na Europa era deflagrada a I Grande Guerra, época de grandes conflitos, no sul capixaba, seis jovens bonjesuenses, Antônio de Oliveira Borges, José de Oliveira Borges, José de Souza Firmo, José Cabeça Freire, Oswaldo Santos e Ótis Menezes, dotados de inteligência, cheios de sonhos considerados inatingíveis se uniam para fundar  uma associação  desportiva. Lançaram a semente! Para que germinasse havia necessidade de uma área para a prática do futebol. A ideia, porém, para que se torne proveitosa, deve converter-se em deliberação, vontade e execução. José de Souza Firmo, incumbiu-se de pedir ao Sr. Carlos de Figueiredo Firmo, seu progenitor, para que fosse cedido  terreno de sua propriedade para o funcionamento da novel instituição.  Atendendo ao pedido do filho, iniciou-se o trabalho para as primeiras instalações. Assim no dia 06 de maio de 1914  foi fundado o ORDEM E PROGRESSO FUTEBOL CLUBE e iniciadas as obras que modificadas ao longo dos anos se transformaram no ESTÁDIO CARLOS FIRMO, que recebeu o nome do doador do terreno.
Mal podemos conter a emoção de reviver os dias de nosso passado e as glórias desta Associação Desportiva da nossa Bom Jesus do Norte, nascida no Sul Capixaba, às margens do majestoso Itabapoana. Inúmeros foram os títulos conquistados. Em 1951/1952, sagrou-se BI VICE-CAMPEÃO DO ESTADO. Em 1957 foi Campeão da LIGA BONJESUENSE DE DESPORTOS. Em 1972 Campeão pela LIDEG- Liga Desportiva de Guaçuí. Em 1974 Campeão pela Liga Desportiva de Cachoeiro de Itapemirim (L.D.C.I). Em 1976/1977 BICAMPEÃO INVICTO- LIDEG. Em 1979 Campeão Incentivo da 1ª Divisão do Campeonato Capixaba. Em 1980 Campeão Invicto da Repescagem e Seletiva da 1ª Divisão Capixaba. Em 1989 Campeão do 1º Turno do Campeonato Capixaba. Em 1993 Campeão do II Quadrangular Interestadual.  Em 2001 Campeão do Campeonato SULINO Espírito-Santense. Em 1952, o ORDEM E PROGRESSO foi chamado carinhosamente “CANARINHO” pela imprensa de Vitória. Em pesquisa feita pela Rádio Bom Jesus e Jornal “O NORTE FLUMINENSE” em 17  de outubro de 1957   foi considerado “O MAIS QUERIDO” da região, com esmagadora vitória sobre os demais Clubes do Vale do Itabapoana.
Bem valerá uma volta  ao passado para trazer aqui aquelas figuras que construíram a grandeza de nosso presente, aqueles que elaboraram nossa tabela de valores no dia a dia do nosso querido ORDEM E PROGRESSO. Além do Show de bola no pé, vem se modernizando através da Escolinha que transmite processos táticos em aulas teóricas para o ensaio de jogadas, preparando o tracejamento da evolução de ataques. Bons técnicos sempre mantiveram o Clube em forma. Por vários anos Desfiles Alegóricos de raríssima beleza abrilhantaram as festas das nossas duas tão amadas BOM JESUS. Em 15 de agosto de 1959, conquistou o TROFÉU GOVERNADOR ROBERTO SILVEIRA. As Rainhas do Clube! Tempo do samba-canção e dos boleros, dois passos para lá, dois para cá; rumbas, mambos... Nos bailes de Coroação, as mais encantadoras Valsas, fazendo com que rainhas, princesas e seus pares rodopiassem em belos e diáfanos trajes pelo salão. Eram promovidas FESTAS CIGANAS e a cada ano a tradicionalíssima FESTA JUNINA, sempre no DIA DOS NAMORADOS.
O  PROGRESSO não foi. Até porque o seu passado de glória reside exatamente no fato de ter-se projetado para o futuro aquele passado. Cultuando o PROGRESSO de agora, estamos a reviver a sua própria História e damo-nos por pagos, por satisfeitos por termos feito deste CLUBE, a menina dos olhos do povo bonjesuense. Exaltamos as torcidas organizadas que tanto vigor emprestaram e emprestam aos nossos atletas pelos espetáculos vibrantes nos mais variados estádios e logradouros. Nossa gratidão, nossa ternura, nossa saudade aos baluartes e gigantes que não mediram esforços para o engrandecimento do ESPORTE em nosso Município. Honra ao Mérito aos atletas, dirigentes, associados, torcedores, ao Poder Público, ao Comércio das duas Bom Jesus que têm dado sustentação para a realização de todos os Eventos. Honra ao Mérito aos destemidos jovens, idealizadores que se associaram na realização desta obra histórica. Honra, mil vezes honra, a todos os que com garra e bravura superando dificuldades sem conta garantiram os desempenhos deste Clube ao longo destes anos. 
Nesta festa de lançamento do HINO do ORDEM E PROGRESSO FUTEBOL CLUBE em CD, vibra a alma bonjesuense que evoca a memória dos seus autores: CLÓVIS BRANDÃO e OCTACÍLIO DE AQUINO. “ORDEM E PROGRESSO FUTEBOL CLUBE”, vasto acervo de craques que lhe enalteceram e enaltecem as cores esportivas: VERDE E AMARELO que tremulavam e tremulam em bandeiras agitadas por animadas torcidas, ao som de: “Avante! Avante!/ Obreiros do sucesso!/ A alegria das glórias nos cante:/  Progresso! Progresso!”
Certamente, muitos e muitos outros títulos já foram conquistados. Após o festejado CENTENÁRIO, aplausos ao POLACA (João Carlos de Campos Catharina) com uma afirmação de apreço, pelo dinamismo e pela grande obra que tem levado a cabo nesta importante agremiação.

“MAS QUE CALOR, Ô Ô Ô Ô Ô Ô!” (Publicado no Jornal O NORTE FLUMINENSE - 12 de fevereiro de 2015)

“MAS QUE CALOR, Ô Ô Ô  Ô Ô Ô!”
                                                                                                 Vera Maria Viana Borges
               
                       “Mas que calor, ô ô ô ô ô ô/ Atravessamos o deserto do Saara/ O sol estava quente/ Queimou a nossa cara/ Allah-la-ô, ô ô ô ô ô ô...” Esta Marchinha carnavalesca ainda continua pertinente nos dias de hoje. Que calor é este que invadiu a terra? Calorão intenso, nunca vi um verão tão abrasador, a água saindo com elevada temperatura nas torneiras. Enfrentamos um dos verões mais quentes. A impressão que temos é que o SOL se enamorou da TERRA, aproximou-se tanto para beijá-la e perdidamente apaixonado não quis saber de voltar. A chuva se escafedeu, sumiu, desapareceu. A seca no sudeste é uma realidade assustadora que atinge milhões de pessoas. É de arrepiar! Os níveis dos reservatórios e das represas baixando vertiginosamente. São cenas dolorosas que presenciamos. Vemos nossos rios agonizando. Acredito que esta seja a seca mais intensa dos últimos cem anos em nossa região. Triste realidade!
                 O Carnaval da década de 50 ficou na história devido à quantidade de marchinhas que denunciavam mazelas sociais e políticas, situações de escassez, de privação do necessário por que passavam as classes menos favorecidas. A irreverência das letras nos ataques aos políticos, nas críticas aos péssimos serviços públicos era saboreada nos bem elaborados versos cadenciados em esfuziante e animado ritmo. Mas as dificuldades não são coisas do passado, percebemos que após tantas décadas elas se repetem e se agravam. A questão hídrica é mais grave do que imaginamos e as referidas marchinhas continuam mais atuais do que nunca e muito mais relevantes ao longo dos anos. Com o agravamento da mais recente crise hídrica, em pleno século XXI, mais precisamente em 2015 o apelo continua o mesmo e mais uma vez a marchinha VAGALUME de Victor Simon e Fernando Martins poderá embalar os foliões brasileiros: “ Rio de Janeiro/ Cidade que nos seduz/ / De dia falta água/ De noite falta luz./ Abro o chuveiro/ Oi, Não cai um pingo Desde Segunda/ Até Domingo/ Eu vou pro mato/ Oi, pro mato eu vou/ Vou buscar um vagalume/ Pra dar luz ao meu chatô." Também muito popular a composição “Tomara que Chova”, de Paquito e Romeu Gentil: “Tomara que chova/ três dias sem parar/ A minha grande mágoa/ É lá em casa não ter água/ Eu preciso me lavar.” Lembro-me também da campeã do Carnaval de 1952, na voz da grande cantora Marlene, LATA D’ÁGUA composição de Luís Antônio e Jota Júnior: “Lata d'água na cabeça/ Lá vai Maria, lá vai Maria/ Sobe o morro e não se cansa/ Pela mão leva a criança/Lá vai Maria. / Maria lava roupa lá no alto/ Lutando pelo pão de cada dia/ Sonhando com a vida do asfalto/ Que acaba onde o morro principia.”
               A estiagem que atinge a nossa região é tão vertiginosa que nos faz lembrar o Gonzagão com a imortal  “ASA BRANCA”, composição de Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga, canção que teve como tema a seca no nordeste brasileiro e chegou a ser tão intensa, a ponto de fazer migrar até mesmo a ave “asa-branca” (Patagioenas picazuro, uma espécie de pombo também conhecido como pomba-pedrês ou pomba-trocaz). A seca obrigou, também, um rapaz a mudar da região. Ao fazê-lo, ele promete voltar um dia para os braços do seu amor.  É a saga de um povo sofrido. Aqui no sudeste os nossos rios estão muito abaixo do nível normal, tomados por bancos de areia, as cachoeiras secando, um prejuízo imensurável no campo, com lavouras perdidas, o gado magro e muitas e muitas cabeças já mortas. Peçamos com Fé a Deus que nos mande uma chuva boa e promissora para que voltem as nascentes e que as águas cresçam porque água é fonte de vida, é fonte de energia, consequentemente fonte de luz. Água e luz são bens indispensáveis. Sem energia é muito difícil mas ainda se sobrevive, mas sem a água torna-se impossível. Eu era bem pequenina, lá em Rosal, quando havia seca, o povo subia o morro do cruzeiro em procissão rogando ao Pai do Céu que mandasse a chuva e muitos levavam vasilhas com água para jogar aos pés da CRUZ. Lembro-me vagamente de um dos cânticos: “São Sebastião Glorioso/ Que mora na beira do mar/ Levanta a Bandeira pra cima/ Deixa a água derramar.” É a religiosidade do povo brasileiro. E a chuva vinha. Creio no PODER DE DEUS e neste momento crucial só Ele poderá nos valer. A história se repete, no Facebook,  no dia 15 de janeiro a jovem senhora Fabiana Morais, musicista, pessoa de grande sensibilidade, extremosa esposa e dedicada mãe, nora de uma outra grande mulher rosalense a inesquecível Professora Ana Glória, convoca para novena pedindo chuva como segue na íntegra: “Estamos passando por um momento delicado em nossa região: A FALTA DE CHUVA! O quadro atual é altamente preocupante, não há previsão de chuvas! Por isso começamos hoje, em Rosal, uma peregrinação ao cruzeiro, onde rezaremos o terço, a novena e orações. Convidamos a todos para que venham participar conosco, pois para Deus nada é impossível e nós cremos NELE! Também Nikolai CP, outro querido amigo do FACE postou suplicando: “Deus, nosso Pai, Senhor do Céu e da Terra,Tu és para nós existência, energia e vida. Faça cair do céu sobre a terra árida a chuva desejada a fim de que renasçam os frutos e sejam salvos homens e animais.” Vamos implorar como aquela viúva do Evangelho, vamos pedir, pedir, pedir pois ELE mesmo nos afirma: “Pedi e recebereis; buscai e achareis; batei e abrir-se-vos-á. Pois todo aquele que pede, recebe; quem procura, acha; e a quem bate, a porta será aberta" (Mateus 7 : 7)
                  Estamos sem virador, em outros tempos podíamos correr para as praias em busca das brisas do mar, mas para todo lado tem racionamento d’água e neste caso o melhor é obedecer ao dito popular: “Boa romaria faz quem em sua casa fica em paz.”
           Que a chuva venha e possa suprir todas as nossas necessidades, necessidades estas não só para nossa sobrevivência pessoal, mas para a sobrevivência de toda a humanidade. Com os reservatórios voltando à normalidade vamos unir forças para um melhor gerenciamento dos recursos naturais, incluindo o desperdício e a elaboração de normas que assegurem a preservação da água, com o fim de assegurar a todos este bem tão necessário e garanti-lo às gerações que ainda hão de vir.
                  Tombem as chuvas purificando os ares, trazendo novo ânimo para toda a criação.
                  O Tríduo de Momo seja alegre, animado divertido e feliz. 
                  BOM CARNAVAL!!!