terça-feira, 15 de janeiro de 2019
A ALEGRIA DO NATAL (Publicado no Jornal O NORTE FLUMINENSE - 19 de dezembro de 2018)
A ALEGRIA DO NATAL
Vera Maria Viana Borges
No casto seio de MARIA encarnou-se o Verbo Divino. “E ela deu à luz seu filho primogênito e o envolveu em panos e o deitou numa manjedoura” (Lucas 2,7). Quanta alegria MARIA deve ter sentido ao contemplar o rostinho de seu filho JESUS! Nós, que somos mães podemos avaliar seus sentimentos e suas emoções. Ela que O trazia em seu virginal ventre e já O amava intensamente, agora O tinha em seus braços. Naquela estrebaria, sem o mínimo conforto, o MENINO DEUS, foi colocado num tabuleiro, onde se punha comida para os animais, apenas coberto com palhas. Isto foi o que Lhe serviu de berço. Quanto aprendizado extraído deste cenário do Natal! Jesus, Maria e José, a SAGRADA FAMÍLIA, na simplicidade e humildade, aceitando a Vontade e os Planos de Deus.
Já pelo segundo ano consecutivo, sigo com devoção a “Novena da Anunciação ao Nascimento de Jesus” do Padre Luís Erlin, CMF, da Editora AVE-MARIA . São nove meses acompanhando a gravidez da Mãe de Jesus, nove meses de espera e de profunda oração que divido com os meus amigos do Facebook. E são inúmeros seguidores, que unidos em coração e espírito vivem com ELA suas alegrias e angústias, medos e ansiedade pela chegada do FILHO que está por nascer. Iniciamos no dia 25 de março e a cada dia vamos gestando JESUS nos nossos âmagos, no mais íntimo de nossas almas exercitando a capacidade da espera, na esperança, na caridade e na fé. O grande exemplo desta caminhada é o do justo José, presença essencial que sobressai na vida de Maria e de seu Filho ainda no ventre
Revela-nos o autor que a inspiração do livro veio de sua progenitora que lhe ensinou esta devoção. Todos os anos por ocasião do Natal ela dizia: “Hoje eu termino os nove meses de caminhada com Maria”. O livro apesar de ser a proposta para uma novena, também poderá ser lido como narrativa, sem a necessidade de ater-se ao devocional novenário. Em cada dia, nos apresenta um versículo, um pensamento bíblico para que se encha de LUZ a reflexão. Segue-se uma espécie de “diário de Nossa Senhora grávida”, como se ela própria relatasse diariamente a sua experiência nos 276 dias de sua gestação, terminando sempre com uma frase que encerra um conceito moral, ou tema que dá matéria para refletir, com indicação de bem viver.
As narrativas são muito emocionantes, Ele se fez carne e habitou entre nós, sentia as dores que sentíamos e sua Mãe teve como nós, tudo o que sofremos na gravidez, mesmo estando ela gerando o REI dos REIS, o SENHOR dos SENHORES, foram os mesmos padecimentos, tristezas e alegrias. Um tempo de preparação e de espera.
Aleatoriamente escolhi alguns trechos da saga de Maria, José e Humilde, nome dado ao burrinho que lhes fora presenteado no decorrer da História: Aos dezoito de dezembro ela nos narra: “Enquanto seguimos pelo deserto, senti fortes contrações, cheguei a pensar que eu tinha entrado em trabalho de parto. Mas foi só um susto, depois de um tempo, parada e respirando fundo, as dores passaram. Fiquei bastante apreensiva de Jesus nascer no meio dessa região tão sem vida. Preocupado, porém, ficou José, ele não sabia o que fazer. Depois que os ânimos se acalmaram, seguimos nosso caminho. No final da tarde encontramos uma gruta não muito profunda, que nos garantiu proteção contra o forte vento que fez esta noite. Quem determina é Deus, nossa função é cumprir”. O dia dezenove foi iniciado com a seguinte reflexão: Levanta-te e come porque tens um longo caminho a percorrer (1Reis 19,7b). E Maria nos revela: “Hoje conseguimos adiantar bastante nossa trajetória, tive ainda algumas contrações, mas resisti com força, pois sabia que não podíamos perder tempo. Pobre José, ele deve estar exausto. Eu bem sei que, quando caminhamos em nosso ritmo normal, não nos cansamos tanto; porém, quando temos que andar contando os passos, o esgotamento físico é maior. Ele está com o rosto todo queimado, seus pés também estão cheios de bolhas. Apesar de todo esse sofrimento, ele só pensa em meu bem-estar. Esteja do lado de quem precisa de você. O esgotamento pelo serviço prestado se transforma em alegria de ter sido útil”. No dia 24: Estava grávida e gritava de dores, sentindo as angústias de dar à luz (Apocalipse 12,2). “Não tive forças para buscar um lugar digno para Jesus nascer. José, com medo de me deixar sozinha, ficou comigo todo tempo. Na tarde deste dia começaram as fortes contrações, a bolsa estourou e eu sabia que a hora de Jesus nascer havia chegado. Senti uma mistura de sentimentos, algo que não consigo explicar, porém o que eu sentia mais forte era uma grande força, uma coragem. Eu havia esquecido a dificuldade da viagem, a precariedade do lugar em que estávamos, todos os sofrimentos. A única coisa naquele momento que importava era a alegria de saber que em poucas horas a promessa de Deus estaria em meus braços. José esteve todo o tempo comigo segurando a minha mão. Deixe nascer em você hoje o desejo de perdoar, faça deste Natal algo que mude sua vida” . Eis que se completa o tempo no dia 25: E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade (João 1, 14). “Nas primeiras horas desta madrugada, Jesus veio ao mundo. Não tenho palavras para expressar o que eu senti. Assim que ele nasceu olhei para o seu rostinho e uma grande emoção tomou conta de mim: chorei e agradeci a bondade do Senhor. Jesus é uma criança linda. Em seguida, José, todo emocionado, enrolou no menino o manto que eu havia feito e deitou-o em meu colo. Eu tinha vontade de gritar ao mundo a alegria que me envolvia. Depois de um tempo, José transformou a manjedoura em um tipo de bercinho e ali reclinamos o menino, que dormia enquanto o vigiávamos. Humilde e os outros animais se aproximaram e pareciam festejar conosco. Noite santa, noite bela. A palavra de Deus se fez carne. O Emanuel habita em nós. Para finalizar, a dica para se bem viver um SANTO NATAL: Hoje somos convidados a ser José e Maria e a afagarmos o Menino que chega para alegrar nossas vidas.
Como remate, deixo-lhes o meu soneto DEIXE CRISTO RENASCER!//Estando para dar à luz, Maria,/ Com José em viagem tão penosa,/ Sem hospedagem, numa noite fria,/ Reclina em gruta, a Virgem piedosa.// O SALVADOR nasceu na estrebaria,/ Belém foi a cidade venturosa./ Animais bafejando com alegria,/ Aquecem a criança tão formosa.// Quiçá quisesse assim nascer tão pobre,/ Para ensinar lição imorredoura/ De que o humilde talvez seja o mais nobre.// Acolha o DEUS MENINO no teu ser,/ Seja o teu coração, a manjedoura,/Deixe em teu peito CRISTO renascer!
Na singeleza do presépio em Belém nasceu JESUS, o Menino Deus, trazendo a LUZ, o AMOR, a COMPAIXÃO, a PAZ e a ESPERANÇA da SALVAÇÃO. Que Ele transforme nossos corações plenificando-os de FÉ e CARIDADE e nos dê a graça de estarmos sempre unidos a ELE. Que haja menos “papai noel” e mais “Papai do Céu”. Seja JESUS o centro, a razão do nosso Natal. BOAS FESTAS! FELIZ NATAL e que o NOVO ANO seja repleto de saúde, paz, alegrias e muitas realizações!
AÇÃO DE GRAÇAS (Publicado no Jornal O NORTE FLUMINENSE - 29 de novembro de 2018)
AÇÃO DE GRAÇAS
Vera Maria Viana Borges
O Tempo não para (não é fake, é fato) e ele está indo rápido demais, célere ele corre. E, sabe quando ele vai parar? No dia de São Nunca! São Nunca é aquele santo fictício, utilizado na expressão que é uma locução adverbial de tempo, muito usada quando alguém quer se referir a um acontecimento que é impossível acontecer, assim como “quando os porcos voarem”, “quando as galinhas tiverem dentes” ou “nem que a vaca tussa”. Poderíamos atribuir o “seu dia” ao PRIMEIRO DE NOVEMBRO quando se celebra o Dia de Todos os Santos. Ágil, desenvolto ele segue como nos revelam os belos versos da linda canção “Trem-bala”, da cantora e compositora brasileira Ana Vilela. A música é considerada um verdadeiro fenômeno da internet e foi regravada por várias personalidades de grande visibilidade, como Luan Santana, Padre Fábio de Melo e outros. Ana Vilela assim finaliza a sua esplêndida poesia: “Segura teu filho no colo/ Sorria e abrace teus pais/ Enquanto estão aqui/ Que a vida é trem-bala, parceiro/ E a gente é só passageiro prestes a partir.” Não sabemos a hora e é por isso que a Bíblia nos instrui: “Vigiai e permanecei firmes na fé! (1 Coríntios 16,13)
Ninguém fica para semente. Triste realidade! Novembro inicia com TODOS OS SANTOS e no segundo dia lembramos os nossos falecidos. O fato é que nascemos e temos tempo de validade. Com o nascimento começa a viagem com destino ao fim. E ainda há os apressados que ficam ansiosos para que cheguem os Feriados, o Natal e as Férias. O melhor é saborear cada dia, sem pressa, curtir o grande presente de Deus que é a VIDA, porque cada minuto vivido é menos um na contabilidade de Deus, pois se morre a cada segundo que passa. A comemoração de Finados leva milhares de pessoas aos Cemitérios que vão chorar a saudade de familiares e amigos que partiram há muito ou recentemente e outros vão recordar e prestar homenagem aos mortos e rezar por eles. A oração estimula nossa união àqueles que já estão na eternidade e a fé na RESSUREIÇÃO é fortalecida. A vida, a morte e a ressurreição de Jesus são as provas mais expressivas desse episódio. A meta principal de nossa vida não é simplesmente caminhar para a morte, pois a maior certeza é que do pó viemos e ao pó voltaremos, mas buscamos o Caminho, a Verdade e a Vida, caminhamos rumo à plenitude. O mais sensato é viver na fé e no amor pois nossa meta de vida é a Ressurreição com Cristo. Falando de novo em “TEMPO” vejo que nele há um tanto de ETERNIDADE e no que se finda, no FINITO, há outro tanto de INFINITO. Mesmo após compreendermos todo este processo, sabendo que isto aqui é apenas uma passagem, perdemos tanto tempo com picuinhas, com bobagens e com coisas insignificantes. No futuro quando olharmos para trás, lá terá ido a vida inteira, queiramos ou não. Sejamos mais moderados porque as atitudes são mais importante que os fatos. Há um pensamento do qual desconheço o autor que diz: “Qualquer fato que enfrentamos, por mais penoso que seja, mesmo que pareça irremediável, não será importante como nossas atitudes para com ele. Por outro lado a oração e a fé podem modificar ou dominar inteiramente um fato”.
Maravilhoso mesmo é curtir os melhores momentos e ser feliz. Vivamos cercados apenas de pessoas positivas, fazendo tudo aquilo que nos faz sorrir, buscando a felicidade que vem do Altíssimo. E nossa palavra de ordem seja: GRATIDÃO! O sentimento de gratidão é muito belo. É felicíssimo quem consegue dizer de coração aberto “obrigado, muito obrigado”. Agradecer pelo que somos, filhos de Deus tão amados, amados também por nossos familiares e amigos. Agradecer até mesmo as mais simples coisas. Quem é capaz de distribuir sorrisos, estender a mão, demostrar afeto, proferir palavras amáveis é feliz, receberá o sentimento de gratidão de muitas pessoas formando uma corrente do bem que produzirá felicidade, fazendo com que o meio em que vivemos seja esplendoroso e deslumbrante.
Façamos o bem, enquanto há tempo. Rendamos louvores e graças por tudo que TEMOS e principalmente pelo que SOMOS.
AÇÃO DE GRAÇAS
Vera Maria Viana BorgesPela vida, saúde, inteligência,
Pelo corpo saudável, por falar,
Por enxergar, andar, pela ciência,
Por aborrecimentos, por amar.
Pela fraqueza e angústia, por prudência,
Por planos arrojados, por pensar.
Pelo Teu Reino e Tua Complacência
E possibilidade de sonhar.
Pela água, pelo pão, pelo agasalho,
Pela casa, pais, filhos, pelo irmão,
Por tudo que nos dás, pelo trabalho.
Pelas mãos que semeiam com ardor!
Postas, rendem-Te graças, oração
Agradecendo a Ti, ternura e amor.
sexta-feira, 9 de novembro de 2018
MÉDICOS DE HOMENS E DE ALMAS (Publicado no Jornal O NORTE FLUMINENSE - 31 de outubro de 2018)
MÉDICOS DE HOMENS E DE ALMAS
Vera Maria Viana Borges
Dezoito de outubro, Dia de São Lucas e Dia do Médico.
Os médicos que cuidam de nós fazem parte de nossa vida como se fossem de nossa família. Aos sacerdotes apenas confidenciamos as questões de nossas almas mas a eles revelamos os problemas do corpo e da alma. Abrimos para eles as portas de nossos lares, entregamos as nossas queixas e os nossos padecimentos, assim como os dos que nos são caros, e eles com a Ciência, com discrição plena, com dedicação ímpar, proficiência, finura de trato, mitigam as nossas dores. Amigo das horas difíceis que com carinho e desvelo assiste na hora angustiosa da enfermidade.
Lucas nasceu em Antioquia da Síria e era médico de profissão. Estava muito bem preparado na ciência do seu tempo e conhecia bem a língua e literatura gregas. São Lucas, Lucas ou simplesmente Lucano autor de um dos quatro Evangelhos da Bíblia e também dos Atos dos Apóstolos foi o único apóstolo que não era judeu, nunca viu Cristo e tudo o que está escrito em seu Evangelho foi adquirido por meio de pesquisas e do testemunho da mãe de Cristo, dos discípulos e dos apóstolos. Ele nos fala através de seus escritos da “Mansidão de Cristo”.
“Médicos de Homens e de Almas” conta a história de São Lucas, é um livro cativante e emocionante, é uma leitura fantástica! A célebre autora Taylor Caldwell revela que o escreveu durante quarenta e seis anos e afirma “este livro trata de Nosso Senhor apenas indiretamente. Não há romance nem livro histórico que possa transmitir a história de Sua Vida tão bem quanto a Santa Bíblia”. A vida do apóstolo São Lucas é muito interessante, é um verdadeiro exemplo de fé, força e coragem. Vale a pena viajar na narrativa bem elaborada, rica em detalhes. Sou apaixonada por esta obra, recomendo a leitura; eu particularmente, já fiz várias releituras.
Momento de muita emoção que merece ser lembrado é o encontro de Lucano com o seu irmão Prisco, o soldado romano que recebeu a incumbência da crucificação de Jesus. Os oficiais de Prisco viram-no desconcertado perante tamanha corvadia. Viam o seu desespero, os seus olhos apavorados, a sua expressão tensa e sua ansiedade, enquanto aguardavam a sua decisão. Olhando para o prisioneiro, vendo o seu absoluto sofrimento, exclamou: Vamos acabar com isto em nome dos deuses! Pediu que lhe trouxessem o vinho, a taça e também ópio, desejando suavizar a dor do condenado. Gaguejando pediu-lhe que bebesse. Jesus sacudiu a cabeça em negativa, mas olhou-o com gratidão, com olhar suave da mais incrível delicadeza e bondade, assim, Prisco sentiu-se ainda mais aterrorizado. Lançou seu olhar para a cruz do meio com olhos desolados e viu uma única luz na escuridão, enquanto ouvia um jovem oficial dizer com voz trêmula: “Na verdade este homem era um justo!” Prostraram-se de joelhos implorando aos seus deuses auxílio e salvação. Uma enorme náusea tomou conta de Prisco e ele se entregou ao remorso, ficou gravemente enfermo e em fase terminal, relata toda a sua história para o seu irmão Lucano, o magnânimo médico de homens e de almas. Aflito ele repetia que ficou muito doente e estonteado, que a dor começou no estômago e que ELE o condenou à morte pela parte que tomou em Sua execução. Não, exclamou Lucano, como poderia Deus condenar-te? Ele te amou! Falaste do Seu olhar compassivo, Ele deseja que te aproximes mais, que repouses em Seu coração, e que sejas um com Ele. Ouve, eu te digo que Ele te ama, e que está sempre contigo!”. Ao narrar, Prisco sentia-se muito cansado. Sua alma sentiu-se aliviada após a narrativa e ele adormeceu enquanto seu irmão juntou as mãos e proferiu longa, sentida e bela oração, que terminou assim: “ ...Tem piedade de meu pobre irmão a quem foi ortogado o mérito de ver-te em nossa carne. Ele Te ama e Te conhece. Dá-lhe paz, dá-lhe alívio para suas dores. Se ele tem de morrer, concede-lhe, então, morte tranquila, sem mais angústia. Não és Tu compassível para com seus filhos? Chamam eles por Ti em vão? Não, jamais eles chamam por Ti sem Teu auxílio e Teu consolo! Aqui está meu irmão, que Te ama. Sê misericordioso para com ele, e conduze-o para Ti”. Ao sair do quarto os que o aguardavam na sala de jantar espantaram-se e fixaram os olhos nele que brilhava como a lua e exclamou: “Meu irmão conheceu Deus e O viu crucificado e é abençoado por isso!”. Dois médicos que o assistiam ficaram perplexos com sua cura. Muito depois de todos dormirem, Lucano escrevia o seu Evangelho da Crucifixão.
Seu encontro com Maria Santíssima é o ápice dos acontecimentos, acontece nas últimas páginas e é o momento mais comovente. Ela fala detalhes desde a Anunciação do Anjo, da visita à sua prima Isabel, da origem do canto Magnificat, de fatos da infância de Jesus, do amor de seu esposo José pelo Menino, dos brinquedos que ele lhe fazia, e do encontro de Jesus com o anjo do mal, presenciado por Ela. Uma particularidade do Evangelho de São Lucas é o seu amor pela Virgem Maria, nele sobressai o tema mariano. Por isso foi chamado de “Pintor de Maria”, não apenas porque A pintou em tela, mas porque a pintou maravilhosamente no seu Evangelho.
Ó São Lucas, glorioso Apóstolo e Evangelista, alcançai-nos a graça de seguir com fidelidade a JESUS que é o Caminho, a Verdade e a Vida. Ó bom e santo médico, que com santas mãos invocando o nome do Senhor, curastes tantos enfermos de tão graves enfermidades, do corpo e da alma, segundo a vontade de Deus, intercedei por nós, por todos os MÉDICOS, para a maior glória, por toda a eternidade. Amém.
sexta-feira, 28 de setembro de 2018
DIAS MELHORES HÃO DE VIR (Publicado no Jornal o""O NORTE FLUMINENSE" - 28 de setembro de 2018)
DIAS MELHORES HÃO DE VIR
Vera Maria Viana Borges
É outra vez PRIMAVERA! Tudo passa muito rápido, o tempo é implacável. Dias, noites, anos, horas, minutos e segundos se sucedem. Os pássaros se animam. Ocorre o florescimento de várias plantas. A temperatura vai aumentando e fica mais amena. A natureza se enfeita tornando-se ainda mais bela com coloridas e perfumadas flores. Rosas, girassóis, margaridas, orquídeas, jasmins, hortênsias, helicônias, alamandas, gérberas, hibiscos, lágrimas-de-cristo, bocas-de-leão, crisântemos, violetas, damas-da-noite e outras, prosperam abundantemente. O cenário é tão belo que nos extasia, nos enleva e nos coloca em sintonia com o Universo. Nasci em meio a encantáveis flores, na terra das mais belas rosas.
Na sucessão dos dias e das noites, quatro anos se foram e vemo-nos em plena campanha eleitoral. Fecho os olhos e me sinto criança. Mergulho-me na política rosalense. Em 1950 Getúlio Vargas se apresenta como candidato à Presidência pelo PTB, juntamente com Eduardo Gomes (UDN), Cristiano Machado (PSD) e João Mangabeira (PSB). Apoiado também pelo Partido Social Progressista chefiado pelo paulista Ademar de Barros é eleito para o mandato que deveria se estender até 31 de janeiro de 1956, mas foi violentamente interrompido no fatídico 24 de agosto de 1954, com o suicídio do presidente. O rádio mais uma vez nos trazia as notícias. Ficara impressionada com o episódio! No meio da cozinha, atônita, aos seis anos, perplexa, prestava atenção à notícia...
A política falava “alto” no coração de nossa gente. Tínhamos representantes no legislativo: Abílio de Sá Viana, Carlos Brambila e um outro filho, Gauthier Pontes Figueiredo, rosalense de garra, vereador de 1947 a 1950, com tão vibrante atuação que em 1950 em pleito renhido se elegera prefeito passando a conduzir os destinos do município, tendo sido o segundo prefeito eleito, sucessor do Coronel Alfredo Ribeiro Portugal.
Como vibrava o povo rosalense mediante todos estes fatos. “Cabos eleitorais” arregimentavam eleitores, os chamados eleitores de cabresto, para quem executavam permanentes tarefas como registro de filhos, ou outros favores quaisquer. (Capitão Anselmo Nunes) X (Gauthier) X (Abílio Sá Viana). (PSD) X (PTB). Eram acirradas lutas, com discussões, discórdias, disse-me-disse, escutas telefônicas (havia em três fazendas e em dois pontos comerciais na Vila, aqueles telefones antigos de parede), discursos inflamados, boca-de-urna e foguetes. Muito comum após os resultados, ao término das apurações, os mais exaltados soltarem fogos nos telhados, defronte às residências ou até mesmo embaixo dos bancos da praça, ou onde se encontrassem adversários. Depois de tudo passado, tudo voltava naturalmente ao normal e o povo simpático, amigo, hospitaleiro e acolhedor se irmanava unindo forças para a conquista de melhores dias para a amada terra. Anos dourados aqueles! Uma saudade imensa dói, corrói o peito e em remígeo, num suave devaneio, das doces lembranças que me invadem a alma, surgem-me estas reminiscências.
Hoje estupefata, quase sem ação, vejo o Brasil mergulhado no caos, em momento delicado, doloroso e difícil. Atravessamos tempestuosos momentos em que somos arrastados por uma política repugnante, repleta de atropelos, num país cheio de incertezas, onde vigora miséria, mentira, roubo, licenciosidade, crime, corrupção e violência. A este tipo de política, eu chamo de politicagem, mesquinha, estreita, de interesses pessoais formada por um conjunto de políticos inescrupulosos e desonestos, salvo poucas exceções. Já foi dito por Rui Barbosa: “Política e politicalha não se confundem, não se parecem, não se relacionam uma com a outra. Antes se negam, se repulsam mutuamente. A política é a higiene dos países moralmente sadios. A politicalha, a malária dos povos de moralidade estragada.”
Tempo de desentedimentos por divergências que acabam se sobrepondo a relações de amizades, profissionais e familiares. As posições divergentes tornam-se embaraço ao convívio harmonioso entre as pessoas. Afinal, valerá a pena se colocar em defesa de uma posição política em detrimento de uma amizade? Essas picuinhas valem muito menos do que o respeito e estima de amigos sinceros e leais.
A política sem dúvida é uma arte difícil. Exige qualidades incomuns de coragem, abnegação, descortínio e CARÁTER. É uma necessidade e deveria ser baseada em harmonia, respeito e bem estar social. A politicagem é a pretensão de se levar vantagem, menosprezando o bem-estar comum e os deveres e obrigações para com o próximo. Hoje em dia, com políticos censurados, condenados e desvirtuados fica difícil a escolha. As intenções dos homens são medidas pelos seus atos e não encontramos um nome aureolado de respeito e acatamento para que de olhos fechados possamos dar o nosso voto, sendo assim, precisamos da Luz Divina para decidirmos. Estejamos cientes que a votação não pode ser arbitrária, existem questões erradas e não podemos votar em candidatos que se propõem a promovê-las. Lembremo-nos, é bíblico e está em PROVÉRBIOS 29, 2: Quando dominam os justos, alegra-se o povo; quando governa o ímpio, o povo geme.” (Leia mais em: https://www.bibliacatolica.com.br/biblia-ave-maria/proverbios/29/). Procuremos escolher o melhor para o BRASIL para que seja sempre honrada a inscrição “ORDEM E PROGRESSO” estampada em nossa BANDEIRA que jamais poderá ser maculada por interesses subalternos. Exerçamos o nosso direito de cidadão com dignidade e firmeza, buscando sempre uma PÁTRIA livre, amada e feliz onde se possa viver o AMOR em sua plenitude. Viva o BRASIL!!!
Alegrem-se nossos corações, sentindo o perfume das flores e ouvindo o canto dos pássaros nesta PRIMAVERA, com a expectativa do melhor resultado nas urnas. Dias melhores hão de vir. Que vença o melhor para o PAÍS!
quarta-feira, 8 de agosto de 2018
JULHO EM ROSAL
JULHO EM ROSAL
Vera Maria Viana Borges
Chega julho, viajo no tempo. As recordações de minha infância em Rosal afloram e daquela época distante rememoro os acordes da Lira ensaiando para o dia de seu aniversário e das belas comemorações, com realce especial às encantadoras “Alvoradas”. Neste ano a amada Lira 14 de Julho completou 96 anos. Não me contive e lhe dediquei os versos que seguem: Ao percorrer altiva a sua trilha,/ Com sopro divinal vai radiosa/ E a cada ano mais e mais rebrilha/ Com alegria infinita e esplendorosa.// Vibra em meu peito e na minh'alma brilha/ A quatorze de julho jubilosa,/ Esplêndida, perfeita maravilha/ Que no compasso segue rigorosa.// Marcha a querida LIRA em alvorada/ Esparzindo os acordes maviosos/ Pelas ruas da nossa terra amada.// Na madrugada fria, sob o orvalho/ Atinge os corações mais ardorosos,/ Com majestoso e artístico trabalho. Aproximam-se os CEM ANOS, que eu possa viver para comemorar e que inspiração não me falte para exaltá-la em tão auspicioso acontecimento.
No dia 26 a Festa de Sant’Ana, nossa amada padroeira, nossa defensora e protetora. Ela mereceu a honra de ser mãe da Virgem Imaculada, avó de Jesus e sogra de São José. Bem pequena, eu acompanhava com mamãe as procissões e recordo com saudade os cânticos dando destaque ao refrão do hino de Sant’Ana: Alegre Sant’ Ana/ Num surto de amor/ Entrega-se ufana/ A lei do Senhor”. A ingenuidade era tamanha que eu entendia - “entrega a sanfona pra lei do Senhor” e assim eu cantava. Fui crescendo, aprendi a cantar corretamente e hoje, é motivo de muito riso. Que nossa Padroeira querida interceda por nossas necessidades temporais e espirituais.
No início do mês recebi de amigo muito querido, Dr. Anselmo Júnior Borges Nunes, moço de princípios morais, éticos e cristãos, neto de Sr. Chiquinho Nunes e de Dona Amélia, nossos adoráveis vizinhos lá na santa terrinha, filho do venerando casal Anselmo e Luzia, um amável convite para homenagear o Padre Herbert que presta assistência aos devotos rosalenses, por estar ele completando cinquenta anos de Brasil. Prontamente me pus à disposição. Consultando o travesseiro, imaginei, como escrever algo para quem não conheço? Então pedi ao Anselmo que me falasse algo sobre o homenageado e ele primeiramente me disse sobre Bolton, um lindo cão amigo do sacerdote. Perguntei-lhe se o animal era o seu fiel escudeiro e ele me disse que sim. Bola rolada, saiu logo o soneto “O PADRE E O CÃO: Zeloso, o sacerdote é timoneiro/ E do dever jamais ele declina./ Do EVANGELHO, ele é o mais fiel luzeiro/ Que nos conduz à fonte cristalina.// Da paz, do amor, da fé é mensageiro,/ Solitário porém após rotina,/ Adota então um cão por companheiro/ E em seu carro com ele peregrina.// Cedinho, ao acender a doce aurora/ E ao pôr do sol na tarde que esmaece,/ Bolton e o Padre partem sem demora.// Com chuva ou sol nas ânsias de uma estrada/ Seguem o rito e o afeto os enternece.../ Bem-sucedidos findam a jornada.
Não bastava, precisava algo mais para entrar no clima, no mérito da questão. Anselmo me enviou dados, fatos, fotos e me deparei com uma riquíssima história. Fiquei sensibilizada e encantada com sua trajetória e com sua determinação. Ele tem apenas um irmão gêmeo, ainda residente na Holanda. Herbert De Gier, nasceu aos nove de fevereiro de 1943 em Haia, Holanda, em plena Guerra Mundial. Fez o Ensino Fundamental em Haia e o Ensino Médio em Vught, na Casa de Formação da Congregação dos Irmãos de Nossa Senhora de Lourdes. Consagrou-se à Nossa Senhora em 3 de junho de 1956. Concluiu o Ensino Médio em 14 de julho de 1960. Aos 15 de agosto de 1960, entrou no Noviciado da Congregação e em julho de 1961 começou os estudos para a Formação de Professor. Em 15 de agosto de 1962 fez os votos de pobreza, castidade e obediência. Formou-se Professor em 1965 e trabalhou até 1966 numa Escola de Ensino Fundamental no sul da Holanda. Em janeiro de 1967 chegaram ao Brasil os primeiros Irmãos da Congregação. Em 15 de agosto de 1967 fez a PROFISSÃO PERPÉTUA e em 8 de setembro do mesmo ano recebeu o Diploma do Curso de Professor de Habilitação Completa. Lecionou numa Escola Técnica, em Emmen, no norte da Holanda e ainda no mesmo ano recebeu sua nomeação como missionário no Brasil.
Há exatamente 50 anos , aos 26 de julho de 1968, na Festa da Senhora Sant’Ana, embarcou no avião e chegou na manhã seguinte em nosso país. De agosto a dezembro fez curso de Língua Portuguesa e Enculturação no Instituto CENFI. Em 1969, matriculou-se no Colégio dos Irmãos Maristas, em Uberaba/MG e fez Curso de Aperfeiçoamento da Língua Portuguesa e História do Brasil com a finalidade de prestar Vestibular na PUC/MG, em Belo Horizonte. No mesmo Colégio ainda em 1969 recebeu o Diploma do 2º Ciclo Secundário em Português, Inglês, Francês e Psicologia. Em 1970, passou no Vestibular e iniciou o Curso de Letras (Inglês e Português). Estudava pela manhã e dava Assistência Pastoral à tarde numa Capela da Paróquia Sagrados Corações. Em 1974 recebeu o Diploma de Bacharel Licenciado em Letras PUC/MG. Foi arquivista da Cúria em Juiz de Fora. Com um Irmão da Congregação, no Vale do Jequitinhonha deu início a um projeto social na área de ensino, enfermagem e pastoral em Joaíma, Diocese deAraçuaí/MG. Lecionou Inglês e Ensino Religioso. Fazia batizados, casamentos e exéquias. Em 1983 recebeu o certificado de naturalização e em Belo Horizonte iniciou o Curso de Teologia na PUC, formando-se em 1986. Ordenou-se em 22 de fevereiro de 1986 pela imposição das mãos de Dom José Geraldo Oliveira do Valle, então bispo da Diocese de Almenara/MG. Iniciou seu apostolado, como pároco na cidade de Jordânia, pertencente à Diocese de Almenara. Em 2001, veio para a Paróquia Senhora Sant’Ana em Apiacá/ES onde ficou até novembro de 2009 e a partir de então foi morar em Rosal, 3º Distrito de Bom Jesus do Itabapoana/RJ, atuando na Capela da Senhora Sant’Ana que pertence à Paróquia do Senhor Bom Jesus.
Saiu da Holanda sob a proteção de Sant’Ana, no dia de sua festa e não foi coincidência, foi providencial. Ela o amparou em todo o percurso e lhe proporcionou duas comunidades onde é a PADROEIRA, quis que ele ficasse mais junto a ela. Para as comemorações de tão importante data, escrevi-lhe quatro sonetos. Finalizo com um deles: Cinco décadas há que o missionário/ Desembarcou em terra brasileira,/ Estudou, seguiu seu itinerário/ Tendo a Mãe de Jesus por companheira.// Fez do seu caminhar todo um hinário,/ Na inabalável FÉ, a luz primeira/ E desfiando as contas do Rosário/ Chegou por certo à Fonte Verdadeira.// À Holanda, dedicamos preces mil,/ Desejamos o bem e agradecemos/ Pela grandiosa dádiva ao Brasil.// Gratidão! Nós jamais esqueceremos,/ Deu-nos um Sacerdote tão gentil/ E por isto Louvemos e Exultemos. Não existem palavras que possam agradecer a tudo que tem feito pela comunidade rosalense. Por nós, a recompensa de Deus! Que o Senhor, continue abençoando a sua Vida e o seu Ministério!
PARABÉNS, Padre Herbert, pelos 50 anos de Brasil!!! VIVA SANT’ANA, A NOSSA PADROEIRA!!!
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