quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Dr. ROBERTO SILVEIRA

            Recordar é viver! Dos meus arquivos, os meus modestos versinhos feitos nos meus verdes anos em homenagem ao Dr. Roberto Silveira por ocasião de sua eleição para Governador e publicados em 1960 no CORREIO DE NOTÍCIAS (Jornal da Federação dos Estudantes de Bom Jesus do Itabapoana - RJ)

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

ESTE SIM, FAZ A DIFERENÇA! (PUBLICADO NO JORNAL "O NORTE FLUMINENSE - 12 de outubro de 2014)

ESTE SIM, FAZ A DIFERENÇA!
                                                                                      Vera Maria Viana Borges
                    
                                   A MÚSICA exerce sobre todos um efeito salutar. Tive o privilégio de nascer em terra de belas e perfumadas rosas e essencialmente MUSICAL. Na infância pude incessantemente ouvir os ensaios e as magníficas apresentações da Lira 14 de Julho, Corporação Musical iniciada por Luiz Tito de Almeida, Custódio Soares de Oliveira, Elpídio Sá Viana, Durval Tito de Almeida, Sebastião Magalhães e Elias Borges, no ano de 1922. Sem nenhum apoio oficial, os músicos citados, com instrumentos adquiridos pelos mesmos iniciaram a formação da banda rosalense que ensaiava na casa dos próprios músicos. Na década de 40, estabeleceu-se em sede própria, localizada na Praça Alzemiro Teixeira da amada e singular vila. No passado, nosso Distrito contou também com a BANDA do CHICO GOMES. Chico  veio de Minas já casado com Ana Alves Pimentel e do matrimônio advieram dez filhos: Júlio , José, Sebastião, Francisco (Quiquito), Amélia, Itelvina, Mário, Cecílio, Honorelino e Álvaro, criados na Fazenda Barra Funda. Já trouxe de sua terra a paixão pela música e em especial pelo bombardino que executava com maestria. Convivendo com os Sá Viana que já haviam feito repercutir o gosto musical naquela região, os filhos cresceram com a hereditariedade dos dons musicais e com a influência do meio. 
                                Vindo para Bom Jesus, deparo-me com a Sede da Banda, em um CASARÃO, situado na Rua Expedicionário Paulo Moreira, na esquina onde hoje é o “VAREJÃO”, defronte a lateral da Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus. O Maestro era Sebastião Ferreira, nosso dileto e amado PROFESSOR BASTIÃO. Aqui também apreciei muitos ensaios e quanto vibrei e me entusiasmei com suas retretas! Como esquecer o “VICENTINHO” levando a pasta com as partituras e a rapaziada após os bailes do Aero Clube acompanhando a “Furiosa”, como eles a chamavam, após os bailes das tradicionais Festas de Agosto? 
No dia 09 de julho de 1939, na casa de Móveis do Senhor Manoel Ferraz de Oliveira, à Rua XV de Novembro nesta cidade, reuniram-se os senhores Osório Carneiro, Ésio Martins Bastos, Felipe Luiz, Olívio Bastos, Sebastião Alfeu da Silva e Antônio Gonçalves para a constituição da Banda de Música de Bom Jesus do Itabapoana. Foi fundada e registrada em 02 de maio de 1940. Deram-se-lhe o nome de “ Sociedade Musical União Operária”. Em assembleia no dia 12 de agosto de 1941 depois de discutido e aprovado foi alterado o seu nome para “LIRA OPERÁRIA BONJESUENSE”, proposta apresentada pelo Sr. Antônio Tinoco de Oliveira. Tem sede própria na Rua Arlindo Saboia.
Na década de 80 a Lira atravessou maus bocados, chegando a parar totalmente, ficando sem uniformes, sem instrumentos e principalmente sem músicos. Em 1982, Nilo Rodrigues de Oliveira assumiu a direção e arregaçando as mangas começou  a dar aulas para crianças. Hoje ele tem 38 músicos formados e muitos alunos, na maioria jovens. Após dezenove anos chegou à conclusão que a Diretoria teria que ser composta pelos próprios músicos. A sede foi reformada, recebeu telhado sobre a laje e muro com três portões. Possui móveis novos,  dois tipos de uniforme e vários instrumentos. Nos altos há uma Galeria onde figuram os Retratos dos seus Fundadores. O grande sonho do Presidente Nilo é dar acabamento aos dois grandes cômodos do térreo para alugá-los e gerar renda, pois não tem conta das vezes que pagou contas de água e de luz do seu próprio bolso. Conta apenas com as pequenas quantias que recebe pelas apresentações, que divide com todos os músicos.
NILO, homem de garra, determinação, otimismo e um ideal maior que seu porte e que seu coração, filho de Pedro Rodrigues de Oliveira e Amélia Bartolomeu Pires, nasceu em Barra do Ribeirão Alegre aos dois de outubro de 1933. Aos oito anos iniciou os estudos na Escola Pereira Passos que funcionava onde é hoje o “BIG HOTEL”. Vinha a pé após ter auxiliado em todas as tarefas domésticas e rurais, como tirar leite, capinar e roçar. Os estudos de Música, iniciou-os aos dezoito anos na Sede da Lira Operária com o Professor Sebastião Ferreira, daí não parou mais de estudar. Vinha a noite, a cavalo, enfrentando frio e chuva, tendo ficado várias vezes esperando que se acalmassem tempestades para o retorno ao lar. Começou tocando Clarineta, depois passou para o Sax. Tem o domínio de todos os instrumentos. Casou-se em 1955 com Anézia Teixeira de Oliveira e teve cinco filhos legítimos e um adotivo, o único que o acompanha na Lira, toca Sax Alto e o pai se orgulha de seu desempenho dizendo: ele toca MUITO!!!
Seu dia começa bem cedo. Às cinco da manhã já está o Sr. Nilo saindo para a costumeira “Caminhada” e  duas vezes por semana joga pelada no Campo da Vista Alegre. Daí o preparo físico para acompanhar todas as Procissões da Coroa do Divino e fazer as célebres Alvoradas por todos os bairros da nossa amada cidade durante os festejos de agosto, até mesmo debaixo de chuva. O bem sucedido empresário às seis e meia já se encontra na RELOJOARIA SÃO JOSÉ, firma fundada em 1960, onde se encontra serviço garantido e um ourives capaz de produzir as mais encantadoras joias. Fecha o estabelecimento às dezoito horas e trinta minutos e às dezenove chega à Sede para ministrar aulas ou ensaio, todas as noites (segundas, terças, quintas e sextas, aulas e às quartas e sábados, ensaios). As aulas são gratuitas. Pensou que seu Domingo é livre? É raro que seja, pois este jovem de quase oitenta e um anos, está sempre animando as festas de toda a redondeza, levando a todos a alegria que lhe é peculiar com seu sorriso aberto e franco. Este homem de FÉ, é Cursilhista, fez Curso de Igreja, Jornada Cristã e frequenta a Paróquia de Bom Jesus do Norte, no Estado do Espírito Santo.
Organização total, sem retoques, tudo perfeito. O maestro mantém a documentação em dia, faz matrículas, ministra aulas, faz chamada e a cada apresentação o componente da Banda tem que assinar o ponto. Quanto dinamismo! Exemplo para todos nós. ESTE SIM, FAZ A DIFERENÇA!!! Deus Nosso Senhor o fortaleça plenificando-o de saúde e paz para que continue firme e vibrante acompanhando as Procissões da Coroa, fazendo as Alvoradas, as Retretas nas Praças, espalhando vida e alegria por onde passa, com suas marchas, dobrados e peças do Cancioneiro, por muitos e muitos anos. PARABÉNS, NILO RODRIGUES DE OLIVEIRA!

sábado, 30 de agosto de 2014

LITERATURA & CINEMA (Publicado no Jornal "O NORTE FLUMINENSE" - 26 de agosto de 2014)

LITERATURA & CINEMA
                                                                                              Vera Maria Viana Borges
          Sento para escrever. Chove lá fora, aquela chuvinha fina, com aquele friozinho doído, que nos convida a uma boa xícara de chocolate quente com biscoito frito passado no açúcar com canela. Melhor pegar um edredom e um bom livro, ou quem sabe um filme, já que a modernidade nos permite assistir a quaisquer filmes quando bem entendemos.  Estes dias cinzentos nos fazem recordar cada coisa, lembrei-me dos ditados de meus pais: “Primeiro a obrigação, depois a devoção”. Assim sendo, primeiro devo escrever e depois pensarei em LER ou assistir ao FILME. Associei o livro com a película e daí o título: Literatura & Cinema. 
        A Literatura e o Cinema são caracterizados pela Palavra e pela Imagem. A Literatura é a arte de compor ou escrever trabalhos artísticos em prosa ou verso e seu instrumento principal é a palavra. Já o cinema é a arte de compor e realizar filmes cinematográficos através da imagem. Duas artes com linguagens distintas que usam códigos diferentes. Ambas nos enlevam e nos encantam. É imensurável o prazer que nos proporcionam. Levam-nos a viagens mágicas que contribuem para o nosso crescimento intelectual e social. Apresentam-nos uma visão geral do mundo, viajamos sem nos locomover e sem correr riscos.
          Cinema é arte, cinema é cultura. As artes se distinguem pela sua linguagem. Quando uma câmera se aproxima, destacando um objeto ou uma cena, o que se projetou adquire maior importância dentro da história. A isto chamamos linguagem. Cada espectador fará uma interpretação e nisso está a riqueza de uma obra de arte. Cineasta e espectador estão ligados pela mesma cultura, assim como o escritor e o leitor. Muitas produções são baseadas em célebres livros. Tendo sido lido o livro, quando assistir ao filme poder-se-á comparar os dois, livro e filme, uma vez que cinema e literatura são linguagens que podem se enriquecer mutuamente. Cinema é linguagem vista e ouvida no tempo em que acontece. Só que o cinema não desfruta as metáforas e as construções literárias  usadas pela literatura. O cinema é uma mera narrativa enquanto a literatura tem a capacidade de sugestionar e emocionar mediante determinados processos e efeitos de estilo.
           A arte literária é anterior ao cinema, naturalmente constitui-se como referência. Claro que são convergentes, dirigem-se ao mesmo ponto. Não se pode negar a influência da literatura sobre o cinema, pode-se comprovar com prontidão nas ricas produções das adaptações em filmes e minisséries, ostentados por cores exuberantes, em cenas magníficas de beleza imensa. A linguagem literária é mais profunda e ampla. Sua transcendência a renova a cada leitura, a cada imagem sugerida. Nela formamos as imagens de acordo com a nossa imaginação. E, como a minha imaginação é fértil! Com ela construo pomposos e belos cenários. Já o cinema mostra ao espectador a imagem pronta. Em pequenos cortes, em fração de segundos descrevem um personagem, seu comportamento, seus hábitos e intenções. É tudo muito mais rápido. Eu, particularmente lendo, às vezes floreio e formo cenários mais encantadores, mais intensos e mais belos, ou mesmo, mais grotescos e mais rudes. Imagino cenas exuberantes, com mais cores e mais luzes. Muitas vezes o filme limita a imaginação do leitor. Apesar de tudo isto, são admiráveis os filmes adaptados de romances como “O CONDE DE MONTE CRISTO” de Alexandre Dumas, “MORRO DOS VENTOS UIVANTES” de Emily Brontë, “MADAME BOVARY” de Gustave Flaubert, “MOBY DICK” de Herman Melville, “ROBINSON CRUSOÉ” de Daniel Defoe, “A DAMA DAS CAMÉLIAS” de Alexandre Dumas Filho, “ULISSES” de Homero, “O VELHO E O MAR” de Hemingway, “GUERRA E PAZ” de Tolstoi dentre muitos  e muitos outros.
          Na década de 50 o Cine Monte Líbano era um esplendor aos nossos olhos. A atriz Romy Schneider estrelou três belíssimos filmes sobre uma das mulheres mais fascinantes da Europa no século XIX. Na trilogia do Diretor Ernest Marischka, Sissi é uma moça encantadora, adorável e cheia de alegria de viver que se casa com o apaixonado Imperador Frans Joseph I. Passam por transtornos e adversidades mas acabam felizes para sempre. Os três filmes que me encantaram narravam a vida de Isabel da Áustria que sofria de depressão devida ao casamento infeliz, à vida rígida na Corte Austríaca e ao mau relacionamento com a sogra. O marido estava sempre ocupado com a política do império o que contribuiu para a sua solidão. Em seu diário ela revelava: “Perambulo solitária sobre a terra há tempo, alienada da vida e do prazer, não tenho e nunca tive alma que me entendesse.” Em 1860 deixou Viena para uma viagem de dois anos pela Europa. Dos quatro filhos somente com a caçula Marie Valerie teve uma relação mais estreita. Sophie, a mais velha foi tomada pela sogra e morreu aos dois anos de idade. O único filho, Rudolf, educado longe de sua influência, aos trinta e dois anos se suicidou. Nas telas, bela história de amor, em rica produção. Na vida real, uma Imperatriz infeliz no casamento, vaidosa, egocêntrica e narcisista, depressiva e anoréxica. A Sissi da realidade tinha pouco a ver com a Sissi do Cinema.
     A Imperatriz da Áustria se engajou em causas humanitárias e chegou a visitar hospitais e asilos durante uma epidemia de cólera. Ela foi para o século XIX o que seria a princesa Diana cem anos depois. Muito lindas, cobiçadas e invejadas, imitadas, copiadas e envolvidas em uma aura de simpatia e bondade e ao mesmo tempo extremamente infelizes. Ambas morreram de forma trágica.
        Há casos em que as produções cinematográficas deixam a desejar em relação à obra ou à sua história. Não é possível condensar tudo em apenas algumas horas, mas elas poderão ser um incentivo, aguçando o desejo de se conhecer maiores detalhes da narrativa. Assim será favorecido o caminho inverso, será do cinema a influência para a literatura.