quarta-feira, 27 de junho de 2018

PARABÉNS, PIRAPETINGA! (Publicado no Jornal "O NORTE FLUMINENSE - 31 de maio de 2018)

PARABÉNS, PIRAPETINGA! 
                                                                                                            Vera Maria Viana Borges

Imensa e justa foi a minha alegria, pelo honroso convite para participar da I Feira Literária de Pirapetinga que foi sem dúvida a primeira de muitas e muitas, que naturalmente serão sempre repletas de intenso fulgor e deverão refletir profundamente na mística da comunhão de ideais, na pujança do extravasar das mentes e almas, o objeto da mais alta inspiração, que reúne toda a perfeição concebível no nosso imaginário.
Ao pisar o solo de PIRAPETINGA, o berço do sonhar da notável poetisa Iracema Seródio Boechat, lindamente descrito por ela na tão bela poesia intitulada “ALBERGUE MATERNAL”, meu coração encheu-se de júbilo.  Fui envolvida pela paisagem que eu admirava enquanto rememorava os seus versos: “Berço do meu sonhar! Feliz Pirapetinga!/ Paisagem que desejo, ufana, contemplar: / Montanha verdejante, arroio a murmurar,/  Pássaro saltitante à orla da restinga.// Teu céu todo estrelado em doce paz da noite/ E as flores da pracinha à espera do luar,/ Pirilampo, urutau, soturnos a vagar,/ Apontam ao viandante o albergue onde pernoite.// E eterno será este albergue fraternal:/ Motivo da saudade a oprimir e angustiar,/ O filho que partiu do âmago maternal.// Um dia, ausentar-me-ei, terra querida e boa,/ Mas levarei comigo a glória de ser filho/ De solo idolatrado - mãe que ama e perdoa”.  E, ela partiu para a casa do PAI Celestial, de onde hoje certamente intercede, roga pelo seu chão e por sua gente.  Apossou-se de mim, o sentimento do mais puro amor a uma terra de passado nobre, de filhos ilustres que a preservaram e engrandeceram sempre, e de um presente altaneiro, promissor, com grandes feitos de gente não menos nobre, que cultiva as letras e as artes. Berço de gente boa, hospitaleira, amiga e altaneira. Cenário de belezas, de encantos naturais, de passado heróico, marcado por filhos ilustres que com galhardia lançaram a semente que caiu em terreno fértil, fato comprovado pela colheita destes frutos, saboreados pelo povo honrado neste presente glorioso onde se valoriza a Cultura. Isto, nos comprova que o povo desta terra não se acomodou em colchões moles e nem se fez admirar apenas pela força bruta, mas que compreendeu que nem só de pão material vive o homem. 
Durante dois dias, a vila viveu momentos mágicos, intensos e poéticos. Na Praça, vários Estandes com Exposição de Livros e Discos, momentos de apresentação das obras e autógrafos dos expositores. Na abertura, conduzida pela Professora e Psicóloga Jussara Ofrante, a presença maciça das Escolas Municipais Iracema Seródio Boechat e João Catarina, de escritores, poetas, músicos, autoridades, visitantes e o povo daquela amada localidade e arredores.  O Patrono da Feira, médico e escritor filho da terra, Dr. Norberto Seródio Boechat, se emocionou com as homenagens a ele prestadas. Ainda pela manhã aconteceu a Oficina Literária proferida por mim. Ao meio-dia, música com a Banda Black Pepper Acústica. À tarde, a Contação de História contagiou crianças e adultos. As  Academias  Itaperunense e Calçadense de Letras trouxeram brilho à programação. Compareceram o Dr. Laércio Andrade de Souza, Presidente Emérito da Itaperunense e o Poeta Valtinho e Sr. Aderbal membros da Calçadense. Brilhante foi a participação dos alunos e professores da Escola de Música JEMAJ e para encerrar um Show com Valdeir da Sanfona. 
No dia seguinte o AMANHECER COM POESIA no Museu de Imagem de Pirapetinga, mantido pelo Dr. Norberto. Antes do café literário regado a muita poesia, o público ficou fascinado com a visitação ao museu. O debate literário com o escritor e músico Danyel Sueth teve participações especialíssimas de Valber Meirelles, membro da Academia Itaperunense de Letras e da Escritora Elaine Borges. Valber Meirelles além de expositor de seus Discos  também brilhou  com sua voz e violão, ele tem 8 Discos Gravados dentro de uma linha poética, com repertório de sua autoria. O engenheiro metalúrgico, advogado, músico, compositor, arranjador, instrumentista e escritor Beto Travassos  compareceu trazendo o seu livro ALMA & POESIA, suas lindas e espetaculares canções e o magnífico show com sua sanfona. Rita de Cássia Côgo, artesã das mais festejadas, professora e renomada escritora de Guaçuí/ES, autora de vários livros, trouxe  “A BONECA  SAPEQUINHA”.  O INSTITUTO SUPERA promoveu a Palestra - “Benefícios da Leitura na Terceira Idade”. A “Moda de Viola com os Irmãos Oliveira” foi inserida à Programação e agradou em cheio. No encerramento, Show com a Banda Estado de Sítio. O ponto culminante da Feira foi a Palestra do Dr. Norberto Seródio Boechat que narrou com profundidade, minuciosamente a História daquela majestosa terra, encantando a todos. Há de se destacar o “Blog do Frederico TV”  do Frederico Sueth Rangel, que com maestria fez a cobertura completa e a divulgação  da tão extraordinária festa cultural.
Curvo-me aos promotores do evento, em especial ao Júlio César Barbosa, à Diretora Marilaine Coelho e à  Anísia Maria Pimentel, agradecida pela elevada honra a mim concedida, a oportunidade ímpar de participar deste acontecimento que obteve os mais admiráveis resultados,  alcançou grande êxito e foi SUCESSO absoluto. Parabéns a todos. O sucesso de grandes empreendimentos deve-se ao trabalho intenso onde a colaboração de muitos é fator primordial para que tudo dê certo.
Acolhida carinhosamente por todos, senti-me em casa. Emocionou-me o abraço especial do grande homenageado da Feira, o anfitrião, Dr.  Norberto Seródio Boechat, renomado médico geriatra e escritor, filho do ilustre casal Agostinho Boechat, fazendeiro e líder político da região e da Professora, Poetisa e Escritora Iracema Seródio Boechat. Assim como foi de sua mãe, a graciosa vila é sua inspiração e seu referencial.  Autor de várias obras, dentre elas destaco “Me dê a Mão” - contos,  “Memórias Natalinas” - contos, “Lembranças de Escritas”, também contos e “Estradas”, romance bem elaborado.  Senti-me agradecida e gratificada por poder adentrar no mundo mágico e maravilhoso de suas palavras. Percorri as Estradas com o autor e saí em êxtase. Trata-se de obra valiosa, deveras emocionante, movida pelo amor telúrico, pelo amor ao chão de sua infância. Seus livros são lidos com incomum agrado pelo estilo leve e até coloquial que o fazem  um narrador de méritos próprios.  Histórias contadas envolvendo pessoas em cenários específicos com o objetivo de reconstruir a realidade. Longa descrição de ações e sentimentos de personagens reais ou fictícias numa transposição da vida para um plano artístico. Texto ornado com leveza e graça num delicioso desenrolar que encanta pela maneira de imprimir serenidade e elegância em cada assunto, característica do culto Mestre que conjuga palavras na expressão da realidade guarnecida pela visão irreverente do dia a dia. Do fiel repositório da memória, os sentimentos e lembranças são aflorados e relatados com lucidez. Eis um escritor vitorioso! Parabéns ao escritor Norberto Boechat e a todos quantos tenham o privilégio de ler e possuir a sua magnífica obra em sua biblioteca. 
Parabéns, PIRAPETINGA, pelo valoroso evento Cultural!
             

quinta-feira, 8 de março de 2018

BANDA DO INSTITUTO DE MENORES (Publicado no Jornal O NORTE FLUMINENSE - 28 de fevereiro de 2018)

             BANDA DO INSTITUTO DE MENORES 

                                                                                             Vera Maria Viana Borges

                                “Assim diz o Senhor: Eu não perdi o controle da tua vida, está tudo no meu tempo. Não há nada atrasado.” Nada acontece por acaso e para tudo há o tempo certo. Hoje em dia ouve-se com frequência, “temos que viver o presente, o passado é passado e o futuro a Deus pertence”, mas, não se faz História sem resguardar o passado. E o futuro, como ignorá-lo? Temos que fazer projetos e executá-los para que a oportunidade nos encontre preparados.
                         Em 1962, aos dezessete anos prestei Concurso para o Magistério e iniciei a minha Carreira Profissional na Escola Maria da Conceição Pereira Pinto, na Usina Santa Maria, em Bom Jesus do Itabapoana/RJ.  Em 1964 fui removida para o Instituto de Menores Roberto Silveira na sede do Município, instituição mantida pelo Centro Popular Pró-Melhoramentos de Bom Jesus. A princípio, a professora era paga pelo Centro Popular que conseguiu do então Secretário de Educação a designação de duas professoras contratadas pelo Estado para ter exercício naquele estabelecimento, uma boa economia e também ótimo aproveitamento para os alunos que tinham apenas uma professora. Quando cheguei, concursada, trabalhei com a saudosa Mestra Alcélia Diniz e com Sucena Maria Seródio Amim. Dois anos de muito aprendizado, acho que mais aprendi do que ensinei. Havia muitos garotos levados, mas a maioria com olhos ávidos e ouvidos atentos buscavam através da aprendizagem alcançar um futuro promissor, uma vida melhor e felizmente muitos aproveitaram a oportunidade e são mais que vencedores. Muitas saudades daquele tempo. A ordem era mantida e era muito rígido o sistema. Após as aulas eles se dirigiam ao refeitório onde era servida uma deliciosa refeição feita pelas cozinheiras Zeny e Amélia. À tarde iam para o Ensino Profissionalizante. Havia muitas oficinas em funcionamento e mesmo com embaraços por falta de recursos para a aquisição de matéria prima,  estiveram em atividade a aprendizagem de marcenaria, de fabricação de malas, de vassouras, de encadernação, de funilaria e sapataria, com um índice de aproveitamento bastante satisfatório.  Atuavam também na Granja, onde recebiam ensinamentos práticos de agricultura. Para o coroamento de todas estas disciplinas, havia aulas de Música ministradas pelo ilustre Maestro Raul Lopes da Costa que ali formou a BANDA DO INSTITUTO DE MENORES que também faz parte da História Musical de Bom Jesus do Itabapoana.
                          Recebi, dias atrás, uma solicitação de amizade no Facebook. Certifiquei-me e reconheci um querido ex-aluno do Instituto, Domingos José dos Santos. A sua aproximação fez-me reviver aqueles bons tempos do Instituto de Menores. Em nossa primeira conversa ele já se expressou: “Jamais me esquecerei de cada experiência vivida naquela “Instituição Mãe” que me trouxe benefícios imensos durante os dez anos em que lá estive. Para começar, meus parabéns por ser colunista de uma Organização tão expressiva e conceituada, como o nosso “O NORTE FLUMINENSE”,  onde tive o meu primeiro emprego quando me desliguei do Instituto de Menores. Ali, eu fui encadernador (profissão que aprendi com o Professor Arnaldo de Jesus) a convite do grande bonjesuense Dr. Luciano Bastos, meu particular amigo”.
                      Além de aluno da MARCENARIA, Domingos dedicou-se também aos estudos de Música e fez parte, da surpreendentemente bela e encantadora Banda. Enchia de alegria e satisfação a todos que ouviam e viam os meninos, uniformizados, elegantemente perfilados, de peitos estufados executando as mais variadas e maviosas melodias, desfilando pelas ruas de nossa cidade. Faziam parte da Corporação os alunos Francisco Theodoro, José Sezareth, Cipriano Soares,  Flávio Panes Barbosa, Humberto Diniz, Eclayton Panes Barbosa, José Teles dos Santos, Sebastião Galdino, Francisco Piolho, João Batista Lauriano, Trilhinho, Joaquim José, William, Antônio de Souza, Luís Carlos Camilo, Raimundo,  Domingos, Rolinha, Adalmir,  Antônio de Souza, Elias da Conceição e Carlos Alberto Pinto. Muitos deles se sobressaíram: Francisco Theodoro foi para a Banda da Polícia Militar de Minas, William, para a Banda da Polícia do Estado do Espírito Santo e Adalmir foi para a Banda do Exército. Antônio de Souza, Elias da Conceição e Carlos Alberto Pinto foram para o Exército, seguiram carreira, mas, não como músicos.
                     Domingos foi para o Exército, onde tocou na Banda por 14 meses. Deu baixa no Exército e voltou para o Instituto e ajudou o Maestro Raul, como sub-regente. Nesse período participou das Bandas de Bom Jesus, de Apiacá, São José do Calçado, Natividade e Itaperuna, mas sempre dando prioridade aos trabalhos da nossa inesquecível Banda do Instituto. Conseguiu uma vaga gratuita no Conservatório de Bom Jesus e estudou segundo ele, com o maior músico e maestro que já conheceu, o saudoso Professor José Carlos Ligiero, seu grande inspirador. Contou-me de uma outra grande professora e amiga que passou pelo Instituto, Maria Eliza Borges Figueiredo que lhe deu a maior oportunidade de sua vida, como músico. Seu marido, o saudoso Evandro Figueiredo o levou para fazer uma prova na Banda da Polícia Militar de Niterói. Foi aprovado e aos 21 anos se incorporou àquela banda que na época era regida  pelo itaperunense Édimo de Abreu. Resolveu deixar a carreira militar e seguir novos caminhos profissionais, mesmo tendo na música a sua maior forma de expressão. Formou-se em Administração de Empresas, Gestão Imobiliária e trabalhou durante 22 anos no ramo da Hotelaria e Turismo, mas a música nunca saiu de sua alma e nem de seu coração. Voltou a estudar e bacharelou-se em Regência pela  Academia de Música Lorenzo Fernandez/RJ.  Atualmente exerce a função de Professor de Música na Rede Pública, tanto Municipal quanto Estadual, em Duque de Caxias, preparando Bandas, Fanfarras, Orquestras de Câmara com flautas doce e Canto Coral. Atua também como Coordenador Geral de um grande Colégio particular e como regente e formador de Coro em várias Igrejas daquele Município da Baixada Fluminense.
                        Carinhosamente ele conclui: “Quanto a minha vida de orfandade, antes da ida para o Instituto de Menores, eu me lembro pouco. Sei que aos dez anos de idade, por ordem do juizado de menores, eu fui para lá. Mas isto não me importa. A verdade é que ali eu pude conviver com grandes educadores que direta ou indiretamente, trouxeram grandes benefícios para a minha formação: Dona Ledyr do Canto Mascarenhas, que foi uma espécie de segunda mãe para todos nós daquela época,  Dona Thieria Gomes Faial, Dona Cenira Fontes Feitosa, Salvador de Moraes, Wenceslau Caetano e muitos outros.
                           Tempos saudosos e extraordinárias recordações...  Agradeço sua atenção e carinho, querido Domingos, e ao Deus Pai Todo-Poderoso rendo louvores pelo seu EXEMPLO DE SUPERAÇÃO, pelo seu TALENTO e por não se afastar da MÚSICA, que das ARTES é a que mais sublima a alma.
                              Parabéns, Maestro Domingos José dos Santos!!!

BANDAS DA NOSSA HISTÓRIA (PUBLICADO no Jornal O NORTE FLUMINENSE - 27 de janeiro de 2018)

                         BANDAS  DA NOSSA HISTÓRIA 

                                                                                                 Vera Maria Viana Borges
                                                                                                         
                     “A música é celeste, de natureza divina e de tal beleza que encanta a alma e a eleva acima da sua condição” (Aristóteles). Uma boa música nos transforma, nos eleva, nos acalma, nos toca profundamente e nos leva a um estágio de paz. É arte, sendo a linguagem da alma que se expressa através da voz, de instrumentos  musicais e outros artifícios.  Aqui no Vale do Itabapoana ela floresceu abundantemente.
                     Segundo registro garimpado pela historiadora Maria Cristina Borges, no ano de 1900 já existia na Barra do Pirapetinga uma banda musical, fundada e regida pelo Professor Joaquim Teixeira Magalhães (Quinca Magalhães). A Banda era formada por seus filhos Josino Teixeira Magalhães, José Teixeira Magalhães, Sebastião Teixeira Magalhães (Tatão Magalhães, um dos fundadores da Lira 14 de Julho, de Rosal) e outros membros de sua família, somando 14 músicos. A Banda era mantida pelos Teixeira Borges e o principal incentivador foi Antônio José Borges, o Borginho. Por volta de 1926 seus componentes eram: Sebastião Teixeira Magalhães, Joaquim Teixeira Borges, Elias Moraes Borges, Antônio Teixeira Borges (Antoninho), Adolfo Moraes Borges, Rui Borges de Moraes, Leny Xavier Borges, Alcebíades Justino, Alcides Lima, João Justino, Aristides Nobre e Pedro Roza. Em reconhecimento ao trabalho dos Teixeira Borges, Tatão Magalhães compôs o dobrado intitulado “TEIXEIRA BORGES”.
                       Feliciano de Sá Viana e Ambrosina de Sá Viana, meus bisavós, chegaram à Fazenda da Prata, oriundos das Minas Gerais em 1862. Apaixonados por música, decidiram adquirir um piano, o primeiro do Vale do Itabapoana, a princípio tocado por um escravo vindo de Diamantina, pianista dos bons. Forte foi a emoção aos primeiros acordes que quebraram o silêncio daquelas matas e daqueles cafezais. Passaram os Sá Viana a organizar saraus, atraindo pessoas da vizinhança e alegrando sobremaneira a todos os que vinham dançar e apreciar as bem executadas valsas da época. Contratou-se a seguir o Professor “João Lino”, iniciou-se assim a realização do sonho do fazendeiro. Os filhos, Romualdo, Eulália, Aureliano, Adélia (Sinhazinha), Elpídio, Henrique, Malvina, Adolfina (minha avó), Mulata, Adelaide, Diana, Abílio e Julinho se entusiasmaram e logo formaram conjunto com clarinetas, trombones, contrabaixos, Sax Horn, requinta e piano. 
                     Mudando-se para a Fazenda União, mais próxima de Rosal, ficou mais próximo de seu amigo e compadre Luís Tito de Almeida (Lulu), sogro de seu filho Elpídio que desposara Elzira. Lulu já se contagiara com a música e se tornara músico ardoroso, o que transmitiu também à sua descendência. Era presença constante em suas festas. Tocavam em ladainhas, casamentos e festas em geral, até que um dia reuniram-se Lulu (Luís Tito de Almeida), Elpídio de Sá Viana, Durval Tito de Almeida, Custódio Soares de Oliveira, Sebastião Magalhães e Elias Borges, iniciando o trabalho de formação da Corporação Musical 14 de Julho, que tem como data oficial de sua fundação, 14 de julho de 1922. Continua firme e vibrante com retretas nas praças, espalhando vida e alegria por onde passa, com suas marchas, dobrados e peças do cancioneiro popular.
                     Chico Gomes também veio de Minas, casou-se com Ana Alves Pimentel, oriunda do “SACRAMENTO” e do matrimônio advieram dez filhos,  Júlio,  José, Sebastião, Francisco  (Quiquito),  Amélia, Itelvina, Mário (pai do Dr. Antônio Bendia), Cecílio,  Honorelino e Álvaro,  criados na Fazenda Barra Funda no distrito de Rosal. Já trouxe de sua terra a paixão pela música e em especial pelo bombardino que executava com maestria. Convivendo com os Sá Viana  que  já haviam feito repercutir o gosto musical naquela região, os filhos cresceram com a hereditariedade dos dons musicais e com a influência do meio. Então pai, filhos, sobrinhos, afilhados e vizinhos mais um compadre de Varre-Sai que além de tocar clarineta era maestro (Maestro Ernestino), formaram para os festejos de SANTANA em sua Fazenda, no ano de 1911, a Banda que marcou época, a Banda do Chico Gomes: Mário e Honorelino tocavam sax, Júlio batia o bumbo, José Gomes e José Pimenta tocavam contrabaixo, Sebastião tocava trombone, Quiquito e o maestro tocavam clarineta, Álvaro e seu  pai que  era o  próprio  Chico,  o  dono da  Banda tocavam bombardino, João Laurindo tocava barítono, enquanto seu sobrinho Dionísio e Antônio Laurindo tocavam piston. Constantemente havia encontro das Bandas. Chico Gomes era avô do Dr. Antônio Bendia de Oliveira, nosso confrade da Academia Bonjesuense de Letras, tio-avô do emérito Professor Héliton Dias Pimentel, avô do Ilustre Professor Anízio Gomes Pimentel e bisavô da ANÍZIA MARIA AGUIAR PIMENTEL, da Escola de Música JEMAJ MUSICAL. Elemento de uma Banda tocava também na outra; foram se casando e misturando as famílias e finalmente todos se tornaram parentes, acabando praticamente numa só família.
                        Reinava paz e muita harmonia entre os laboriosos incentivadores da música de nossa amada terra, as famílias se entralaçaram com os casamentos dos filhos e as almas se uniram na fraternidade, no amor e no idealismo. Tudo era motivo para festejar. Não tocavam somente em festas, tocavam também apenas para eles próprios, para o enlevo da alma, cultivando das artes, a mais bela e nobre, e enchendo de alegria aquele sertão.
                      Elpídio de Sá Viana (meu tio-avô) organizou na década de 40 uma filarmônica em São José do Calçado. Inicialmente contou com cinco de seus filhos: Luís, Antônio, Feliciano (Nenem), Hélio e Geraldo, todos excelentes músicos e procurou completar o grupo com elementos da localidade a quem ministrava aulas. A filarmônica recebeu o nome de “Euterpe São José”, mais tarde passou a “Lira 19 de Março”, apresentando-se impecavelmente uniformizada e executando sempre com perfeição o vasto e  riquíssimo repertório.
               A Lira Operária Bonjesuense nossa amada, aplaudida  e admirada “Furiosa” foi fundada e registrada no dia 12 de dezembro de 1940. 
           Música é saúde, música é vida. Quem canta seus males espanta. Já dizia William James: “O pássaro não canta porque está feliz, mas sim está feliz porque canta”. Vamos à VIDA!