sábado, 29 de julho de 2017

JOSÉ DE OLIVEIRA BORGES (ZEZÉ BORGES, foi Vereador, Deputado Estadual e Prefeito de Bom Jesus do Itabapoana)


LIRA 14 DE JULHO (Publicado no Jornal "O NORTE FLUMINENSE" - 29 de julho de 2017)

LIRA 14 DE JULHO
                                                                                    Vera Maria Viana Borges  
                              Desde a antiguidade o homem se encantou e se deixou arrebatar pelos sons e pelas melodias. Até mesmo os próprios  animais mostram-se sensíveis aos seus encantos. Os povos de civilização mais rudimentar a cultivavam quer para o recreio espiritual ou para o incentivo na luta. Fez sempre parte dos cerimoniais sacros e diz-nos a “Bíblia” que o Rei Davi dançava nas procissões religiosas, à frente da ARCA, desferindo as cordas da harpa. Entre os gregos e romanos ocupou lugar predominante na educação do povo.
                          A música coloriu a minha vida com vibrante força. Foi bálsamo para minha alma e alimento para o meu  amor.  Cultivá-la, é cultivar o que há de mais belo e nobre. Como afirmou o Escritor Espanhol Miguel de Unamuno (1864 - 1936) “Não sei como pode viver quem não leve à flor da alma as lembranças da infância.” Há momentos revestidos de tal transcendentalismo que levando-nos aos páramos da alma nos remetem a um remoto tempo em que vejo minha amada e doce vila onde a música se veste nas roupagens dos dobrados e das protofonias, inebriando o ar com o som dos metais e das palhetas misturado com os vibrantes instrumentos de percussão. Pelas ruas, nas praças e coretos  a  Lira 14 de Julho, altiva, aprumada, exuberante e  mágica  há noventa e cinco anos causando prazer, supremo deleite, seduzindo, cativando e envolvendo a todos num turbilhão de emoções. Foi neste ambiente que vivi até os meus dez anos. A 14 de julho é a  fonte da qual sorvi todo o gosto musical que me acompanha.
                   Há alguns anos, em bate-papo com Geraldo Roseira Soares, obtive informações, examinando documentos que apontam para a fase em que Luís Tito de Almeida (Lulu Almeida), Custódio Soares de Oliveira, Elpídio Sá Viana, Durval Tito de Almeida, Sebastião Magalhães e Elias Borges iniciaram um trabalho de formação da Corporação Musical Lira 14 de Julho, que tem como data oficial de sua  fundação, 14 de julho de 1922.
                          Sem nenhum apoio oficial, os músicos citados, com instrumentos adquiridos pelos mesmos iniciaram a formação de uma banda rosalense que ensaiava nas casas dos próprios músicos. O empenho dos músicos e as possibilidades de se apresentarem, fizeram com que as festas populares de Rosal e adjacências tivessem uma nova atração; uma banda de música, para alegrar os saraus, leilões e ladainhas. Na década de 40, estabeleceu-se em sede própria, à Praça Alzemiro Teixeira e integrou-se à comunidade por meio da participação de tantos quanto revelassem talento e desejassem participar das aulas e apresentações. Importantes cidadãos e músicos fizeram parte da Corporação, dentre eles Feliciano de Sá Viana o introdutor da Música na região,  Tatão Magalhães, Aristides Nobre, Romualdo Sá Viana, Elpídio Sá Viana, Apolinário André dos Santos, Antônio Almeida, Sebastião Gomes Filho (Fio Bernardo), Vergílio Soares de Oliveira, Manoel Rosa (Carapina), Luiz Sá Viana, Antônio Almeida Viana, Professor Sebastião, Dionísio Pimentel, José Alonso Filho, Durval Almeida, Euzechias Tito de Almeida (Tuca, maestro por muitos anos), Dirceu Xavier de Almeida, Dário Xavier de Almeida, Nael, Elias Borges (Liá), Nelsino Gonçalves, Alvim Paulo de Aguiar, Álvaro Gomes de Oliveira, Chipinho, Bem Figueiredo, Tiãozinho, Toinzinho e muitos e muitos outros.
                      No decorrer de toda a sua existência manteve o respeito impresso pela tradição musical que a faz respeitada não só pelo povo da terra mas também por todos que apreciam o gênero e reconhecem a importância da música na formação da cidadania. Sua sede recém-ampliada com o apoio da municipalidade, sobrevive graças ao incentivo dos rosalenses e admiradores de outras plagas. As aulas de música  proporcionam sadia convivência entre professores e alunos. Creio que Euterpe o deus da música, esteve sempre atento a esta corporação e o Pai Eterno esteve sempre abençoando este punhado de abnegados, que roubando horas de seus afazeres ou a seus ócios, contribuíram grandemente não só para o recreio espiritual e aprimoramento estético, cultivando o que há de mais nobre e salutar  em nosso espírito, o gosto do belo.
                                 Em 1997 houve em Rosal, magnífica e esplendorosa festa, com extenso e bem elaborado programa para comemorar os 75 anos da sua tão importante Corporação Musical. De parabéns todos aqueles que se empenharam para a concretização do notável evento: o então Presidente Petrônio Gonçalves Figueiredo, o Tesoureiro Geraldo Roseira Soares, demais membros da Diretoria, o competente Regente, Maestro José Luiz Vargas, os componentes da Lira e toda a comunidade rosalense. Foi apoteótica a execução do dobrado “Capitão Caçula” (um dos meus preferidos, quando pego o acordeão é com ele que faço o aquecimento) e do Hino Nacional por todas as bandas; protofonia que encheu de vibração  o ar  com o som de palhetas, metais e percussão elevando-nos aos distantes páramos dos sonhos da nossa infância, e do magistral sonho de Luís Tito de Almeida (fundador), belamente realizado. 
                             Fabiana Morais,  Anselmo Júnior Borges Nunes, o Maestro Cely Tinoco, Regente da Banda e Professor de Música na sede da Entidade, o Presidente Ailton Alves e demais componentes da Diretoria, Luiz Tito Nunes de Almeida e demais músicos e muitos outros apoiadores e incentivadores da emérita Entidade são dignos das mais significativas homenagens e de efusivos aplausos pois estão dando seguimento àquela linda História iniciada em 1922. Dentre os músicos da nova geração destaca-se Davi,  filho de Fabiana, com apenas dez anos.
                       Nas comemorações dos noventa e cinco anos o Reconhecimento merecido e justo da Câmara Municipal de Bom Jesus do Itabapoana, por iniciativa do Vereador Paulinho do Adílio conforme ele mesmo declara: “É com imensa alegria e muito prazer que às vésperas da Lira 14 de Julho completar 95 anos de existência, venho informar que através de uma lei de minha autoria a nossa querida Lira 14 de Julho, que é orgulho dos rosalenses e de todos os que conhecem Rosal, tornou-se um PATRIMÔNIO CULTURAL, IMATERIAL, SOCIAL E TURÍSTICO do nosso Município. Bem mais que ser homenageada é merecidamente ser reconhecida, agora, através desta lei, já sancionada pelo Prefeito Roberto Tatu, a Lira está apta a receber recursos através de convênios nos âmbitos Municipal, Estadual e/ou Federal.” 
                              Parabéns, Vereador Paulinho, pela feliz iniciativa, nossos agradecimentos pelo relevante feito. Deus, Nosso Senhor, o abençoe juntamente com sua linda família.
                   AVANTE, LIRA AMADA! Aguardamos ansiosos pelas comemorações do CENTENÁRIO!!!

quinta-feira, 6 de julho de 2017

O APÓSTOLO DO BRASIL (Publicado no Jornal "O NORTE FLUMINENSE" - 30 de junho de 2017)

O APÓSTOLO DO BRASIL
                                                                                            Vera Maria Viana Borges
            Os dias avançam e praticamente meio ano já se foi. Chegou junho, mês consagrado ao SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS. Mês de tantos santos e de tantas festas, Santo Antônio, São João, São Pedro, São Paulo e dentre outros São José de Anchieta, comemorado no dia nove, um padre jesuíta espanhol, santo da Igreja Católica e um dos fundadores da cidade brasileira de São Paulo. Beatificado em 1980 pelo Papa João Paulo II e canonizado em 2014 pelo Papa Francisco, é conhecido como o Apóstolo do Brasil, por ter sido um dos pioneiros na introdução do cristianismo no país. Em abril de 2015 foi declarado copadroeiro do Brasil na 53ª Assembleia Geral da CNBB. Foi o primeiro dramaturgo, o primeiro gramático e o primeiro poeta nascido nas Ilhas Canárias. Foi o autor da primeira gramática da língua tupi, e um dos primeiros autores da literatura brasileira, para a qual compôs inúmeras peças teatrais e poemas de teor religioso e uma epopeia. É o patrono da cadeira de número um da Academia Brasileira de Música e Patrono da Academia Marial de Aparecida/SP, instituição idealizada e estruturada pelo Cônego João Correia Machado. Foi criada por Decreto do então Arcebispo de Aparecida, Dom Geraldo Maria de Moraes Penido, em 16 de julho de 1985, por ocasião do XI Congresso Eucarístico Nacional. Foi instalada no dia 21 de dezembro do mesmo ano. Em 6 de maio de 1985, o Bem-aventurado Padre José de Anchieta, primeiro escritor de Nossa Senhora no Brasil, foi declarado, por Decreto Pontifício, Patrono da Academia Marial. Em 1997 foi comemorado o IV Centenário de sua morte e mais vinte anos já se passaram.
              O Padre José de Anchieta nasceu a 19 de março de 1534 em La Laguna de Tenerife, Ilhas Canárias. Aos 17 anos ingressou na Companhia de Jesus, recém-fundada por Santo Inácio de Loyola. Chegou ao Brasil em 1553, na comitiva do segundo Governador-Geral, D. Duarte da Costa.  Em janeiro de 1554, foi a Piratininga (berço da futura cidade de São Paulo), para ser o primeiro mestre do Colégio São Paulo. Aos 25 anos tornou-se Reitor do Colégio de São Vicente e aos 43, Provincial da Ordem. Onze anos mais tarde transferiu-se para o Espírito Santo.
            Apreciando a figura de Anchieta, deve-se considerar dois aspectos: a obra social de longa existência benemérita e a literária, não só de poeta, mas também de dramaturgo.
           Falava e entendia o “tupi”, chegando a escrever a “Arte de Gramática da Língua Mais falada na Costa do Brasil” (1595). Acompanhou o Padre Manuel da Nóbrega na missão pacificadora à Praia de Iperoig, hoje Ubatuba-São Paulo. A paz foi firmada; a essa época compôs o seu Poema à Virgem Maria, escrito pelo Padre nas areias da Praia de Iperoig, guardando-o de memória para passá-lo para o papel em São Vicente.
          Para a tarefa missionária valia-se da Poesia e do Teatro, em vez da teoria preferia a prática, encenada em palco, difundida através da Poesia. O poeta e dramaturgo é tido como o iniciador, o fundador da literatura brasileira.
         Seus autos visavam despertar e conquistar o índio pelos sentidos, usando espetáculos cênicos, a música e o canto, nos adros das igrejas, nas aldeias, nas cidades, nos colégios, em palcos armados com estrados, onde contrastavam-se o Bem e o Mal, Deus e o Diabo, O Céu e a Terra, a Vida e a Morte, o Prêmio e o Castigo, o Pecado e a Santidade, a Salvação e a Condenação. Iniciou também a poesia lírica brasileira. Suas principais obras são: Ao Santíssimo Sacramento, A Santa Inês e o longo Poema, escrito em latim “ Bem-aventurada virgem mãe de Deus-Maria” e “Cartas” (edição Da Academia Brasileira de Letras e comentários de Afrânio Coutinho),com estilo agradável e preciosas informações.
           Em janeiro de 1565 desembarcou na Praia Vermelha, junto ao Pão de Açúcar, daí seguiu para Bahia e Pernambuco e depois para o Espírito Santo.
              No dia 15 de agosto de 1579 recebeu a imagem de Nossa Senhora da Assunção em Rerigtiba, atual cidade de Anchieta-ES com a apresentação do auto “Dia da Assunção” de sua autoria.
                 Em 1585 fundou a aldeia de Guaraparim, sob a proteção de Nossa Senhora da Conceição, escrevendo para a inauguração o mais expressivo auto tupi- “A Alma de Pirataraka”.
               Muitas foram as comunidades fundadas por ele no Espírito Santo, dentre elas destacam-se- São João de Carapina (1562); Nova Almeida, anteriormente denominada Reis Magos (1569); Rerigtiba, hoje Anchieta (1579) e Nossa Senhora da Conceição de Guaraparim, atualmente Guarapari (1585).
             Aos nove de junho de 1597 faleceu na aldeia de Rerigtiba, aos sessenta e três anos, sendo que quarenta e quatro deles, vividos no Brasil. Seu corpo foi levado em ombros indígenas, por quatorze léguas em três dias de caminhada, e o corpo do Santo Missionário chegou à Vila de Vitória, inalterado e conta-se que ninguém sentiu cansaço.
             Foi sepultado na Igreja de São Tiago anexa ao Colégio dos Jesuítas, atual Palácio do Governo. Seus ossos foram trasladados em parte para o Colégio da Bahia e para Roma, no ano de 1611 e em 1617 foram iniciados os processos de Beatificação e Canonização. Em 1736 foi declarado “Venerável” pelas virtudes exercitadas em grau heróico e em 1980 foi Beatificado o defensor dos Índios, o Santo Missionário e Apóstolo do Brasil. Após um processo de canonização de mais de 400 anos, o decreto foi assinado a 3 de abril de 2014. Em 24 de abril realizou-se a cerimônia de Ação de Graças, presidida pelo Papa, realizada na Igreja de Santo Inácio de Loyola de Roma. 
              No mês de junho uma multidão participa da caminhada festiva promovida pela Associação dos Amigos dos Passos de Anchieta.  A sua disposição em caminhar o levava a percorrer, duas vezes por mês, a trilha litorânea entre a então Rerigtiba (atual Anchieta) e a ilha de Vitória, com pequenas paradas para pregação e repouso nas localidades de Guarapari, Setiba, Ponta da Fruta e Barra do Jucu. Modernamente, esse percurso, com cerca de 105 quilômetros, vem sendo percorrido a pé por turistas e peregrinos, à semelhança do Caminho de Santiago, na Espanha.
               Vale a pena visitar o Santuário Nacional de São José de Anchieta e o Museu Nacional também em ANCHIETA/ES. Num grande pátio há um busto do Santo sob uma frondosa castanheira. Uma igreja histórica bem conservada, o museu, podendo-se ainda desfrutar de belíssima vista para o mar. Um  passeio histórico, cultural e religioso onde podem ser vistos  objetos relacionados a ele, suas RELÍQUIAS, um pedaço de sua tíbia e a cela onde faleceu. Um lugar agradável, onde se passa a limpo várias páginas da História do Brasil.
                 Em visita ao paradisíaco litoral capixaba, atravessando o Rio Benevente, há um lindo MONUMENTO, uma estátua em bronze, de corpo inteiro, na praia do centro de Anchieta onde se pode reverenciar o Santo Missionário e Apóstolo do Brasil.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

MÃE POR EXCELÊNCIA (Publicado no Jornal "O NORTE FLUMINENSE" - 31 de maio de 2017)

MÃE POR EXCELÊNCIA
                                                                                                Vera Maria Viana Borges 
                       Lépido e fagueiro chega o mês de maio revestido de tanto encantamento, transbordante de amor maternal.  Mês das Mães e da “MÃE das MÃES”, de infinitas bênçãos mariais.  Festivo o bimbalhar dos sinos que soam  prenunciando a Ave- Maria, para a reza do terço, do novenário e das ladainhas. Época de reflexão e adoção de firmes propósitos futuros, convictos na aceitação da vontade de Deus, com a graça e carinho de Sua Santa Mãe. Este maio é ainda mais festejado. No dia 13, comemora-se o Centenário das Aparições de Nossa Senhora em Fátima. A Festa da Virgem de Fátima é uma das celebrações marianas mais conhecidas no mundo inteiro, em memória à primeira aparição de Nossa Senhora em 1917 nas colinas da Cova da Iria (Portugal), a três pastorinhos, Lúcia dos Santos e seus primos Francisco e Jacinta Marto. 
                            “Nossa Senhora é a Virgem de Nazaré, que viveu com seu esposo José, na Palestina, há mais de dois mil anos  (Lucas 1, 26-33).  Conforme a Bíblia, especialmente os Evangelhos, Maria recebeu de Deus a missão de ser Mãe de seu Filho, Jesus Cristo, que se fez Homem e veio ao mundo para nos salvar (Lucas 1, 30-33; Mateus 1, 2-3; Gálatas 4, 4). Nossa Senhora, durante toda a sua vida, assumiu a missão que lhe fora confiada por Deus, entregando-se, com todo o seu ser, à obra libertadora de seu Filho, Jesus Cristo, conforme lemos no Evangelho de  Lucas (1, 38): “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim  segundo a tua palavra.” Nossa Senhora foi mãe, discípula e associada à obra redentora de Jesus, daquele que foi enviado pelo Pai do Céu para anunciar o reino de Deus e libertar as pessoas do pecado e de suas consequências  (Marcos 3, 31-35; Lucas 1, 38).”
                              “Cheia da graça de Deus, Maria, concebendo Jesus Cristo, pelo poder do Espírito Santo, foi mulher de fé, humilde e generosa, praticou a caridade, sempre forte na esperança e alegre na dedicação ao projeto do Pai (Lucas 1, 45-55; 2, 35)”. E nós, como somos? Temos fé? Somos humildes e praticamos a caridade, somos fortes e alegres, nos submetemos à vontade do PAI? Vivemos a exemplo da Família de Nazaré? Na era dos avanços tecnológicos e da busca desenfreada do prazer e do sucesso pessoal, fala-se muito do "eu" e quase nada ou nunca do "nós". Quando se afirma que no mundo já não existem fronteiras, a solidão nos ataca de forma inexorável.
                          A humanidade está vivendo um período de profundas transformações, devido a vários fatores: o progresso, a globalização, a industrialização, a difusão dos meios de comunicação social e outros. Tais transformações afetaram  em muito a vivência familiar. O tempo de convivência entre os membros da família tem diminuído assustadoramente. Antigamente, o papel de cada familiar era bem definido. A mãe cuidava da casa e dos filhos enquanto o pai ia trabalhar para o sustento da família. No caso da Família de Nazaré, José era carpinteiro. Hoje é diferente, tudo obedece à lógica da técnica, da produção, da economia e da modernização.  O ser humano  passou  a  ter valor para a sociedade, apenas em função da sua produtividade e de sua eficiência. A partir do momento em que não tem mais capacidade produtiva, o ser humano perde o seu valor, tornando-se "descartável".
                               O diálogo em família não é valorizado porque não gera dinheiro e os laços afetivos se desfazem. O que se torna mais importante é o "carro do ano”, a "roupa da moda", os últimos modelos do Computador, do Videogame, Celular, Tablets e as Novelas. O amor é a herança mais preciosa que os pais deixam para os filhos. Pode ser ensinado em cada momento da vida. Sobretudo nos momentos de crise. Maria, exemplo de Mãe! Imaginemos a casa de Nazaré em sua simplicidade, mas impregnada de amor. Amor que é respeito, compreensão e acolhimento. Maria assume com alegria as funções do lar. Cuida da casa, da alimentação e  tece túnicas. Faz tudo com suas próprias mãos. Cuida da formação religiosa do Menino Jesus. Quanto poderemos aprender! Infelizmente muitas vezes, nós não conseguimos enxergar a grandeza e a dignidade da família. O trabalho doméstico delegamos a terceiros, a educação e formação dos filhos é delegada às escolas, os problemas de ordem emocional são encaminhados aos psicólogos e pedagogos. É pela falta de Deus no seio das famílias, pela falta de amor, compreensão e diálogo e falta de conhecimento do que verdadeiramente seja uma família, que os problemas surgem nela.
                             Quando falamos na Virgem Maria, somos incapazes de ver a sua humanidade. Nós a imaginamos fora da realidade do mundo,  entretanto ela viveu como qualquer mulher do seu tempo, com seus afazeres e responsabilidades, em sintonia com o Criador, cultivando em seu coração a graça que lhe permitiu conceber e gerar o Filho de Deus. Estava em oração no momento da Anunciação e pode conhecer a Vontade do Pai  através do que lhe fora dito. Foi a uma cidade de Judá, distante de Nazaré para servir à prima Isabel. Não esperou ser servida. Foi servir.  Sempre solícita e carinhosa. Nas Bodas de Caná faltou o vinho. Os noivos ficariam envergonhados e  mesmo sabendo que não era chegada a hora de Jesus, não  se conteve e na bondade de seu coração materno dirigiu-se ao Filho: Não há mais vinho! ELA disse então aos serventes: “Fazei tudo o que ELE vos disser” e assim ELE realizou o primeiro milagre. Maria é a AURORA que chega clareando a tudo e a todos e com sua formosura anuncia o SOL , o seu amado Filho JESUS.
                                 Maria de ontem, Maria de hoje. Maria da Paz. Maria do Amor. Maria dos grandes  santuários. Maria da singela capelinha do interior, na mais alta serra. Maria dos lares. Maria, nossa força, nossa luz, nosso conforto e guia. Maria de todos os nomes e de todas as raças. ELA É UMA SÓ. A cada lugar onde veio nos visitar ou intercedeu por um milagre, ela recebeu um título, um nome para lembrar o precioso momento. Ela será sempre NOSSA SENHORA, sempre a mesma, Mãe de Jesus e Nossa. Ela abraça as nossas dores e é de fato a nossa Voz no Céu. Faltando em nossas vidas, o vinho do Divino Amor, do abandono, da confiança, da paciência nas tribulações, recorramos à Mãe  e não seremos confundidos. Ela pedirá a Jesus que faça o prodígio de CANÁ, e ELE encherá as talhas de pedra dos nossos corações com o vinho generoso e bom do Seu Divino Amor.
                          Nas Comemorações deste CENTENÁRIO, lancemo-nos nos braços de Maria e deixemo-nos acariciar por Ela. Depositemos nossas cabeças em seu colo. No colo da mamãe, da querida mãezinha, da MÃE POR EXCELÊNCIA.
                                   SALVE MARIA!!!

segunda-feira, 1 de maio de 2017

REENCONTRO (Publicado no Jornal "O NORTE FLUMINENSE" - 30 de abril de 2017)

REENCONTRO
                                                                                                   Vera Maria Viana Borges
Não há como escapar à sistemática ação do tempo, suas sentenças são irrevogáveis. O tempo é deveras irreversível. O que passou, passou. Há tempo de semear e tempo de colher. As belas e claras manhãs de abril, as delicadas tardes de maio e as esplendorosas noites de junho, já transcorridas, passaram e não voltam mais,  assim como as águas passadas de um rio que não tocam mais moinhos. As estrelas, o luar, o sol, a chuva, o arco-íris, o canto dos pássaros, o marulhar das ondas o canto das fontes, já vistos e ouvidos, nunca mais serão os mesmos. Haverá outras cintilações que inspirarão outros sentimentos. As palavras de amor, já ditas, jamais serão as mesmas, poderão até serem advindas do mesmo afeto, da mesma ternura, direcionadas à mesma pessoa, mas serão outras, ainda que evocadas das primeiras palavras de amor. As flores que brotaram já murcharam, as plantas que nasceram já morreram, mas outras plantas virão e sempre haverá flores. O tempo gera, cria e nutre. Ele cura, exalta e envelhece. Nada volta, mas tudo recomeça.
A nossa existência, é um caminho só de ida, sem volta. Enquanto caminhantes desta  jornada, de cabeça erguida, rodeados de amigos seguimos agradecidos ao POETA MAIOR, o CRIADOR de todas as coisas que colore nossas vidas com as cores do arco-íris, com o suave azul do céu, com o dourado resplendente do Sol, com a luz prateada e doce da lua, e com o cintilar intenso das estrelas. ELE nos permite sonhar. Nem tudo na vida será mar de rosas, muitas vezes travaremos lutas diárias em que se precisa matar um leão a cada dia, mas mesmo assim não podemos deixar que morram  os nossos sonhos.  A palavra de ordem é não desanimar. Podemos até chegar ao fim da estrada cheios de cicatrizes, mas estas serão luzes e teremos na bagagem um acúmulo de experiência. 
Assim caminha a humanidade: somos gerados, nascemos, crescemos, estudamos, trabalhamos, casamos, temos filhos. Em nosso caso, eu Professora e meu marido funcionário do Banco do Brasil fomos morar em Santo Antônio de Pádua/RJ onde nasceu o nosso filho, paduano de nascimento e bonjesuense de coração e por direito outorgado pela Câmara Municipal de Bom Jesus do Itabapoana. Sempre valorizamos o nosso trabalho e nossos empregadores. Dizíamos sempre, o Banco não é apenas um pai, na verdade ele é MÃE para nós. É datado de 12 de outubro de 1808 o Alvará (a Lei) que criou o Banco do Brasil, a primeira Instituição Bancária de nosso país e nestes duzentos e sete anos transcorridos, vem inovando através das experiências colecionadas, participando assim entusiasticamente da História e da Cultura nacionais. Solidez, credibilidade, segurança e modernidade são suas marcas registradas. Uma ESCOLA para a VIDA de cada funcionário, essencial para a consolidação na formação pessoal e profissional, aprimorando-se-lhe o caráter e a personalidade. 
Em 1939 aconteceu a Emancipação Política de nosso Município e em 27 de setembro de 1941 foi aberta a Agência do BANCO DO BRASIL, um marco na história bonjesuense. O primeiro Gerente foi Fausto Guerra Rêgo. No final de 1974 meu marido foi transferido para cá. Voltamos à Santa Terrinha e em 1991 participamos com entusiasmo das comemorações de meio século da Agência que tantas benesses trouxe às Terras do Senhor Bom Jesus.  São decorridos setenta e seis anos e aquele vilarejo, recém-emancipado, cresceu sem perder as características de cidade do interior. Cidade e Banco caminharam juntos, e que possam ambos continuar trilhando novos caminhos que os leve rumo ao desenvolvimento de um novo tempo.
Aqui de volta, encontramos a FAMÍLIA BB de BOM JESUS. Nossos filhos foram criados juntos, estudando nas mesmas Escolas. O Esporte e Recreação tiveram  destaque especial na AABB grande incentivadora de crianças e jovens à prática esportiva. Como esquecer as aulas de natação com Ruyzinho (Ruy Castro)? O Clube muito bem instalado, em local privilegiado de onde se tem uma vista maravilhosa do tranquilo Rio Itabapoana dividindo os Estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, com visão panorâmica das duas Bom Jesus. Ali participamos de memoráveis festas. Reencontramos velhos amigos que nem o tempo, nem a distância arrefeceram o sentimento de carinho da verdadeira amizade e fizemos novos amigos que entraram em nossas vidas e se tornaram inesquecíveis. Tudo passa, nada é estático, sendo assim, alguns queridos partiram para a Morada Eterna  e outros se foram em busca de novas conquistas. Ao partir buscando novos desafios, descortinavam-se novos horizontes, olhava-se além. Após tantos anos, hoje, nossos olhares se cruzam e detêm tranquilamente aquilo que passou. Revisitamos nossos hábitos cotidianos e recordamos comovidos aqueles tempos áureos,  gloriosos, ditosos e saudosos.
Os anos passaram velozes. No recôndito dos corações e no repositório fiel das memórias ficaram gravadas muitas lembranças. Há coisas que ficam e que delas jamais esquecemos. Estas doces reminiscências deixaram a Carminha (Maria do Carmo Figueredo) desejosa de fazer um encontro com todos os colegas. O pontapé inicial demorou a acontecer, mas finalmente foi dada a largada. Com Arlene Saboia, Marilaine Oliveira e outros colegas, foram iniciados os trabalhos. Alba Lívia Travassos chegou do Canadá movimentando. Adney construiu a página  “Família BB Bom Jesus do Itabapoana” no Facebook e cada membro desse grupo está se empenhando em divulgar, multiplicando  os convites e a GRANDE FAMÍLIA está se reencontrando e se unindo para o I ENCONTRO dos FUNCIONÁRIOS e COLABORADORES do BANCO do BRASIL da AGÊNCIA de BOM JESUS DO ITABAPOANA/RJ  que  acontecerá na AABB no dia 27 de maio de 2017.  A euforia é geral.
É muito bom fazer novos amigos mas é maravilhoso reencontrar as antigas amizades. A conversa se estende relembrando os velhos tempos com centenas de histórias engraçadas. Antes os assuntos eram trabalho, carreira,  filhos, agora certamente baseiam-se em filhos, netos, quiçá bisnetos e viagens, podendo ainda girar num jogo de comparações: “...rapaz, você continua bem como antigamente”. “Parece que o tempo não passou para você...” Trocas de amabilidades.
Na ciranda dos dias e das noites esperamos pela festa. Reencontraremos sim, os amigos, os sentimentos, as saudades, mas também encontraremos uma parte de NÓS que estava esquecida no tempo. E será tão bom, tão maravilhoso que certamente diremos: Por que não foi realizado há mais tempo? Claro, haverá promessas e planos para os próximos ENCONTROS.
No vai e vem da vida, o MOMENTO MÁGICO se aproxima e empolgados aguardamos ansiosos. Dizem que o melhor da festa é esperar por ela, mas neste caso o transcendentalismo do momento superará toda e qualquer expectativa. Tenho plena certeza disto. SERÁ ESPLENDOROSA A FESTA!

terça-feira, 28 de março de 2017

TALENTOS QUE SE ATRAEM (Publicado no Jornal "O NORTE FLUMINENSE" - 24 de março de 2017)

TALENTOS QUE SE ATRAEM
                                                                                       Vera Maria Viana Borges
                Revendo antigas correspondências, emocionei-me ao encontrar duas amabilíssimas cartas de agradecimento de amigos tão queridos que já partiram para junto de Deus. É indeclinável dever honrarmos aos abnegados que por próprios méritos fizeram jus à admiração e à gratidão de seus semelhantes. E estes dois souberam dignificar as Artes e a Literatura em Bom Jesus. Amílcar Abreu Gonçalves, um músico de grande talento, um virtuoso, uma das figuras de maior projeção na música. Edison Chaves, renomado Dentista, laureado Professor e Sonetista de escol, garimpeiro de valores construtores da identidade social e cultural de Bom Jesus a quem  retratava e enaltecia com sensíveis e delicados versos. Transcevo, comovida, ambas as missivas:
                              AMÍLCAR ABREU GONÇALVES- Bom Jesus do Itabapoana-RJ: 
                            “Os meus melhores agradecimentos pelo envio de seu Boletim Alternativo, número 9. Sinto-me muito feliz e honrado por ter em meu poder todos os “Astros & Estros”, desde a sua fundação, cujos recebimentos sempre foram acusados através de telefonemas. Porém, este o faço por escrito, reconhecendo que todos são de altíssimo nível cultural. 
                 Fiquei muito emocionado ao ler o referido boletim, pois, você publicou a belíssima crônica “TALENTOS QUE SE ATRAEM”, cujo artigo teve sua origem através do soneto intitulado “UM FINO INSTRUMENTISTA” de autoria do talentoso Dr. Edison Chaves, grande orador, poeta, confrade e parceiro de sinuca, esporte este considerado uma arte.
                 Você Vera, é uma consagrada escritora e artista, ilustre poetisa, brilhante cronista, compositora, excelente na pintura a óleo, com belos quadros expostos em sua aprazível residência, musicista, grande declamadora, dona de reconhecidas virtudes e de uma personalidade iluminada por Deus.
                         Por seu trabalho e dedicação em “Astros & Estros, como fundadora, editora e redatora desse extraordinário meio de comunicação com tantas conquistas, tudo isto a enobrece, tornando-a uma pessoa realizada e merecedora das maiores homenagens. 
                       Minha admiração pelo seu desempenho literário e artístico, tendo ao seu lado o esposo dedicado e amigo José Roberto e o querido filho Sávio, familiares que sempre me dispensam as melhores atenções.
                     Vera, obrigado, muito obrigado pela publicação de sua crônica “Talentos que se atraem” enriquecida com palavras tão gentis a meu respeito. Trata-se realmente de uma homenagem das mais expressivas que já recebi ao longo desses meus 72 anos tão bem vividos, graças a Deus.
              Finalmente, venho parabenizá-la pelo sucesso do seu jornal “ASTROS & ESTROS”, desejando-lhe juntamente com seus familiares, muita luz, muita saúde e muita paz.”
                        EDISON CHAVES- Bom Jesus do Norte-ES: 
                     “Eu sei que você é uma excelente poetisa e muito competente redatora, mas não sabia que você é uma pena admirável quando escreve uma crônica que realça o sentimento das pessoas. 
                    Fiquei profundamente sensibilizado com a crônica “Talentos que se atraem” que você escreveu no seu extraordinário Boletim Alternativo “ASTROS & ESTROS”, de número  09, destacando a amizade e a admiração que existe entre mim e o grande musicista Amílcar Abreu Gonçalves.
                     Além de suas belíssimas palavras, você me concedeu a honra de publicar, nesse mesmo Boletim, o modesto soneto que fiz em homenagem ao bom Amílcar. Peço-lhe que aceite o meu sincero agradecimento, desejando que nunca lhe falte a exuberante inspiração que você possui para compor em prosa ou em verso.
                      Muito Obrigado!”
               A seguir o texto que me proporcionou guardar destes diletos amigos, estas sublimes lembranças. 
                “TALENTOS QUE SE ATRAEM” ( Publicado em ASTROS & ESTROS em fevereiro de 1997): 
                     “O macio dedilhar nas cordas do violão, o mágico toque dos dedos no teclado, a suavidade dos maviosos acordes, a explosiva inspiração que fervilha no sangue dos poetas, externam sentimentos dos artistas desnudando suas almas, o mais das vezes límpidas, translúcidas, puras, calmas, decorrente da bondade de seus corações. 
                Os músicos e poetas são talentos que se atraem. No extravasamento de suas emoções, não se calam ao Belo e ao admirá-lo e enaltecê-lo acabam por produzirem belíssimas peças musicais, poéticas, oratórias e num entrelaçamento de ideais, caminheiros da mesma jornada, confraternizam-se através da Arte. 
                 Amílcar Abreu Gonçalves, musicista, compositor, de natureza afável, solícito, acontece em todos os eventos culturais da região com suas magníficas composições, interpretações e auxiliando aos amigos poetas com delicados, artísticos e belos fundos musicais. 
                    Edison Chaves, orador, poeta, cidadão sensível, não se calando diante dos feitos dos ilustres de sua terra, produz sempre admiráveis páginas em apreço aos confrades e amigos e ao extraordinário violonista e tecladista, confrade, amigo e parceiro de Sinuca, Amílcar, homenageia com o bem elaborado decassílabo que segue: “UM FINO INSTRUMENTISTA// Pessoa de alma nobre e educada,/ cujas mãos são de grande habilidade,/ merece ter bastante realçada/ a sua forte dose de humildade.// Na sinuca é brilhante na tacada,/ onde fez nome desde a mocidade,/ mas sua vocação é decantada/ na música que ele ama de verdade.// É o AMÍLCAR, um fino instrumentista/ que veio a se tornar especialista/  no teclado e também no violão.//  Eu me orgulho de ser um seu confrade/ e espero conservar sua amizade/ enquanto resistir o coração.”
           Músicos e poetas, são tantos por este Brasil e por este mundo. Talentos que se atraem, se afinam e juntos nos proporcionam em parcerias as tantas páginas dos CANCIONEIROS, com encantáveis letras e melodias, sem contar o espetáculo mavioso dos fundos musicais nas declamações das mais ternas poesias.
               Amílcar e Edison, talentos que individualmente nos brindam com suas produções, iluminando o Universo das Letras e das Artes com a luz de seus dons, a quem o UNIVERSO se queda agradecido.”
             No gozo da Vida Eterna, vinte anos após, ambos estão em direto contato com o coro e a literatura maior dos Anjos e Santos na presença de Deus, Nosso Senhor. O Céu por certo se alegra com suas presenças. 
             DESCANSEM EM PAZ!!!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

VEM AÍ O CARNAVAL!

VEM AÍ O CARNAVAL!

                                                                                       Vera Maria Viana Borges
            
                            Vem aí o Carnaval! A maior festa popular do país tem ritmo para todos os gostos. A bateria é o combustível para todas as pessoas que desfilam e atualmente o TRIO ELÉTRICO arrebata multidões. Chega-se a dizer: “Atrás do Trio Elétrico só não vai quem já morreu”. Os Antigos Carnavais eram de confetes, serpentinas, de ingênuas marchinhas, marchas-ranchos, sambas-canções, frevos e sambinhas animados. Eram carnavais de belas fantasias: odaliscas, colombinas, pierrôs, arlequins e baianas. Como esquecer o frevo EVOCAÇÃO composto por Nelson Ferreira? Tornou-se execução obrigatória em qualquer festa carnavalesca e, mesmo nos dias atuais, é comum encontrar-se grupos de foliões cantando animadamente a uma só voz: Felinto, Pedro Salgado, / Guilherme, Fenelon, / Cadê teus blocos famosos! / Blocos das Flores, Andaluzas, / Pirilampos,  Apôis Fum/ dos carnavais saudosos?!
                                Nestes dias que antecedem o carnaval temos vivido momentos difíceis. Com a popularização das redes sociais e dos aplicativos para dispositivos móveis, a informação nos chega em tempo real, está cada vez mais ágil e as notícias nem sempre são as melhores, são estarrecedoras. Se ligamos o rádio ou a televisão, abrimos jornais ou revistas, só ouvimos falar de crise, de corrupção, de desmandos, de desgovernos. Uma nuvem negra está cobrindo o Brasil. O Estado do Espírito Santo, tão belo e promissor está vivendo horrores. Cidades sem policiamento devido a uma paralisação dos Policiais Militares.  Cidades invadidas por bandidos, com arrastões e depredações. Pessoas presas em lojas, shoppings e restaurantes. Ônibus queimados, tiroteios e em cinco dias já há recorde de homicídios. Noites de terror. Moradores assistindo impotentes de suas janelas do alto dos prédios, os saques e os assaltos. Pior ainda para os que moram em casas, para os comerciantes e para os que precisam se locomover para maiores necessidades e têm que atravessar o fogo cruzado. Comércio, Escolas, Bancos, tudo fechado. É uma tremenda desordem. CAOS TOTAL!!! O Governo Federal enviou as FORÇAS ARMADAS para VITÓRIA. E o resto do Espírito Santo, e o resto do Brasil? A população se tornou refém da bandidagem. As pessoas engaioladas em casa e os bandidos soltos. O cidadão decente aprisionado e o bandido livre para o que der e vier. Triste a situação de uma senhora que chorava por não ter o que servir no café da manhã de suas crianças. Quantos necessitando de médicos, hospitais e outros serviços?  Por outro lado vemos o sofrido empresário brasileiro, aquele que batalha, comprando e vendendo. Vende fiado, toma prejuízo, luta para sustentar a família. Quem vai  arcar com os danos daquele que acorda cedo porque tem que honrar os compromissos e paga IPTU, IPVA, IR, ICMS, PIS, Cofins, INSS, FGTS e mais outras letras combinadas, abastecendo os cofres públicos e talvez sustentando o luxo de alguns políticos corruptos. 
                               Neste clima angustiante, não há como fugir e passar despercebida toda esta problemática.  Que o Divino Espírito Santo ilumine nossos governantes para que solucionem em paz e harmonia todos estes embates. Desconheço o autor, mas achei  muito interessante  para este momento de crise o pequeno texto que encontrei no Facebook: “Um Estado tão lindo chamado ESPÍRITO SANTO se apega com FÉ Naquele que é Santo e torce para que o nome de sua capital seja a resposta de nossas orações: VITÓRIA!” Que tudo se esclareça e seja resolvido com diálogo, sem mortes (mesmo porque isto já houve demais), guerras, tiroteios e invasões. Pedimos a Deus para dar SABEDORIA e discernimento aos representantes do Poder Público, às famílias e Policiais do Estado do Espírito Santo. Haja mais PAZ e mais AMOR.  
                             Que essa onda de violência passe e tudo volte ao normal e a vida possa seguir tranquila. Que o CARNAVAL transcorra na mais perfeita ordem e que seja somente: Alegria! Alegria!  Que os foliões brinquem com moderação. Muitos deles passam quatro dias entorpecidos pelo álcool, numa falsa alegria que só termina na quarta-feira de Cinzas e estes nem aproveitam a festa. Outros, graças a Deus a maioria, têm limites e se contagiam com as músicas, com as brincadeiras, com os Blocos e Escolas de Samba.
                            Carnaval vem do latim “carnelevament” mudado depois em “carnevale”. Diz-se que o carnaval teve origem no Egito, mais de dois mil anos antes de Cristo. Segundo alguns autores ele foi inspirado nos rituais das festas de Ísis e em honra de Dionísios, na Grécia. A primeira música, especialmente composta para o carnaval foi “Ô ABRE ALAS”, de Chiquinha Gonzaga, em 1899: “Ô abre alas/ Que eu quero passar/ Ô abre alas/ Que eu quero passar/ Eu sou da lira/ Não posso negar/ Eu sou da lira/ Não posso negar/ Ô abre alas/ Que eu quero passar/ Ô abre alas/ Que eu quero passar/ Rosa de Ouro/ É que vai ganhar/ Rosa de Ouro/ É que vai ganhar...”  Foi composta para o cordão carnavalesco “ROSA de OURO”, assim chamado pelo presente enviado pelo Papa Leão XIII à Princesa Isabel, pela promulgação da Lei Áurea. “Ô Abre Alas é a composição mais conhecida de Chiquinha, e a de maior sucesso. Ela a compôs aos cinquenta e dois anos e já era avó. Entre os anos 1901 e 1910 foi grande sucesso nos carnavais. 
                            Em Bom Jesus temos magníficas lembranças de ditosos e saudosos carnavais. Aguardamos com ansiedade e muita expectativa a edição de 2017. Este reinado momesco promete. O ilustre SECRETÁRIO DE CULTURA, TURISMO E URBANISMO de nosso Município, o nosso Artista Maior, Raul Travassos,  nos conclama: “O Carnaval é um sentimento que emana do povo. Não são os governantes que o fazem existir. Nós é que o fazemos!!! E podemos fazê-lo com entusiasmo e bom gosto, sem gastar dinheiro.” E, ele prossegue: “Não temos verbas para fazer um grande Carnaval mas temos espírito saudável de alegria suficiente o bastante para que ele exista! A maior festa cultural, popular do planeta. Vamos todos juntos tentar resgatá-la em Bom Jesus. Vamos fazer um CARNAVAL DA FAMÍLIA BONJESUENSE!!! PARTICIPE!”  Ele já nos encantou tantas e tantas vezes, neste eu confio. Nas mãos do RAUL, SUCESSO GARANTIDO!!!
                               A nuvem negra vai passar. Somos uma nação privilegiada. Temos uma alma fecunda que se agiganta nos momentos mais difíceis. Nossa Terra nasceu sob o signo da CRUZ, nosso primeiro nome foi “Terra de Santa Cruz” e ela se prima pela exuberância da natureza e o encanto do seu povo. Não podemos negar, temos muitos problemas, mas somos fortes, naquela Primeira Missa celebrada em nosso solo muitas bênçãos foram derramadas. Somos uma nação cujo “DEUS É O SENHOR”. “O Senhor é nossa força e nossa proteção.” 
                                BOM CARNAVAL!!!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

APOSENTADORIA

APOSENTADORIA
                                                                                       Vera Maria Viana Borges
      
                                    A MATURIDADE é o alvorecer da SABEDORIA e a plenitude do homem. Ela contribui para a beleza e harmonia do lugar e proporciona a distribuição de talentos para todos aqueles que o habitam.  Só envelhece quem perde o interesse pela vida, quem deixa de sonhar, de procurar novos caminhos e novos mundos para conquistar. Deixando a mente aberta a novas ideias e a novos interesses, descortinando novos horizontes, permitindo que penetre o brilho do Sol e a inspiração de novas perspectivas de vida, haverá a possibilidade de se estar sempre jovem e com força vital. O elixir da vida está em cultivar o que foi bom e seguir novas direções no trabalho, na alegria de viver e no amor.
                   O ancião ainda é o mesmo, apenas com uma bagagem invejável. Ele tem um rico dossiê de iniciativas e além disso ele é resiliente. As pessoas mais velhas têm resiliência, são capazes de viver melhor e de acordo com a situação, levantam, sacodem a poeira e dão a volta por cima. Elas são menos impetuosas pois a vida já lhes burilou, acertou arestas e diante das dificuldades elas são capazes de entender melhor certos acontecimentos. Perdoam e desculpam com mais facilidade. Nos arroubos da juventude a reação era diferente, talvez explosiva, mas com o desenrolar do tempo percebe que as atitudes são muitas vezes mais importantes que os fatos e agem com mais paciência. Falo, claro, da maioria, pois há alguns renitentes, estressados, a quem a vida bate, bate, ensina, ensina e eles não aprendem. 
               Aumentando a expectativa média de vida é como se um número cada vez maior de pessoas tivesse a oportunidade de viver uma “quarta idade” para enriquecer, transmitir  e testemunhar com seus conhecimentos os autênticos valores humanos.  A velhice não existe, existem pessoas mais experientes que podem transmitir maravilhas a partir do momento em que estarão mais livres dos horários fixos de trabalho,  já desfrutando da merecida APOSENTADORIA.
       Aposentar não significa tornar-se inútil, a vida continua, talvez menos movimentada, certamente mais intensa e sobretudo mais plena de liberdade: mais livre, com mais tempo disponível  para louvar a Deus, para se dedicar à família,  para amar aos outros e  sobretudo àqueles que não têm uma vida fácil. É possível tornar plena esta  “quarta idade” com o que a PROVIDÊNCIA através da Ciência e das melhores condições de vida nos presenteou. E nada foi de mãos beijadas, foi tudo conquistado com trabalho digno, com luta e com contribuições por anos e anos para a Previdência. 
        “Uma sociedade que, deixando-se guiar unicamente pelos critérios do consumismo e da eficiência divide os homens em ATIVOS e INATIVOS e considera estes últimos como cidadãos de segunda categoria, abandonando-os à sua solidão, não se pode dizer verdadeiramente civil.”
            Retraite, em francês. Retirement, em inglês. Pensionamento, em italiano. Jubilación, em espanhol. Aposentadoria, em português. Das cinco palavras, a que vem do espanhol parece ser a única que se refere ao momento de deixar de trabalhar como uma fase de alegria: "jubilación", termo similar a "júbilo". Mas a fase da aposentadoria é mesmo alegre? Já ouvimos dizer de alguém que estava com boa saúde até se aposentar e depois foi como se sua saúde começasse a se desintegrar e a morte corresse ao seu encontro. Hoje em dia há muitos órgãos e profissionais que oferecem  suporte para os indecisos e orientação para os setentões. A seguir, veja os itens, dicas de Vera Lúcia Valsecchi de Almeida, professora doutora em serviço social da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo, e de Maria Cristina Gattai, doutora em psicologia social pela USP (Universidade de São Paulo): planeje, poupe, viaje, exercite-se, desenvolva habilidades, encontre um trabalho mais tranquilo, dê mais atenção à vida social, participe de trabalhos voluntários e divirta-se. O presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil, Alexandre Kalache diz que amor, saúde e felicidade são conquistas possíveis em qualquer idade. Ele, que foi diretor do programa de envelhecimento da Organização Mundial da Saúde diz que vive bem depois dos 60 quem conquista quatro coisas na vida que ele chama de “CAPITAIS”. “Para envelhecer bem você precisa de capital de saúde, indiscutível. Todo mundo concorda que envelhecer sem saúde não é uma boa", diz Kalache em matéria do Jornal Nacional da Rede Globo de Televisão.  Eis os capitais que ele considera os pilares para um saudável envelhecimento: Saúde, Conhecimento, Dinheiro e Fazer Amigos. Só que com os salários baixos, a maioria dos brasileiros não tem a capacidade de usufruir das três primeiras sugestões. Já quanto a fazer amigos, nosso povo é alegre, solidário e comunicativo. 
                  Lastimosa a atitude dos governantes do Estado do Rio de Janeiro, deixando sem seus proventos centenas de aposentados, trabalhadores que prestaram concurso e por muitos anos labutaram e contribuíram para a previdência para terem um final de vida feliz e com dignidade. Devido às incompetentes e más gestões que corroeram os cofres públicos, desde o final de 2015 o funcionalismo fluminense vem sofrendo com o décimo terceiro salário parcelado em cinco vezes e com o Calendário irregular de Pagamento de 2016 que foi pago apenas até outubro. Parcelaram o salário de novembro em cinco vezes e no dia cinco de janeiro pagaram a primeira parcela, a irrisória quantia de  R$ 316,00 reais (trezentos e dezesseis reais). Nem se fala em dezembro e décimo terceiro de 2016. A corda rebenta sempre do lado mais fraco e foram os aposentados e pensionistas os que ficaram sem receber porque eles são INATIVOS e sem atividade não podem fazer “PARALISAÇÃO”. Muitos já abriram mão de seus Planos de Saúde e estão vendendo utensílios de suas casas  e tentando vender os imóveis adquiridos com tanto sacrifício. Outros, sem remédios, sem ter o que comer, buscando cestas básicas, pedindo empréstimos, se endividando e sujando os nomes na Praça.  Injustiça com os PROFESSORES e em especial com APOSENTADOS E PENSIONISTAS. Por que são eles que têm que pagar  esta conta? Há um descaso muito grande com os Professores e com os Idosos. Eles se esquecem que o Professor é a viga mestra, é o sustentáculo da Educação, é o preparador de todas as outras profissões e portanto merece respeito. E quanto aos Idosos? Acham que serão eternamente jovens e estarão sempre no PODER?  Hoje é o dia da caça, amanhã será o do caçador. O que se exige não é favor e nem esmola, é direito conquistado e adquirido.
                  Esperamos por melhores dias e que 2017 seja pleno de LUZ e PAZ!