terça-feira, 10 de dezembro de 2013

DEBRUÇADOS NA PONTE DA SAUDADE - Publicado no Jornal "O NORTE FLUMINENSE - 09 de dezembro de 2013

DEBRUÇADOS NA PONTE DA SAUDADE                 
                                                                                            Vera Maria Viana Borges
                              A sequência dos dias e das noites é tão vertiginosa que mal apreciamos a doçura da aurora, já contemplamos a beleza infinita do luar.  Assim vai seguindo a vida que nestes tempos modernos é tão corrida que quando nos damos conta constatamos que é Natal novamente. Ponho-me a recordar os natais passados, aqueles da quadra da infância, fase em que tudo é colorido e belo, vividos em Rosal, mais tarde aqueles saudosos e tristes pelas partidas de tantos queridos e em outros natais  deliciosos e muito felizes por novos rebentos que vieram para plenificar nossas vidas e que nos reportam à infância, propiciando-nos os efusivos natais de outrora na confraternização com nossos pequenos, onde se acrescenta a missão de conscientizá-los do verdadeiro sentido da FESTA, evidenciando o aniversariante JESUS CRISTO e o desejo que ELE renasça em cada coração e venha fazer morada em cada alma
Corria o ano de 1984, Wagner, um de meus alunos, filho de um dos funcionários da “Almeida Artes Gráficas Ltda.”, entusiasmado me disse que um calçadense, jornalista no Rio de Janeiro, estava editando um livro e que eram memórias de um menino caipira. Interessei-me pelo assunto e após o lançamento pedi que cada aluno adquirisse um exemplar da obra intitulada “ DEBRUÇADO NA PONTE DO RIBEIRÃO” de Pedro Teixeira e com a leitura dela fizemos estudos em classe, mergulhados numa narrativa agradável, recheada de expressões regionais e fatos acontecidos na infância do autor, um menino do interior capixaba, portador de grande sensibilidade e infinita riqueza de espírito. No Natal do referido ano recebi de presente do Pedro, um livro com a seguinte dedicatória:



Este é o primeiro Natal sem ele,  mas  nem mesmo a morte pode calar o canto do escritor que continua vivo em nossa memória e continuará sempre através de sua vasta obra.  O minucioso pesquisador,  memorialista dos bons, escritor brilhante, jornalista profissional no Rio de Janeiro, autor-roteirista da Rede Globo, roteirista de histórias em quadrinho, autor de uma tira de humor no Jornal A Gazeta de Vitória-ES, revisor de autores novos e tradutores, após o sucesso do lançamento de “Debruçado na Ponte do Ribeirão”resolve abandonar tudo e voltar para junto de seu “ribeirão” em sua terra natal, a majestosa São José do Calçado onde foi editor de um jornal regional. Ali ele se inspirou para escrever “ A Saga de uma Raça Capixaba” (pesquisa histórica), “Solidão em Vila Velha” (contos urbanos), “ O Último Carro de Boi da Vila de Calçado” (contos regionais), “Viagem de Volta à Ponte do Ribeirão” (memórias), “Memorial de São José do Calçado-ES”, “Memorial de Apiacá-ES”, “Memorial de Bom Jesus do Itabapoana-RJ”, “Memorial de Bom Jesus do Norte-ES”,  “A Lenda de Itabá & Poaninha”, “ Mistério e Suspense na Biblioteca da Escola” dentre outros não menos célebres títulos.
A Academia Calçadense de Letras prestou justa e significativa homenagem ao saudoso Pedro Teixeira em ambiente de muita emoção, irreverência e descontração, marcas registradas do talentoso Confrade, como muito  bem evidenciou o preclaro Presidente Edson Lobo Teixeira .  Na apresentação, joias raras de beleza ímpar: Maria Lúcia Fegali, declamadora oficial da ACL nos encantou com o poema “Calçado é um Rio que Deságua Dentro da Gente” de autoria do homenageado da noite e o Coral Vozes da Montanha cantou o referido poema,  musicado pela maestrina Abigail Barreto. O talentoso garoto Lúcio Xavier deu um belo show ao interpretar o escritor Pedro Teixeira, vestindo  um blusão xadrez também marca registrada do  escritor.  O Poeta Aderbal Ramos declamou de sua autoria um belo poema em preito à memória do famoso escritor. As meninas Samara, Bruna e Ana Vitória apresentaram as obras infanto-juvenis do saudoso confrade. É de se ressaltar o empenho da Academia para que crianças participem de todas as solenidades. A  menina Samara nos 15 dias das suas férias em julho, leu simplesmente 15 obras da Biblioteca da ACL, espaço muito visitado (agendado previamente) durante todo ano por professores e seus alunos, ambiente favorável para as mais interessantes  aulas. Na sequência, a  Confreira Verconda Espadarote Bulus fez um emocionante depoimento à linda e nobre família do saudoso Confrade Pedro Teixeira. Em 2007, no lançamento da obra "Viagem de Volta à Ponte do Ribeirão", em que narra o seu retorno à terra natal - São José do Calçado, a charmosa garotinha Ellena Reis  com apenas 9 anos declamou a poesia do Pedro Teixeira "A bailarina", agora com 15 anos, Ellena repetiu a cena  com mais categoria, desenvoltura,  graça e beleza, emprestando mais brilho ao tão delicado e belo poema. Na ocasião o escritor Aristides Teixeira de Almeida,  irmão caçula do saudoso Pedro Teixeira, trouxe à lume a sua obra "Música Sertaneja e Literatura" e encantou a todos os presentes com uma de suas belas composições. 
Nascido em 27 de novembro de 1940 (Dia de Nossa Senhora das Graças),  partiu para a Casa do Pai no dia 11 de agosto de 2013 (Dia dos Pais).  A floresta imensa da nossa literatura foi rudemente golpeada na contextura de sua flora, tombou-se-lhe majestoso jequitibá, Pedro Teixeira já se encontra em direto contato com a literatura maior dos anjos e santos, na inefável presença do Eterno Senhor e Criador.
São José do Calçado, as duas Bom Jesus, o Estado do Espírito Santo, o Estado do Rio de Janeiro, o Brasil, seus familiares e nós, amigos e confrades, todos choramos a sua ausência. Que Deus, Nosso Senhor, o tenha em Seu Reino de Glórias e de Luz. Descanse em paz, querido Pedro!

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

CALÇADO DE TANTOS PRIMORES (Publicado no Jornal "O NORTE FLUMINENSE" - 10/11/2013)

CALÇADO DE TANTOS PRIMORES      
                                                                                 Vera Maria Viana Borges

                      Entrando no Facebook deparo-me com postagem de Wender Vinícius Carvalho de Oliveira, calçadense (atualmente residindo no Rio de Janeiro), amigo dileto, um destes meninos de ouro, que ouve Chopin enquanto estuda Direito Penal. Um rapaz inteligente, zeloso, devoto da Virgem Maria, estudante de Direito, Pesquisador do Programa Institucional de Iniciação Científica na  Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ. Amante das Artes e da Literatura, tão empenhado e envolvido, que ainda tão jovem (completará vinte anos no dia 02 de fevereiro de 2014), já é membro da Academia Marataizense de Letras (Confraria de Artes, Cultura e Letras de Marataízes-ES, cadeira número 18, patronímica do Poeta Elmo Elton Santos Zamprogno. 
                 E, no FACE o Wender desabafa: “É uma pena estar tão longe de Calçado. Sem dúvidas, é a cidade mais bela, por ser a minha aldeia, de onde vejo o mundo, como diria o poeta. Só desejo que o frescor de suas montanhas azuladas, oh Calçado, e o doce perfume de suas flores jamais se percam em mim!”  O poeta por ele referido é Fernando Pessoa que assim se expressou: "Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo... Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer. Porque eu sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura..." ("Da Minha Aldeia" In: O Guardador de Rebanhos). Prossegue o Wender com  trecho da “BALADA A SÃO JOSÉ” de autoria de Pedro Caetano: “Eu lhes falo de uma Cidade onde a tranquilidade escolheu para morar. Vive entre montanhas e flores e os trovadores se perdem a sonhar. Eu queria que o meu coração descobrisse a canção mais bonita que há e cantasse prá minha Cidade, com toda saudade que tenho de lá. São José, São José do Calçado! Como eu tenho sonhado com você São José... Como vai essa gente querida qu'inda é minha vida. Como vai São José?”  
                   Berço de gente boa, nobre, hospitaleira, amiga e altaneira.   Cenário de belezas, de encantos naturais, de passado culto e heróico, marcado por filhos ilustres que com galhardia lançaram a semente que caiu em terreno fértil, fato comprovado pela colheita de sazonados frutos,  saboreados pelo povo honrado neste presente  glorioso onde se cultua a FÉ e a CULTURA. No topo da Colina estão os ícones, os quatro pilares guardiões de sua bagagem ética, espiritual e  intelectual:  A Igreja Matriz de São José, a Escola Mercês Garcia Vieira (Colégio de Calçado), a sede da Academia Calçadense de Letras e a tradicional Biblioteca Municipal Homero Mafra.                             De autor desconhecido é sempre repetido o aforismo: “Posso não ter quase nada, mas sou calçadense e basta!” Do  exímio Poeta Edson Lobo Teixeira a encantadora cidade  recebe rica e expressiva declaração de amor: “Debrucei meus sonhos/ em tuas montanhas/ deixei meu amor/ se envolver no perfume/ das flores de teus jardins...” E, finalizando diz  Edson: “Sou teu filho!/ E amo-te tão profundamente/ que me agasalhei/ nos braços de São José/ para jamais abandonar-te, Calçado!” Assim se refere Pedro Teixeira em um de seus livros: "A cidade é pequena, mas gosto muito dela. Tem coisas que talvez não encontre mais em outros lugares. Suas ladeiras, duas praças, seus jardins com palmeiras que quase alcançam os céus e até seus casarões com assoalho de meter medo em qualquer um"(In:"Memórias de um Menino Pobre que Sonhava ser um Grande Escritor"). O Dr. José Carlos da Fonseca, no primeiro quarteto e segundo terceto de seu imarcescível soneto “História de Minha Terra” revela-nos a origem de sua denominação: “Ao colo destas serras verdejantes,/ Nestas paragens ínvias e remotas,/ Trouxeram os antigos viajantes/ Uma imagem calçada em suas botas. ...E assim se transformou a velha aldeia,/ Na cidade feliz, de vida cheia,/ E que hoje é São José e do Calçado.” 
               A “Cidade Simpatia entre Montanhas e Flores” é berço de Geir Campos,  poeta, jornalista e ativista cultural de grande presença e influência na literatura brasileira e de muitos outros vultos ilustres que brilham nos mais variados setores por este mundo afora e que têm demonstrado acendrado amor à terra natal. Berço de notáveis que lhe impulsionaram. Quantas gerações transpuseram os umbrais do COLÉGIO DE CALÇADO, fruto do sonho de Dona Mercês e do empreendorismo de Pedro Vieira,  realidade que frutificou e se multiplicou miríades de vezes!  Neste ano está sendo comemorado o centenário da nobre e generosa Professora e Diretora Mercês  Garcia Vieira. Quantos recebem as benesses da Academia Calçadense de Letras, guardiã da HISTÓRIA e da CULTURA, que se preocupa com a formação de crianças e jovens propiciando-lhes oportunidade de apresentações em todas as solenidades! Incansáveis e profícuos  o Presidente Edson Lobo Teixeira, a Secretária Maria da Penha Borges de Rezende Teixeira, a Diretora Maria Dolores Pimentel Rezende e demais membros, insopitáveis a conduzem, tornando-a uma das mais dignas e atuantes do país. Tem sede própria, fruto do amor e abnegação da família de um dos seus mais ilustres membros, Dr. José Carlos da Fonseca, de saudosa memória, personalidade que desempenhou importantes atribuições, como Deputado Estadual-ES, Deputado Federal, Diretor administrativo do Banestes, Diretor do IBC, Vice-Governador do Estado do Espírito Santo, Procurador do INCRA e Ministro do Tribunal Superior do Trabalho.
                Saindo de Bom Jesus, seguindo a sinuosa rodovia já nos encantamos com as belas flores à beira da estrada, com a florada na serra, com os ramos buliçosos, com a brisa suave, com a amenidade do clima de montanha que nos garante deliciosa temperatura. Ao pisarmos seu  solo enchemo-nos de júbilo. O meu primeiro contato com Calçado foi numa apresentação de acordeonistas no Cine-Teatro São José, devia ter oito ou nove anos, nosso Professor de Música, Sebastião Ferreira, mais conhecido como Maestro Bastião fazia exibições com seus alunos por toda a região, inclusive por vários anos nos apresentamos nas Festas de Agosto, na Praça Governador Portela em Bom Jesus. Sempre visitávamos o tio Elpídio Sá Viana e seus filhos. Tio Elpídio, competente Maestro, formou a filarmônica “Euterpe São José”, hoje “Lira 19 de Março” (composta inicialmente por  seus filhos Luís,  Antônio, Feliciano, Hélio, Geraldo e outros elementos da comunidade),  corporação que manteve o respeito pela tradição musical que a fez respeitada não só pelo povo calçadense mas também por todos que apreciam o gênero e reconhecem a importância da música na formação do cidadão. A música nos enleva e em se tratando de Calçado não posso olvidar o  vozeirão do Antônio João,  não podendo deixar de citar o Luís Fernando Pimentel que tem nos agraciado com louvores e glórias na Matriz do Senhor Bom Jesus. Aos doze anos já frequentava a cidade em visitas à  tia Enói e tio Euclydes , tia Dalva e tio Francisco Glória, tia Rita e tio Manoel Vieira, muito amáveis e mais tarde nossos padrinhos de casamento. Bons tempos aqueles!
                  São José do Calçado esplendorosa e bela, cantada, decantada e exaltada em maviosos versos... Calçado terra de tantos amores, tantas delicadezas e de tantos primores!


A PUREZA DAS CRIANÇAS (Publicado no Jornal "O NORTE FLUMINENSE - 10/10/2013)

A PUREZA DAS CRIANÇAS
                                                                                               Vera Maria Viana Borges

        “Eu fico com a pureza da resposta das crianças/ É a vida, é bonita e é bonita...” Gonzaguinha
   “Eu quero a paz de criança dormindo...” Dolores Duran
  Nas crianças podemos ver a graça espontânea, a paz de espírito, a alegria fácil. A infância é voltada para fora tendo como expressão máxima de pureza muitas ações contidas na história de suas brincadeiras. O método de se estudar brincando é sem dúvida o mais recomendável para se adquirir noções elementares nesta época em que mais se aprende. Bom é estudar com o mesmo prazer com que brinca. É lastimável, que atualmente existe uma perigosa tendência a querer se antecipar a idade vindoura: a criança quer ser adolescente antes do tempo, o adolescente aspira ser moço, o moço deseja a vida do homem maduro. Estão atropelando o desenrolar natural das idades. A infância deve ser prolongada por mais tempo possível para que se sedimente a formação necessária e  o espírito infantil deve ser mantido em todas as outras idades para que sejam formados autênticos adultos, dignos, ponderados e felizes, conservando, assim, em nós, a pureza, o frescor, a alegria, a esperança e a saudável vitalidade. Precisamos manter fiel a criança imortal dentro de nós.
A criança de hoje é o homem de amanhã. A formação do caráter é necessariamente um longo processo. Inicia-se com o nascimento e perdura por toda a vida. Os anos formativos da infância e da juventude são os de maior valia na formação da personalidade. Faz-se mister preparar nossos pequenos para o futuro. O filho, criação de Deus, nasce de um pai e de uma mãe, e destes é a responsabilidade de sua primeira educação. Aos pais compete formar o corpo e a alma do filho. A lição mais forte é o próprio exemplo, ele vale mais do que muitas palavras. Com a modernidade eles são bombardeados por uma imensa quantidade de informações cheias de apelo de consumo que precisam ser supridas não com fórmulas mágicas, com historinhas que enganam,  mas com presença, amor, companhia, caminhos, rumos, projetos, sonhos e sobretudo LIMITE e reflexão com firme propósito em DEUS, na Família, no estudo e no trabalho, pequenas tarefas que preparam para a vida... 
  Hodiernamente as crianças têm ido cedo para as Escolas e em classes maternais elas brincam, aprendem e se socializam convivendo com os coleguinhas. Nos tempos antigos só se ia para o Colégio aos sete anos e  havia resistência de alguns pais que temiam enviar principalmente as meninas que consideravam indefesas, extremamente frágeis, para o convívio com muitos outros alunos, fora do alcance de seus olhos. A sede do saber  entranhada em muitas delas, faziam-nas desejosas por conhecimentos, ávidas por aprender. Conheci  a linda trajetória escolar de uma pura e ingênua garotinha que ansiava estudar e  o pai temeroso relutou em consentir. Ela pedia, pedia... Seu irmão, Cristóvão  desposou a grande mestra Olga Tardin e só assim o pai severo permitiu fosse matriculada. Ela deslanchou e feliz captava todos os ensinamentos. Já na Quarta Série, Olga ensinando a redação de cartas, disse que elas deveriam ser iniciadas com uma saudação, que poderia ser “Querida fulana...” , Adorável amiga fulana... ou “Meiga fulana...” e ela entusiasmada redigiu várias cartas. Dias após, Dona Olga sugeriu que escrevessem à Prefeitura solicitando uma BOLSA DE ESTUDOS e ela prontamente iniciou: “MEIGA PREFEITURA...”, a mestra achou muito engraçado e ao receber a visita do Secretário Municipal de Educação , apresentando-lhe com muito orgulho o seu trabalho,  disse-lhe: “Olhe, Senhor Secretário, o que minha cunhadinha escreveu. Quando ele leu “MEIGA PREFEITURA...” o riso foi geral, mas imediatamente ela ganhou a BOLSA com a condição de se esforçar muito, pois se fosse reprovada perderia o benefício. E a meiga, dócil e esforçada menina foi para o Colégio Rio Branco e de lá saiu a brilhante e honrada Professora Therezinha Teixeira de Siqueira,  da qual tive o privilégio de ser discípula. Através dela externo a todos os meus outros grandes e amados MESTRES o meu carinho e gratidão. Não fossem eles não poderia estar escrevendo agora. O PROFESSOR é peça fundamental na Cultura do país, é o profissional mais importante da sociedade. A educação  transforma, constitui o alicerce de qualquer nação, leva os indivíduos a voos mais altos, amplia os seus conhecimentos e os coloca em contato com possibilidades inesgotáveis de realização pessoal e profissional. Ele prepara o homem para todas as outras profissões. Os que ocupam os mais elevados cargos passaram por ELE. Missão de amor, de modelar genialidade que promove humildes, doutores, presidentes, rainhas, reis e príncipes. Sua palavra é eco que ressoa. Fonte de conhecimentos, valores, costumes, cultura, fé, responsabilidade e lutas.    Eu me orgulho de ostentar  este título e de ter exercido esta profissão!!!  “Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.” Cora Coralina.
 FAMÍLIA, CATEQUESE E ESCOLA, elementos de suma importância na educação que é passada de geração em geração, alicerces transmissores dos conhecimentos e sabedoria para que cada um se torne uma pessoa íntegra e feliz.
 Que a MÃE, Nossa Senhora da Conceição Aparecida, padroeira do Brasil, nos cubra com o seu SANTO MANTO, nos abençoe para educarmos nossas crianças para Deus, moldando-as na consciência do sentido da vida, na preservação do caráter, na estima à honestidade, aos valores, atitudes e hábitos éticos e morais.  Pedindo a SUA bênção maternal, transcrevo, reafirmando a súplica que faço no segundo quarteto do meu soneto intitulado “SENHORA APARECIDA”: De Deus e Nossa, MÃE compadecida, / Como olhaste JESUS, tua CRIANÇA, / Olha os velhos, a infância desvalida, / A família e a Pátria, sem tardança.

PRA FRENTE BRASIL! (Publicado no Jornal "O NORTE FLUMINENSE" - 15/09/2013)

PRA FRENTE BRASIL!     
                                                                                             Vera Maria Viana Borges

   Setembro chega de mansinho prenunciando a primavera que nos encanta com o adejo de amor dos passarinhos e a beleza das floradas que matizam os jardins onde lírios, manacás e a flor rasteira atingem o esplendor.  O viço das planícies, a serra em flor, os suaves ares reportam-me à Escola Luís Tito de Almeida em Rosal no meu primeiro ano escolar. O sol estava radiante! A lembrança que tenho daquele radioso Dia da Pátria é das mais lindas. Na Escola, Dona Haidée Borges Brasil, Genilda, Nélia Gonçalves dos Santos e Senhor Hildebrando José Teixeira nos esperavam para o desfile.  Após, seguimos para a sede da Lira 14 de Julho onde estava instalado o Serviço de Alto-Falante do Senhor Chiquinho (o grande Francisco Nunes) que nos aguardava para a apresentação de um significativo momento cívico com o canto do Hino Nacional Brasileiro, do Hino da Independência e declamação de poesias alusivas à data. Recordo aqueles episódios e emergindo volto a este setembro. Semana da Pátria! Esta Pátria, tão querida e tão sofrida, que salvo algumas exceções, é lembrada somente em declamações nas escolas, desta “brava gente brasileira” repetindo as belezas da terra que “tem palmeiras onde canta o sabiá...  Independência ou Morte! Fico confusa... Morte de índios, de mendigos, de menores, de marginalizados, de sem-terra, de desempregados... Independência! Mensalão, escândalos, corrupção, ai meu Deus, que medo de estar trocando de Colonizador!  A  independência não se dará sem a superação destes e de outros males. Acorda Brasil! Instrui o povo! O drama da evasão escolar no Brasil, sobretudo nos primeiros anos da Escola Primária, e o da repetência, são assustadores, exigindo esforços que a qualquer custo deverão ser enfrentados. Não se pode abrir mão da maior riqueza, o ser humano, como parte decisiva para o desenvolvimento. O analfabetismo é uma das causas que contribui para manter imensas multidões na condição de subdesenvolvimento. O papa João XXIII já dizia que “a fome de instrução não é menos deprimente que a fome de alimentos: um analfabeto é um espírito subalimentado.”
   Já não existem fronteiras para o conhecimento, vivemos num mundo globalizado. A linguagem é indispensável à vida. As invenções, da arte culinária, das armas, da escrita, da imprensa, dos métodos de construção, dos meios de transporte, das descobertas das Ciências e das Artes, nos foram legadas através de nossos antepassados por  meio da linguagem falada ou escrita. É sem dúvida a LINGUAGEM que movimenta o mundo... É ela que distingue o ser humano dos animais. “A linguagem é o arquivo da História.”(Ralph Waldo Emerson (1803-1882), crítico e poeta norte-americano).  Os seres humanos a adquirem através da interação social na primeira infância. As crianças geralmente já falam fluentemente aos três anos de idade . Seu uso tornou-se profundamente enraizado na cultura humana, além de ser empregada para comunicar e compartilhar informações. A linguagem também possui vários usos sociais e culturais  e é muito usada para o entretenimento. 
   Ao homem bárbaro, bastavam-lhe meios rudimentares para a comunicação; quando a necessidade se fazia sentir, valiam-se de sinais como o fogo, a fumaça e o som. Os desenhos tiveram  importância, prova disso são as gravações no interior das grutas pré-históricas, nas tábulas de madeira e de argila encontradas em escavações arqueológicas. A evolução da linguagem foi extremamente lenta! Através de milênios, foi-se dando característica própria  a cada povo. Surgiram as várias LÍNGUAS...
   Um dos maiores inventos de todos os tempos, foi o da IMPRENSA em 1450. Gutenberg abria com ela os portos da COMUNICAÇÃO, que tornou-se certa  e permanente, propiciando ao homem chegar a outros inventos, tornando possível a Revolução Industrial. Com tantas conquistas, as comunicações são causa e efeito do progresso, e assim sendo, a história dos meios de comunicação se confunde com a história da humanidade.
   A imprensa foi introduzida no Brasil com a corte de D. João VI; o material gráfico pertencia à Secretaria dos  Estrangeiros e da Guerra, tendo sido colocado no porão do navio “Medusa”, pelo conde da Barca, e posteriormente instalado em sua casa. Depois de um ato real, a casa passou a funcionar como Imprensa Régia e aos 10 de setembro de 1808, sai  o primeiro jornal  editado no Brasil, a “Gazeta do Rio de Janeiro”.
   Hoje há um bombardeio de mensagens e um turbilhão de notícias. No mundo, todos sabem de tudo. Tem livro, revista, jornal, rádio, televisão, telégrafo, telefone, DDD, DDI, CELULAR, Embratel, Intelsat e a Internet que transpõe barreiras, desconhece distâncias geográficas, elimina  fronteiras...  Apesar de usar toda esta tecnologia que a modernidade nos  oferece colocando à disposição os livros e jornais eletrônicos, o que nos dá muito mais prazer é ler no papel, impresso,  para poder manusear, folhear, sublinhar os pontos mais importantes para fazer  releituras  do principal e ler e reler... Ler é crescer, ler é cultura, cultive esta ideia! Já dizia Monteiro Lobato: “Um país se faz com homens e livros”.
  Salvaguardemos estas conquistas com a experiência de séculos e milênios. Somos responsáveis pela história e por nosso destino. Preservemo-nos do sensacionalismo, das notícias escandalosas, pois só a VERDADE  liberta. Assim, serão descobertos novos valores, novas perspectivas, alcançando-se horizonte auspicioso, com o amor  tão necessário ao equilíbrio do homem  e  à paz  social.
       Só mesmo o Deus Pai, com Seu INFINITO AMOR, poderá nos conduzir através do sopro do Seu Divino Espírito e de Sua Palavra ao Verdadeiro Caminho. Creio que com  SAÚDE e EDUCAÇÃO de qualidade faremos desta Pátria, uma Pátria digna, culta e livre dos grilhões que a forjavam.  PRA FRENTE BRASIL!!!


FESTA DE AGOSTO (Publicado no Jornal "O NORTE FLUMINENSE - 23/08/2013)

FESTA DE AGOSTO
                                                                            Vera Maria Viana Borges
   Ao ensejo da festa magna do nosso Município, a nossa adorada Bom Jesus se engalana para receber filhos ausentes e ilustres visitantes que num congraçamento e na mais perfeita comunhão de ideais promovem as emoções do reencontro.
   O colorido das barraquinhas, aguça, entusiasma e alegra a criançada. Pelas ruas cata-ventos, bolas, pirulitos, algodão-doce, maçãs-do-amor graúdas e bem vermelhas. Barracas de Chope com música ao vivo. Exposições! Bandas de Música! Alvoradas! Shows magníficos com festejados artistas do Cenário Nacional. Fogos de Artifício, com grandioso espetáculo pirotécnico...
   No dia 02 começam as procissões da “Coroa” em honra ao Divino Espírito Santo, ao som do “Alva  Pomba”, contribuição do saudoso Padre Antônio Francisco de Mello que aqui chegou em 1899, falecendo em plena Festa de Agosto, a festa que tanto amava, no dia 13, no ano de 1947, pedindo que não fossem interrompidos os festejos... O bom pároco, foi parte integrante de nossa comunidade. Padre Mello ajudou a construir a NOSSA HISTÓRIA, viveu intensamente, lutou, trabalhou muito nestas terras. Não se descuidando da educação religiosa, ensinava, rezava e cantava com o seu rebanho. Milhares de batizados e casamentos foram celebrados por ele. Engenheiro e Arquiteto, remodelou a Igreja, erguendo-lhe uma das torres em 1931. Belíssima a nossa Matriz! De rara sensibilidade, Jornalista e Poeta, deixou o excelente literato, páginas douradas, registrando fatos com fidelidade, depositando-os no repositório fiel da MEMÓRIA! Quem não se lembra de seu Poema “Morrer Sonhando” na voz forte e vibrante do saudoso Salim Tannus, na abertura dos festejos, todos os anos, no dia 13, após o hasteamento das Bandeiras?
   15 de AGOSTO! A Igreja celebra nesta data a Assunção de Maria... Por que então se promove a Festa da Coroa e do Cetro do Divino, nesta época, aqui em Bom Jesus?
   Agucemos nossos ouvidos, no tempo...
   ...Por volta de 1780 chega ao Brasil, vinda de Portugal a Família Teixeira de Siqueira. Um de seus membros, Francisco Teixeira de Siqueira, fixou residência em Rio Pomba, na Província das Minas Gerais. Indo trabalhar na Fazenda de Domingos Gonçalves Magalhães, em 1810 casa-se com a  filha do patrão,  Felicíssima Roza de Oliveira. Após o falecimento de Francisco em 1855, dez de seus quatorze filhos vieram aqui para esta região. A chegada da Família Teixeira de Siqueira marcou o início das Festas do Divino. Quando para cá vieram receberam das mãos da Srª Felicíssima,  as “Relíquias da Coroa e do Cetro do Divino Espírito Santo”, vindas de Portugal, com a autorização do Senhor Bispo de Mariana, Minas Gerais, para serem guardadas na casa da referida família e com a recomendação de trazê-las para a Fazenda  da  Barra    (Barra do Pirapetinga-Bom Jesus), e posteriormente entregá-las à Igreja do Arraial para que se observassem orações, novenários, procissões com visitas às casas de famílias e Oratórios. Continuaram cumprindo a devoção. Faziam procissões entre fazendas onde se mantinham Oratórios. A cada ano se escolhia os Provedores da Festa.
   Transcorria o ano de 1863, era maio, tendo estado gravemente enfermo o menino Pedro Teixeira Reis, neto de Dona Felicíssima, seus pais Joaquim e Jovita, prometeram ao Divino Espírito Santo que se o menino ficasse curado, ele seria vestido a caráter, como Imperador da Guarda da Coroa e do Cetro. Com a sua cura, dirigiu-se o pai  à Corte para comprar as roupas e cumprir a Promessa. Iniciou-se assim a presença de um Imperador à tradição da Festa do Divino.
   Em 1875, foram iniciadas pelo Padre José Guedes Machado, as obras de nossa Igreja, sendo concluídas em 1878. Neste ano os Provedores da Festa foram os casais: Francisco José Borges (bisavô de meu marido) - Anna Roza Teixeira (ela filha de D. Felicíssima) e Antônio José Borges - Bárbara Roza Teixeira, filhos do casal anterior, sendo ele do 1º matrimônio de Francisco e ela do 1º matrimônio de Anna. Com o casamento (segundas núpcias) de seus pais eles também se casaram , com doze e quinze anos respectivamente. São os avós do nosso 1º Prefeito, o ilustre José de Oliveira Borges. Em cumprimento às determinações entregaram  solenemente as “Relíquias” ao Padre José Guedes  Machado, para que a Igreja desse continuidade à devoção. Em maio de 1879 - o 1º Novenário na Matriz.
   Em 1897 D. Francisco do Rego Maia, Bispo Diocesano, nomeia para servir a Bom Jesus o Reverendíssimo Padre Antônio Francisco de Mello. Somente em 1899 chega o referido Vigário à nossa Paróquia, encontrando aqui as mesmas tradições de sua terra, Portugal, quanto às Relíquias. Conservou-as. Devido à colheita do café, ocorrida  no mês de maio (época em que se comemorava a tradição da Coroa), transferiu  a Festa da Coroa ou do Divino para o mês de agosto e assim passou a se chamar FESTA DE AGOSTO.
O padre acrescentou aos ritos  o belíssimo hino Alva Pomba de autoria do Padre Delgado, da Ilha de São Miguel em Portugal. Ainda hoje a Banda o executa enquanto os fiéis cantam nas procissões.
   Em 1956 com a  substituição do Pároco de Bom Jesus, interrompeu-se a celebração por 27 anos. Somente em 1983, quando o Padre Paulo Pedro Seródio Garcia (descendente dos Teixeira de Siqueira) assume a Paróquia do Senhor Bom Jesus é retomada a tradição.
   Que o Divino Espírito Santo como fogo ardente e abrasador ilumine e aqueça com Sua Graça  os corações de todos  os bonjesuenses, abençoando as terras do Senhor Bom Jesus e este seu povo que ama e tem fé.
   Transcorra sempre em paz a NOSSA FESTA!...  

ZÉ DO NOLA (Publicado no Jornal "O NORTE FLUMINENSE" - 27/07/2013)

ZÉ DO NOLA
                                                                                         Vera Maria Viana Borges
Saio gratificada da leitura da fascinante obra “DA FORJA AO FREIO”, espetacular história de vida de José Boechat Borges, notável empresário de Itaperuna-RJ, fundador da Fábrica de Freios Boechat, uma biografia autorizada escrita pelo emérito jornalista Camilo de Lellis, a partir de relatos orais e fotografias de amigos e familiares com a revisão da beletrista Ábia Dias, amada confreira da Academia Itaperunense de Letras.
Edição em grande estilo, com perfeita diagramação, papel de qualidade, lindas páginas a cores com fotos extraordinárias, texto claro revelando um passado de lutas e um presente glorioso daquele que começou a trabalhar aos sete anos ajudando o pai nos serviços de ferreiro e, juntos construíram uma empresa que criou tecnologia de ponta para a indústria.
Seu pai, Algenor Boechat, conhecido como Nola, filho do então proprietário da Fazenda do Leite com quem trabalhava, após revés causado pela vida mudou-se para a Serra do Tardin, próximo a Carabuçu. Nola casou-se com Carolina, filha de Messias José Borges e Francisca Pereira Borges, de Barra do Pirapetinga e lá na Serra do Tardin tiveram a primeira filha Maria José ( esposa do Sr. Carlos Borges Garcia).
Mudaram-se para Barra do Pirapetinga, a noroeste da sede do Município e Nola foi trabalhar na Fazenda de Anacleto José Borges (hoje nossa propriedade) tio de Carolina. Ali nasceram os filhos Antônio Carlos e José Boechat Borges, este  no dia 20 de abril de 1932.
Nola, muito trabalhador, persistente, observador e inteligente, numa de suas vindas a Bom Jesus viu um homem esquentando correntes em brasa e emendando-as para serem utilizadas nas cangas de bois. Sentiu que podia prestar aquele serviço. Assim começou a emendar correntes, consertar arados e a realizar pequenos serviços. O Senhor Leonídio Germano vendo nele grande potencial como ferreiro tratou de levá-lo para a“Vargem Alegre” hoje Pirapetinga de Bom Jesus e ali em 1939 nasceu-lhe a filha caçula, Maria Alice.
O trabalho era duro e as crianças ajudavam como podiam. O garoto José se propôs a ajudar no serviço de ferreiro. Começou soprando o fole para avivar a forja e fazia o polimento das peças. Seu primeiro trabalho foi um bocal de freio para o cavalo do avô materno Messias José Borges (tio-avô do meu marido). Fazia esporas e outros produtos de excelente qualidade, sendo que alguns ainda existem.
Nola buscando outras formas de renda aprendeu a dirigir e fazia fretes entre Vargem Alegre e Bom Jesus. Passou a trabalhar como motorista da conceituada agência CHEVROLET BOUSQUET de Bom Jesus do Itabapoana. Deixava as ordens de serviço com José, que as executava e anotava novas encomendas. Chegando à noitinha trabalhava até a madrugada. Com o tempo, José passou a ser chamado “ZÉ DO NOLA”.  Pouco pôde se dedicar aos estudos e brincadeiras.
Além da Ferraria, prestavam serviços para melhor funcionamento de fogões, onde colocavam serpentinas com canos galvanizados  para esquentar a água da caixa e proporcionar os banhos quentes e aconchegantes. O menino José empunhava sua caixinha de ferramentas e com um embornal no ombro saia para efetuar os trabalhos necessários. 
Mudaram para Itaperuna, estabeleceram e tiveram que aperfeiçoar. Fizeram melhorias para os sistemas de carros de boi e para reboques puxados por trator. Fizeram lataria, motor, capotaria, caixa de marchas e pintura de um Ford 1929. Neste carro José aprendeu a dirigir.
Em 1952 o primeiro torno e uma máquina de solda. Voltaram-se à mecânica automotiva. Em 1954 foi criada a “BOECHAT & FILHOS”. Passaram a trabalhar exclusivamente com caminhões. José analisando os fracos freios dos caminhões ALFA ROMEO, criou e produziu cuícas ou piorras para torná-los mais eficientes. Produziu câmara de freio a vácuo seca para adaptar em caminhões CHEVROLET, sistema que foi muito usado pelo Exército Brasileiro. Vendia em Minas Gerais, Paraná, São Paulo, Rio Grande do Sul e mais Estados.
Criou o “Freio a ar Boechat” e ele mesmo o Diretor da Empresa ia instalar os primeiros produtos vendidos, orientando os mecânicos das empresas. Investiu na produção e reposição de sapatas de freios. Começou a vender para o exterior: Estados Unidos, Canadá e Mercosul. Só no Canadá esteve por oito vezes dando assistência técnica sem dominar o idioma local.
Segundo o relato de Camilo de Lellis, José trabalhava duro e o horário sendo pequeno para tanta disposição, ele trabalhava à noite, escondido de Nola. Ele sempre amou cães e caçadas e enquanto a lei permitiu foi caçador de pacas. Curtiu os bons Carnavais de outrora e suas animadas marchinhas. Tem Paixão pelo BOTAFOGO e toda a sua prole é botafoguense.
Personalidade admirável em todos os aspectos. Popular, respeitoso e respeitado. Humilde, porém franco, incisivo e corajoso. Homem de Garra e Fé, de acendrado amor à família, digno do nosso aplauso e reconhecimento.
De parabéns, o Jornalista Camilo de Lellis, o biografado José Boechat Borges e a todos os que tiverem o privilégio de ler e possuir a magnífica obra.
Eis, a trajetória do ZÉ DO NOLA,  um legítimo e autêntico representante dos BORGES DA BARRA!

domingo, 9 de junho de 2013

TRIBUTO A ANDRÉ MEGRE (Publicado no JORNAL "O NORTE FLUMINENSE - 10/06/2013)

TRIBUTO A ANDRÉ MEGRE
                                                                             Vera Maria Viana Borges

Um grande nome da música contemporânea parte para a eternidade. Nosso dileto e querido amigo André Megre foi se juntar às estrelas do Céu. O sorriso simpático e franco cativava a todos. A seriedade, a perseverança e o dinamismo eram constantes na trajetória terrena do astro que no último primeiro de junho voou para junto de DEUS. E lá junto à Corte Celeste por certo estará executando os mais belos cânticos, magníficos hinos em contato direto com a musicalidade maior dos Anjos e dos Santos, na presença inefável do Eterno Senhor e Criador. E o Céu está em festa. Grande festa! Integrando o imenso coral, contemplando a Excelsa e Eterna Beleza estão a sorridente e feliz Zezé Santinha que lá chegou recentemente e a VÓ ZITA, outra santa, seu ANJO PROTETOR e também de todos os alunos, professores e funcionários do Colégio Estadual Euclides Feliciano Tardin onde exerceu as atividades profissionais por várias décadas e era chamada carinhosamente de Vó Zita.  Avó de todos. Um anjo de ternura. Avó sensível, esposa dedicada e mãe carinhosa. Sua grande amiga e companheira de todas as horas.
A notícia do falecimento do André veio trazer-nos muita angústia. Encheu nossa querida Bom Jesus de muita tristeza e grande dor.  Desolou-nos!
Mal posso conter a emoção de reviver os dias de nosso passado quando tive a grata alegria de ser sua professora de Português por quatro anos. E, que aluno maravilhoso! O aluno superou a mestra. Na Escola nas mais diversas comemorações eu costumava tocar acordeão e anos após ele me confidenciou que aquelas modestas apresentações o incentivaram  para que ele se dedicasse àquele instrumento. Exímio em tudo que fazia. 
Contou cotidianamente com uma fada real,  uma mulher guerreira, a mãe extremada que não esmoreceu um minuto sequer nos seus quarenta e um anos de vida. Ela o acompanhou em todos os momentos... Nas enfermidades, nas dores, nas tristezas e nas alegrias. Eles estudaram Inglês e falavam esta segunda língua com fluência. Ela participou com o amado filho de todos os coros em todos os eventos a que ele comparecia. Doou-se por inteiro. Exerceu dignamente com muito louvor o  dever materno.  Quando estava cursando a Faculdade de MUSICOTERAPIA ele perdeu a visão e ele tudo fazia com sua inteligência peregrina e com os olhos da mamãe Sandra. ELA o acompanhou em todos os momentos. Não enxergava mas o Pai Todo Poderoso o privilegiou com inúmeros dons e os dedos de ouro dedilhavam e debulhavam o teclado com maestria.
Sua vida foi dedicada à Música, a mais sublime das artes. Mestre dos Acordes, Mestre da Sensibilidade que sempre nos encantou com louvores ao Divino Pai e em cerimônias várias. Senti-mo-nos orgulhosos de sua nobreza de caráter, da perfeita execução das mais belas e sensíveis melodias, de sua amizade, de seu carinho, do carisma, do positivismo, da coragem, do desprendimento, elevando tantos corações através da Arte que imbuída em seu ser já fazia parte de sua personalidade. Sempre mereceu cumprimentos pelo seu modo de ser,  pela sua maneira de viver.  O ilustre  e insigne cultor da Música, espírito envolto em perene encantamento, de temperamento afável, sempre solícito, bom filho, sincero amigo, muito contribuiu no terreno sócio-artístico-cultural-religioso do Vale do Itabapoana. Sua lembrança ficará e em nossos corações haverá de permanecer . Recebeu merecida honraria da Secretaria de Cultura do Município de Bom Jesus do Itabapoana, através da Professora Maria José Martins na “VI NOITE DE CULTURA E ARTE”, da qual foi PATRONO e tudo o que ocorreu na ocasião foi dedicado a ele. A Convite do Departamento de Cultura tive a elevada HONRA de ser escolhida para lhe fazer a homenagem. Foram momentos notáveis, inesquecíveis e eternos. Só poderemos vivê-los em flashes de doces recordações.
Agradeço ao Criador Supremo do Universo, pela sua vida, pela pessoa tão especial que ele foi, por tê-lo colocado em nosso caminho, dádiva por excelência, pois um amigo leal não tem preço e nada se iguala ao seu valor. Agradeço por tudo de maravilhoso que nos proporcionou. Aos seus pais,  à sua irmã, familiares e amigos  um forte e sentido abraço pela sua partida e que Jesus e Sua Santa Mãe possam abençoá-los em momento tão difícil. Que Deus, Nosso Senhor, o tenha em Seu Reino de Glórias e de LUZ! Descanse em paz, querido André! 
Eis pois  o nosso tributo a André Megre, não aquele que ele merece mas aquele que está ao nosso alcance prestar em reconhecimento do seu talento e sobretudo pelo amor acendrado à Cultura e à Arte.
O artista não morre, ele se transforma e se encanta. Partindo deixa suas pegadas, deixa sua marca registrada em sua obra. 
André, o notável e talentoso instrumentista, possuidor do excepcional dom de dirigir cantores com grandeza de estilo e versatilidade, animou, deu vida, fez vibrar o povo de Deus a cada Celebração da Santíssima Eucaristia em que participava. Seus acordes e sua voz forte e grave ressoam em nossos ouvidos e em nossas lembranças. O ECO dos maviosos sons permanecerá indelével em nossas memórias para sempre.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

ESTE MAIO PROMETE! (Publicado no Jornal "O NORTE FLUMINENSE" - 17/05/2013)


                                                                       
         ESTE MAIO PROMETE!
                                                        Vera Maria Viana Borges 
               Maio!... Mês feminino que nos lembra mulheres: Mães, Noivas e especialmente MARIA, a bendita entre todas as mulheres; a mulher por excelência, a mulher mais lembrada e querida, a Mãe da Igreja, a Mãe do povo de Deus. Maria do Sim, Maria  do Silêncio, Maria do Perdão, Maria Ternura, Maria Sorriso, Maria das Lágrimas, Maria do Alto. Mãe de Jesus, nossa Mãe, nossa RAINHA.  
                Mães são anjos, são fadas, são santas. Veio-me à memória a bela trova de Barreto Coutinho: “Eu vi minha Mãe rezando/ Aos pés da Virgem Maria;/ Era uma Santa escutando/ O que outra Santa dizia.” Penso que as mães deveriam ser eternas, também pensou assim Arquimino Lapagesse, ao exprimir: “Se Deus atendesse um dia/ Minha prece ingênua e doce,/ Quem fosse mãe não morria/ Por mais velhinha que fosse.” Devaneios, sonhos de poetas. Não há poeta que não tenha cantado e decantado o seu meigo nome, elas já estão incluídas no rol dos temas eternos.
                  Os ares de maio trazem-me suaves reminiscências das coroações de Nossa Senhora na Igreja de Santana em Rosal. Vivi lá apenas uma década, mas tudo ficou muito entranhado em mim. Todas as noites após a ladainha e coroação, D. Julieta nos oferecia deliciosos suspiros. Nas ladainhas da tia Vavá, ela enchia saquinhos com doces, um de cada espécie dos que tinha preparado para o leilão, para oferecer aos anjinhos. Suas filhas Ana e Maria continuaram esta tradição. A petizada saia carregada de suspiro, quebra-quebra, doces das mais variadas frutas cristalizadas, palha italiana, cajuzinho, olho-de-sogra e tudo mais que pudesse brotar daquelas cabeças e tudo era posto em prática com muito amor por aquelas mãos de fadas...
                  Sensacionais leilões! O coreto todo decorado, cheio de deliciosas prendas. Todo o povo à sua volta. Cada noite dedicada a uma família que se esmerava na confecção das guloseimas que eram arrematadas por altos preços, estimulados pelos apregoadores que iam induzindo, em sadia brincadeira a competitividade entre os presentes que num clima de total descontração contribuiam para os cofres da Igreja de Santana.
               Nos leilões de D. Zinha e do Sr. Anselmo Nunes, havia um lindo Castelo de Madeira, repleto dos mais finos docinhos. - Quem iria arrematar doces tão saborosos?... Só levaria os doces, logicamente o “Castelo” era apenas depósito que seria devidamente guardado para o próximo ano. Hoje ainda usam um “Castelo”, confeccionado pelo Dadá (Dário Xavier de Almeida).
               O Ernesto Lumbreiras era o freguês certo da galinha assada do leilão do Senhor Carlos Nunes e D. Júlia.
             Entre canas, pencas de mexericas, ceias, frangos, leitoas recheadas com farofa, bolos, tortas, roscas-doce, cheiro de bezerros presos ao lado para serem leiloados, estavam sempre sentadas no interior do coreto, bem acomodadas D. Libânia e D. Ilídia. A garotada mais audaciosa (geralmente os meninos mais levados) pregava-lhes peças, amarrando suas roupas no gradil do coreto enquanto elas embevecidas apreciavam o desenrolar dos acontecimentos. Quando iam sair, estavam presas... Saiam  resmungando...
              Não podia faltar o “coelhinho de açúcar” da tia Vavá, e as chupetas também de açúcar da tia Maria Rita.
               Ainda ecoam nos ouvidos rosalenses o - “Dou-lhe um, dou-lhe dois, dou-lhe três... na voz do Lutinho e de outros, como Parafuso (Wilson filho do tio Zezé, que chamávamos carinhosamente de Issoca), Antônio Pedro (lá da Fazenda do Sr.  Carlowe Vidaurre), Antônio do Nestor, Toninho Araújo, Wenceslau...
            A religiosidade, o amor telúrico, são inerentes às fervorosas almas de nossa gente. A Igreja de Santana, construída por Antônio Carlos Machado e outros, no ano de 1934, veio substituir a capelinha ali existente, naquela pracinha colorida e perfumada pelas lindas rosas. Ao lado, o coreto, onde as mais encantáveis retretas das adoráveis Bandas, dos Sá Viana, do Chico Gomes e da 14 de Julho extasiavam o povo e onde aconteciam e ainda acontecem os mais animados “leilões” das redondezas.  Do coro da igreja ecoavam as mais  belas músicas sacras executadas por D. Julieta, por Aída Marilda dos Santos e doces vozes formavam belos corais: “Kyriié-éééé-ééééééé-éééééEleison...” Nós, crianças da Cruzada Eucarística, regidas por D. Julieta, cantávamos em Latim, Missas Gregorianas, De  Angelis. Crescemos na fé; as associações religiosas movimentavam-se e davam vida à casa de Deus e à nossa vila.
               No interior da Igreja ao centro, no altar principal a Senhora Santana abençoa a todos que ali adentram. SANTANA a Mãe de MARIA! 
              O notável, nobre e conceituado artista Raul Travassos projeta e recria com seus talentos e muito carinho a imagem de Santana, Padroeira de Rosal. Celso Siqueira Júnior executa a pintura da Imagem. No dia 25 de maio de 2013 a Grandiosa Festa do retorno da Imagem de SANTANA para o seu Altar na sua Capela. Haverá SANTA MISSA pela manhã e a seguir exposições, shows musicais com a “PRATA DA CASA” , finalizando com ladainha e leilão. Agradecidos, aguardamos com expectativa e muita ansiedade.
               Este maio promete!!! Será muito Especial!


SEMPRE HAVERÁ COMEÇOS E RECOMEÇOS (Publicado no Jornal "O NORTE FLUMINENSE"- 18/04/2013)


SEMPRE HAVERÁ COMEÇOS E RECOMEÇOS
                                                                                  Vera Maria Viana Borges

Defronte ao computador, para iniciar este artigo, pus-me a raciocinar e me veio à mente o pensamento  de Benjamim Franklin: “Ou escreves algo que valha a pena ler, ou fazes algo acerca do qual valha a pena escrever.” Lembrei-me dos versos de Fernando Pessoa: “Tudo vale a pena/ Se a alma não é pequena./ Quem quer passar além do Bojador/ Tem que passar além da dor./ Deus ao mar o perigo e o abismo deu,/ Mas nele é que espelhou o céu.” Desta feita recordo José Saramago e seu dizer: “Cada dia traz sua alegria e sua pena, e também sua lição proveitosa.” De pensamento em pensamento voltei ao ano de 2001, no auge da Edição de “ASTROS & ESTROS”, Boletim Alternativo de Prosa e Poesia com Circulação Nacional e Internacional do qual sou fundadora, editora e redatora. Em suaves flashes revi os questionamentos que me assaltavam e como resposta recebi uma proveitosa lição que me fez produzir o texto publicado no Boletim nº 30, com o título - “ VALE a PENA?” do qual transcrevo uma parte: “Valeria a pena tanto esforço?  Não seria  sacrificar-se, perder horas e horas, compilando, organizando, escrevendo, compondo, desenhando, pintando, diagramando?... Já se tem tantos afazeres, para que acumular mais funções?  A morte é certa, tudo isto vai virar cinza! 
Tantos papéis! Para que perder noite de sono em busca de uma rima ou palavras para se completar versos de um soneto? Que bobagem! Tudo acabará em cinzas...
Horas e horas defronte a um computador, confeccionando um boletim! Não posso compreender o objetivo de tal ofício... Qual a finalidade desta tarefa? Tanto trabalho!... Noites indormidas, lendo versos!... Que valor terá este papel, chegando ao seu destino?  Por acaso não virará cinza?
Inquirindo-me,  já atordoada: isto seria normal?
Valeria a pena? Meu Deus, tudo é CINZA! CINZA, a palavra principal ficou sendo CINZA! Nos últimos dias, inúmeras vezes o termo teria sido usado...
O questionamento era diário. Já quase convencida, com a alma em pedaços, sofrendo uma angústia terrível, caminhando lentamente, cabisbaixa, encontro o carteiro... Sorridente ele me entrega vários envelopes... A alegria  imediatamente toma conta de mim. Abro um a um... Todos continham maravilhas. Um deles trazia a resposta necessária. Uma resposta Divina. Maria Apparecida Dutra, minha querida Professora de História do tempo do curso ginasial, muito delicada e amiga sempre me enlevando com mensagem inspirada, inteligente e carinhosa. Desta vez, sem conhecimento de minhas dúvidas, espontaneamente assim ela me escreve:
Bom Jesus, outubro -2001
Vera,
Veja como o poeta se inspira até num dia de finados:
"Que importa restarem cinzas
Se a chama foi bela e alta?!"  02-11-1990  (Mário Quintana)
Afetuoso abraço, da 
Maria Apparecida”
Só o tempo nos mostrará o que valeu a pena, só ele dizima as dúvidas. Vislumbrou-me a máxima de Sócrates: “Uma vida sem desafios não vale a pena ser vivida.” Assim, fomos nos deleitando com as positivas mensagens e as mais ternas poesias  e nesse troca-troca de ideias e conhecimentos, fomos garimpando essas doces amizades que conquistamos ao longo do percurso...   Assim vamos enchendo com puro néctar a nossa taça,  pois como disse HADLEY - "A vida não é uma taça para ser esvaziada, mas uma medida para ser enchida".  Com a taça transbordante do ideal e em comunhão com todos os que estiveram conosco durante estes anos prosseguimos construindo a nossa história. 
O mais belo poema é aquele que se escreve à proporção que se vai vivendo, é o nosso testemunho de vida, são nossas ações, as nossas atitudes. "Viver é nascer a cada instante." Sempre haverá começos e recomeços. É tropeçar, cair  e levantar...   O mais importante livro deverá ser o da história de nossa vida, que se inicia quando nascemos e só deverá terminar com  o nascimento para  a  eternidade, quando o entregaremos nas mãos de Deus. A cada minuto, a cada hora, a cada dia, construamos os mais puros,  sinceros e perfumados versos com as rimas da vida; façamo-los  na LUZ, com SABEDORIA para o agrado do CRIADOR, mas além do LIVRO DA VIDA, permita-nos Senhor, o gosto pela literatura e o convívio com os intelectuais que a consolidam: esses amados irmãos de IDEAL.
  Que DEUS, o MAIOR de todos os POETAS, nos abençoe cada gesto e passo!

sexta-feira, 5 de abril de 2013

JOÃO DA SILVA BAPTISTA


PADRE ROGÉRIO CABRAL CAETANO - 10 anos de SACERDÓCIO ( 2003 -2013 )


MULHERES (Publicado no JORNAL "O NORTE FLUMINENSE" - 16-04-2013)


MULHERES
                                                                                            Vera Maria Viana Borges
              No dia 08 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos em Nova Iorque, fizeram uma manifestação para reinvidicar melhores condições de trabalho, redução da jornada, equiparação de salários com os homens e tratamento digno dentro do ambiente em que exerciam a sua profissão. Foram reprimidas com total violência e aproximadamente 130 tecelãs acabaram carbonizadas, num ato cruel e desumano. No ano de 1910, em Conferência na Dinamarca ficou estabelecido que o 08 de março seria o “Dia Internacional da Mulher”, mas somente em 1975, através de um Decreto, a data foi oficializada pela ONU. Naquele “08 de março”, uma mulher guerreira, com bravura, teve voz, teve força, teve ideias e levantou a “bandeira” por seus direitos... Somos sobreviventes às injustiças sociais e continuamos lutando por dias melhores.
               Na época de Jesus as mulheres sofriam todo o tipo de preconceito, estavam condenadas a viver subjugadas pelos homens. Viviam uma situação de inferioridade. A lei pesava muito mais sobre elas do que para eles. 
                A condição da mulher é ainda inquietante e dolorosa. Muitas famílias são chefiadas por ela e ainda existe uma enorme distância entre a remuneração do trabalho feminino e do masculino. Muitas vezes ela tem maior escolaridade que o homem, mas não concorre em igualdade com ele.
          É registrada a cada minuto, uma agressão física ou violência sexual no ambiente doméstico. Rotas de tráfico envolvem todos os Continentes e indicam a existência de milhões de mulheres exploradas. As  denúncias de exploração sexual atingem não apenas os países pobres mas também nações poderosas e ricas e o que mais nos espanta é que muitas vezes mulheres fazem parte destas quadrilhas, evidenciando aquele ditado que para cada regra há uma exceção, naturalmente  nem todas as mulheres fazem jus à classe mas a maioria felizmente age com respeito e dignidade.
           No século passado muitas deixaram de trabalhar para tomar conta dos filhos pois os maridos não admitiam que eles ficassem com babás. A maioria se abdicou de tudo porque os filhos reclamavam sua ausência. Houve tempo que elas nem chegavam a estudar porque os pais queriam as filhas em casa e elas eram educadas apenas para o casamento, para servirem, agradarem e serem “Rainhas do Lar” e viviam sem espaço, sem força, sem poder decisório, absolutamente posse dos pais, do marido, dos filhos e dos netos.
              Antigamente elas apenas dominavam corações. Ouvia-se frequentemente que “carro era coisa de homem”, “ele é o cabeça do casal”, “mulher jamais compra apartamento”, “ela ganha apenas para os seus alfinetes”... Hoje elas vão mais longe, estão dominando o mundo com sua perseverança, afetividade e sutileza.  Elas já ocupam cargos que antes eram exclusividade dos homens e além de dirigir suas casas estão dirigindo empresas. Foram muito grandes os avanços, inúmeros, incontáveis mesmo, a começar pelo direito de VOTO. Hoje, muitas mulheres ocupam cargos eletivos. Ganharam poder na hora de se decidir na compra de imóveis, automóveis e outros bens. Mesmo que não compre diretamente, a mulher interfere decisivamente na compra do pai, do marido, do irmão e dos filhos. Com auto-estima robustecida ela se transformou numa mulher poderosa, dona de múltiplos pendores e inúmeras  tendências. Desempenha com desvelo os deveres de esposa, mãe, avó e melhor, ela não ganha mais apenas para os seus alfinetes como se costumava dizer. Exerce com brilhantismo e eficiência vários papéis na sociedade e nas mais diversas profissões. 
          O feeling feminino, o sentimento, o tato, o toque, a sensação, a ternura, fazem com que tenhamos a impressão (ou a certeza?) de que elas têm contato direto com Deus e há quem chame isto apenas de sexto sentido. Deus privilegiou a mulher com a maternidade concedendo-lhe a maravilhosa condição de abrigar VIDA em seu ventre. Dádiva Divina! Deus colocou um mecanismo no coração das Mães ligado ao Seu Coração e transformou-as em ANJOS, anjos da guarda de seus filhos a quem se doam e oferecem AMOR irrestrito, absoluto e total e se disponibilizam após duro dia de trabalho desdobrando-se em carinhos e deliciosas brincadeiras. Transmitem seus exemplos de vida, seus conhecimentos, dedicação, bondade, seu modo paciente de ser, com sua vontade de instruir e muito mais com a disposição de aprender junto. Mulheres jamais esmorecem, mesmo estando cansadas.
           Mulheres são meninas, são guerreiras, são especiais, são anjos, são mães, são sábias. Sempre ouvimos dizer que “atrás de um grande homem há sempre uma grande mulher”, mas podemos afirmar que atrás de  grandes mulheres também estarão grandes homens. Homens e Mulheres são seres que se completam. Grandes homens e mulheres, não são os mais bonitos, os mais ricos, os bem trajados, mas os que preservam os valores morais e cristãos. São aqueles que possuem a maior  riqueza, a Riqueza Interior.
             Salve  o Dia Internacional da Mulher! Parabéns MULHERES!!!

BONJESUENSE (Publicado no JORNAL "O NORTE FLUMINENSE")


BONJESUENSE
                                                                                    Vera Maria Viana Borges
“Princesinha do norte fluminense,/ Com honrados patrimônios culturais,/ O “Pau-Ferro”, esplendor bonjesuense./ Bom Jesus terra boa, tão amada,/ De encantáveis belezas naturais,/ Pelo Jesus tão bom abençoada.” (Tercetos do Soneto “MINHA BOM JESUS” do meu livro “TRILHAS POÉTICAS”).
A adorável Bom Jesus do Itabapoana, sedutora cidade, de povo ordeiro e hospitaleiro, tem sua principal atividade econômica na agropecuária. Situada no Vale do majestoso Itabapoana, no Noroeste Fluminense e no Sudeste do nosso imenso, belo e altaneiro BRASIL. Somos consequentemente brasileiros, fluminenses e bonjesuenses.
Temos visto com muita frequência a palavra bonjesuense escrita de formas diversas, com “M”, com e sem hífen... Os nomes gentílicos também chamados étnicos ou pátrios exprimem “naturalidade” ou “procedência” e há variadíssimas formas de os construir. Para a sua composição, recorre-se na maioria das vezes a uma grande variedade de sufixos e desinências e outras vezes às formas latinas ou latinizadas das respectivas localidades. Não podemos estabelecer normas ou regras rígidas para formá-los pois o uso e a tradição impõem os seus direitos, forçando até o emprego de vocábulos sem nenhuma analogia mórfica com a denominação das terras ou lugares. Diante da multiplicidade de elementos não nos espanta o surgir das várias expressões, umas de caráter erudito, outras tantas de cunho popular, para a formação dos mesmos. A exemplo disso temos “Capixaba” para designar os espírito-santenses, “Fluminense” para os nascidos no Estado do Rio de Janeiro, “Carioca” para os da cidade do Rio de Janeiro, rio-grandense-do-norte ou “Potiguar” para os do Rio Grande do Norte, tricordiano para os de Três Corações e salvadorense ou “Soteropolitano”para os de Salvador(BA).
Sabemos  que o uso da linguagem faz com que ela vá se modificando a cada dia. Hoje já temos "o internetês" parecendo uma nova língua, os estrangeirismos que vão tomando conta dos textos, as gírias, os jargões... E, a "Última Flor do Lácio Inculta e Bela" vai se tornando ainda mais inculta e mascarada.
          Palavras como "formidável" que significava algo enorme, terrível, descomunal, usada com este sentido tenebroso por Machado de Assis: "Sei de uma criatura antiga e formidável, / Que a si mesma devora os membros e as entranhas. (Machado de Assis, Poesias Completas, página 293). Atualmente usamos a palavra formidável para designar algo que desperta respeito, admiração ou entusiasmo; muito bom, muito bonito, magnífico. Como exemplo outro intelectual não menos valoroso que Machado, usou-a assim:  "fez uma acusação vibrante, veemente, formidável." (Medeiros e Albuquerque, Surpresas..., página 138). No segundo sentido ficou tudo mais interessante, excelente, bom demais. Durma com um barulho destes! Esta é a grande prova de como tudo se transforma...
          É por tudo isto que eu reafirmo, a questão do "BONJESUENSE" é conversa para mais de metro. Amo demais a Língua Portuguesa e  estudo, trabalho para dignificá-la tentando acertar, mas dentro de minhas limitações eu sinto, enxergo que tenho mesmo é muito para aprender. Não sou autoridade para me pronunciar a respeito, não se pode dar fim à causa por uma consideração minha, mas continuarei grafando "BONJESUENSE",  porque a língua é viva, e o erro (se assim alguém considerar) de tanto ser usado passará a ser correto. Quantas palavras mudaram até de significado?  Jamais usaria "bomjesuense" porque antes de " p e b" usa-se "M", antes das demais consoantes deve-se usar "N". Não foi assim que aprendemos? Quanto a querermos usar a composição -"BOM JESUS" e daí - "bom-jesuense"  ficaria correto gramaticalmente, ou melhor corretíssimo segundo o Novo Dicionário do Aurélio (4ª Edição- página 315)  que faz menção a "bom-jesuense" de Bom Jesus do Itabapona-RJ e a "bom-jesuense-do-norte", assim mesmo com todos os hífens, referindo-se à querida Bom Jesus do Norte-ES. Alguns autores de Dicionário usam o termo bonjesuense. É uma questão de interpretação. Nossos intelectuais estão usando a forma por mais de cem anos, isto já está enraizado, mais que incorporado no nosso vocabulário, foi assim que aprendemos, e é assim que está nos registros e no banner da ACADEMIA BONJESUENSE DE LETRAS. Há casos que podem mais do que a lei. Um renomado amigo, intelectual, participando de certo evento ouviu da palestrante a seguinte máxima, “a língua portuguesa poderia ser utilizada como instrumento de dominação” e prosseguiu, “muitas vezes somos obrigados a ter algo como “certo” ou “errado”, sem ser oferecida qualquer fundamentação”. E isso pode se prolongar nas outras esferas da vida.”
               Eis aí o que acho, é apenas o que penso. Poderá haver um CONSENSO e tornarmos uniforme a grafia do nosso gentílico. Somente se houver qualquer resolução embasada, por intelectuais bonjesuenses  de renome, em princípios plausíveis e bem elucidados é que poderemos acatar, modificando assim o nosso ponto de vista.

CENTENÁRIO DA PARÓQUIA DE SÃO SEBASTIÃO - VARRE-SAI - RJ


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

O PRIMEIRO PIANO DO VALE DO ITABAPOANA (Publicado no Jornal "O NORTE FLUMINENSE" - 15 de janeiro de 2013)


O PRIMEIRO PIANO DO VALE DO ITABAPOANA
                                                                                            Vera  Maria Viana Borges
                    “Na terra somos caminhantes, sempre prosseguindo... Isso significa que temos de nos manter em movimento, caminhando adiante. Assim esteja sempre insatisfeito com o que você é se quiser alcançar o que você não é. Se estiver satisfeito com o que você é, você parou. Se disser “é suficiente”, você está perdido. Siga andando, movendo-se para a frente, tentando atingir a sua meta. Não tente parar no meio do caminho, voltar ou desviar-se dele.” (Sto Agostinho - Sermão, 169-18) 
                Meus bisavós, Feliciano de Sá Viana e Ambrosina Justa de Sá Viana não esmoreceram, jamais perderam o entusiasmo. Chegaram à Fazenda da Prata, oriundos das Minas Gerais em 1862. Casal cheio de vitalidade, ânimo e alegria, pôs mãos-à-obra, dedicando-se à agricultura, atravessando épocas de vacas gordas pelo desempenho auspicioso do trabalho e dedicação a que se empenharam.
               Via crescer a numerosa prole em meio a muita fartura proveniente de seu trabalho na terra, acalentando o sonho de educar todos os filhos proporcionando-lhes cultura e principalmente almejava que aprendessem música para encher de alegria o seu lar e aquele rincão distante...
             Sonhava comprar um piano, mas para tal aquisição era necessário ir à Corte. Preparando-se e indo até lá adquiriu o instrumento, um piano de cauda; tratou de despachá-lo até o Porto da Limeira, que já funcionava desde 1864, a uns mais ou menos dez quilômetros da atual localidade de Ponte do Itabapoana, no rio Itabapoana, ligando este ao mar em Barra do Itabapoana. De lá veio até Bom Jesus de carro-de-boi e para dar continuidade à viagem, não havendo estradas, escravos tiveram de empunhá-lo e levá-lo até Arrozal de Sant'Ana, mais precisamente na Fazenda da Prata, onde residiam os Sá Viana.
                  Os filhos cheios de curiosidade rodearam o instrumento,  uma grandiosíssima novidade  na região. Feliciano por sua vez anunciava a necessidade de um mestre, corria de boca em boca a notícia... Sentia-se feliz mas ao mesmo tempo triste vendo o piano ali, mudo... Homem de expediente já providenciava alguém para ministrar aulas e contratado já estava um Professor de Escolaridade que viria ensinar leitura, contas e conhecimentos gerais a todos.
    Entre seus criados, havia um escravo vindo de Diamantina, que  cochichara aos outros, saber tocar piano. Chegando a alvissareira notícia aos ouvidos do patrão, este dando-lhe roupas limpas e decentes, pediu que tomasse um banho e se aprontasse devidamente. Quando adentrou o salão da Casa Grande, estava irreconhecível, de paletó e gravata. Emoção enorme aos primeiros acordes que quebraram o silêncio daquelas matas, daqueles cafezais, esfuziando aqueles olhares expectadores, encantando aqueles ouvidos ávidos  de uma boa e bem animada melodia. O contentamento foi geral.
            Passaram os Sá Viana a organizar saraus, atraindo pessoas da vizinhança e alegrando sobremaneira toda a família que se organizava para receber os que vinham dançar e apreciar as bem executadas valsas da época. Nestas reuniões semanais, serviam fartíssima mesa das mais finas e variadas iguarias, onde todos comiam  a  vontade.  
                Com a chegada do Professor “João Lino”, o início dos estudos e a surpresa maior: ao ver o “piano” disse que ele poderia também dar conhecimentos de música e ensinar os mais diversos instrumentos. Iniciou-se assim a realização do sonho do fazendeiro. Os filhos, Romualdo, Eulália, Aureliano, Adélia (Sinhazinha), Elpídio, Henrique, Malvina, Adolfina, Mulata, Adelaide, Diana, Abílio e Julinho se entusiasmaram e logo formaram conjunto com clarinetas, trombones, contrabaixos, Sax Horn, requinta e piano. Sobressaíram, Romualdo na clarineta, Julinho no cantrabaixo (ainda jovem faleceu na arquibancada de um circo onde tocava, atingido por uma bala perdida, disparada numa briga do lado de fora), Elpídio no trombone (a maior parte de sua vida foi dedicada ao contrabaixo), Henrique no Sax Horn, Adelaide no piano e requinta; Mulata dedicou-se um pouco ao piano e gostava de cantar. 
             Cada filho que se casasse recebia de dote um sítio e um lote de burro. Não eram apenas saraus e brincadeiras trabalhavam duro, estudavam e se dedicavam aos estudos de música e dos diversos instrumentos.
          Mudando-se para a Fazenda União, mais próxima de Rosal (hoje propriedade do Sr. Carlowe Junger Vidaurre), ficou mais próximo de seu amigo e compadre Luís Tito de Almeida (Lulu), sogro de seu filho Elpídio que desposara Elzira. 
Tocavam em ladainhas, casamentos e festas em geral, até que um dia reuniram-se Lulu (Luís Tito de Almeida), Elpídio de Sá Viana, Durval Tito de Almeida, Custódio Soares de Oliveira, Sebastião Magalhães e Elias Borges, iniciando o trabalho de formação da Corporação Musical 14 de Julho, que tem como data oficial de sua fundação, 14 de julho de 1922. Continua firme e vibrante com retretas nas praças, espalhando vida e alegria por onde passa, com suas marchas, dobrados e peças do cancioneiro popular.
           Constantemente havia encontro das Bandas. No casamento de Mulatinha, neta de Feliciano, filha de Romualdo, compareceram as Bandas do Sr. Lulu e do Chico Gomes, clarinetista dos bons e que também formara uma banda com elementos de sua família, lá na Barra Funda. Elemento de uma Banda tocava também na outra; foram se casando e misturando as famílias e finalmente todos se tornaram parentes, acabando praticamente numa só família.
                 Os Sá Viana se espalharam pelos dois lados do vale do Itabapoana, fazendo frutificar a vocação musical que lhe estava impregnada no sangue e os conhecimentos que se adquiriram através daquele primeiro piano que com grande ideal foi trazido para esta região.
               Elpídio de Sá Viana organizou na década de 40 uma filarmônica em São José do Calçado. Inicialmente contou com cinco de seus filhos: Luís, Antônio, Feliciano (Neném), Hélio e Geraldo, todos excelentes músicos e procurou completar o grupo com elementos da localidade a quem ministrava aulas. A filarmônica recebeu o nome de “Euterpe São José”, mais tarde passou a “Lira 19 de Março”, apresentando-se impecavelmente uniformizada e executando sempre com perfeição o vasto e  riquíssimo repertório.
              A descendência de Feliciano e Ambrosina continua acalentando e realizando o seu grande sonho... Que Deus os acolha em sua Glória como recompensa pela herança deste dom tão harmonioso quanto melodioso. Erguendo as taças da gratidão e do amor, prestamos-lhes uma consagradora homenagem pela determinação e garra com que impregnaram nossa gente e nossa terra com a paixão e o ardor deste ideal, assegurando que continuaremos mantendo viva a chama de seu lindo sonho que ainda nos embala  com suaves canções e que com a graça de Deus assim o será para todo o sempre.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

UM FACHO DE LUZ ( Publicado no ÓRGÃO INFORMATIVO DA ABDL)



 UM FACHO DE LUZ

                                                                                            Vera Maria Viana Borges
 
                 Quando as portas se abrem para o fulgor de um Sodalício percebe-se um facho de luz a cintilar tão profundamente na mística da comunhão de ideais, na pujança do extravasar das mentes e almas  o objeto da mais alta inspiração, reunindo toda a perfeição concebível no nosso imaginário. Momento ímpar!
             Um sonho sonhado por três amados poetas bonjesuenses tornou-se real aos quatro de dezembro de 1976. Os sonetistas Ayrthon Borges Seródio, Athos Fernandes e Antônio Miguel sob a égide do grande mecenas campista, o Criador de Academias por tantas que ele apadrinhou Brasil afora, criaram a nossa ABDL - Academia Bonjesuense de Letras que por várias décadas desempenhou com honradez e entusiasmo as suas funções e seus objetivos. Infelizmente por motivos vários que dispensam por si só explicações, acabou caindo no marasmo, naquele redemoinho inesgotável que suga todas as esperanças e ela foi lançada num vácuo inexplicável até quase se perder no sem-fim dos acontecimentos, dos fatos e das coisas.
             A falência da Cultura nos assusta. Há na vida de todos nós, o momento em que se torna necessária a reflexão para que as coisas sejam colocadas nos devidos lugares. Revendo o cumprimento das obrigações inerentes à posição que ocupamos, com o compromisso de fomentar a cultura, o hábito da leitura, a apreciação da arte com a finalidade da exaltação do Belo, a preservação da  nossa História e a continuação da mesma, através dos atos do nosso dia-a-dia, o incentivo  às crianças, jovens e indivíduos de toda faixa etária, incluindo os da terceira idade que após a aposentadoria tendo mais tempo livre  buscam algo para preenchê-lo com alguma coisa  útil e saudável que só enobrece, eleva a autoestima e o torna mais feliz, resolvemos tomar uma atitude, fazendo uso dos DONS atribuídos por DEUS, nosso Poeta Maior. Cabe a cada um de nós administrar este legado, esta herança e multiplicá-la através do trabalho honesto, transparente, arregaçando as mangas, sem a pretensão de aparecer e receber honrarias, dividindo-a em doses acertadas a fim de que não sejam prejudiciais a nós e nem aos outros. Assim agindo com Sabedoria e Amor, atingiremos  o ideal maior quando discernirmos o bem do mal, separando o joio do trigo.
          Sobrepujando intempéries, injustiças e indiferenças, com nossas almas plenas de esperança e amor buscamos a vitória que de algum lugar nos acena. Podemos nos orgulhar do Celeiro de Talentos que é nossa tão amada Bom Jesus, que se preza por uma cultura admirável. Para a arrumação da casa contamos com os nossos queridos confrades e com novos acadêmicos, sangue novo, para que circulem novas ideias, novos projetos visando o crescimento desta Instituição Cultural já respeitada pelo valor de seus intelectuais. O sucesso  de grandes empreendimentos deve-se ao trabalho intenso onde a colaboração de muitos é fator primordial para que tudo dê certo.
      Houve o fim de um ciclo. A nova etapa que se inicia não deverá ser apenas mais um recomeço, e sim, o prosseguimento de uma trajetória de grandes realizações. Fiquemos com o pensamento de Robert  F. Kennedy:  “Cada vez que uma pessoa se levanta por um ideal, age para melhorar o destino dos outros ou combate a injustiça, provoca uma pequena onda de esperança, que, cruzando-se com outras a partir de  um milhão de diferentes centros de energia e coragem, formam uma corrente capaz de varrer as mais poderosas barreiras de resistência e opressão.”