sexta-feira, 8 de setembro de 2017

NOITES DE CULTURA E ARTE (Publicado no Jornal O NORTE FLUMINENSE - nº 2316 - 22 de agosto de 2017)

NOITES DE CULTURA E ARTE   
                                                                                      Vera Maria Viana Borges  
          Bom Jesus do Itabapoana/RJ  foi palco de históricas, memoráveis e fulgurantes noites culturais na década de 90.  A primeira, a segunda e a terceira noites aconteceram no governo do saudoso Prefeito Carlos Borges Garcia, a quarta, a quinta, a sexta e a sétima no governo do Prefeito Álvaro Moreira, a oitava e as subsequentes no terceiro mandato de Carlos Borges Garcia. Ambos prestaram relevante apoio à CULTURA bonjesuense. Tudo aconteceu sob a coordenação da Professora Maria José Martins, a CRIADORA DAS NOITES DE CULTURA E ARTE, acontecidas ao longo de dez anos em encantáveis edições. 
      Coração afeito às amizades, energias canalizadas integralmente para as responsabilidades do lar  e do trabalho, valente e corajosa, mulher com nobreza de sentimentos, firmes atitudes, cantora por excelência, dona de belíssima, maviosa e afinada voz, presença constante e marcante nos eventos sociais e culturais do Vale do Itabapoana, a professora e promotora cultural Maria José Martins, Diretora do Departamento de Cultura de Bom Jesus, criou as Noites de Cultura e Arte, em 1990, com a finalidade de mostrar e valorizar o talento do artista da terra nos campos da poesia, da música, artes plásticas, danças e outros, concedendo o Prêmio Cultura às personalidades que se destacavam  na esfera das Artes e da Cultura.
          Desenvolveu com determinação, garra e arte, "Encontros de Coros e Corais", objetivando a valorização de instrumentistas, intérpretes e Escolas de Música; "Encontros Regionais de Bandas de Música (Civis)";  "Oficina de Teatro" envolvendo as redes de Ensino Municipal, Particular e Estadual; "Festival Estudantil de Teatro"; " Festivais de Canção";  "Encontros de Folias de Reis" visando resgatar o mais antigo e tradicional folclore da região, valorizando a cultura popular e no  Dia Nacional de Ação de Graças, a cada ano, promovia um  grande  evento reunindo o Comércio, Instituições, Escolas, Igreja e Comunidade, num momento de GRATIDÃO apresentado com louvor e arte, além de se colocar à inteira disposição da Comunidade para trabalhos em parceria, com a condição de que não houvesse atropelos em seu Calendário, contando sempre com o apoio irrestrito dos nossos estimados e dignos Prefeitos e da Secretária de Educação. Nascida em Italva-RJ, Maria José é italvense de nascimento e bonjesuense de coração e por título conferido pela Câmara Municipal tornou-se bonjesuense por direito e conquista. Esta mulher autêntica e sensível merece nossos aplausos e nosso comovido abraço de agradecimento por tudo o que fez pelo nosso Município.
              Eram refulgentes noites, fartas de encantamento e de emoções, iniciadas com o slogan:"Feliz a cidade que faz da cultura o seu instrumento de integração.” O imponente espetáculo destacava intelectuais e artistas da terra do Senhor Bom Jesus e do Vale do Itabapoana e ainda homenageava como PATRONO a cada ano, uma personalidade de reconhecida influência nos campos da Cultura e da Arte. O nome do Patrono só era revelado durante a solenidade. Patroneou a primeira noite o Dr. Salim Daruich Tannus e seguiram-se o Dr. Ayrthon Seródio, Ana Maria Teixeira Baptista, Euzechias Tito de Almeida, Georgina Mello Teixeira (Dona Nina),  André Megre Carvalho, Amílcar Abreu Gonçalves, Marisa Teixeira Valinho, Vera Maria Viana Borges e Héliton Pimentel Dias.
                     O recinto superlotado era preparado com pompa e circunstância.  A cada ano era maior a frequência dos fiéis cultores do Belo o que comprovava o nível crescente, a cada realização, daquele que foi o maior evento artístico- cultural de todo o Vale do Itabapoana.
                     A abertura sempre esteve a cargo do “Grupo Musical Amantes da Arte”, com a Marcha "BOM JESUS" de autoria do saudoso poeta e jornalista Salim Tannus. Deve-se ressaltar que este Grupo Musical  continua  cantando e encantando em suas primorosas apresentações, nos mais diversos eventos do Vale do Itabapoana. A líder do Conjunto, Ana Maria Teixeira Baptista, no início de 1990, reuniu e formou o Coral que se apresentou pela primeira vez na I Noite de Cultura e Arte com pequeno número de participantes. Atualmente o grupo cresceu e se faz presente em todas as festividades apresentando belos números do vasto repertório a uma, duas, três ou mais vozes, aplaudido sempre entusiasticamente. 
                 A diversidade das apresentações nos encantavam. Vale lembrar Os Colibris, Coral regido por Maria Bernadete Teixeira,  Corais de Escolas e de Igrejas, Apresentações  das Escolas de Música, CRISTO REI sob a direção de Marise Xaxier,  LEVY de AQUINO XAVIER dirigido por Dona Nina e JEMAJ MUSICAL da Professora Anísia Pimentel, Grupos de Dança das Escolas Estaduais e Municipais, Ballet Moderno da Professora Ana Amélia Vieira Nazareth, Grupo Teatral de São José do Calçado “DE PÉ NO CHÃO”, Coral Acalanto, o grande violonista Amílcar Abreu Gonçalves, Geraldo Almeida Vianna, Neumar Monteiro, Sandra Rosa Tardin, Vilmeia Godoy Pimentel, Oziel Pessanha, Renato Pessanha e Olívia  da Banda Imagem e Som, Maria Lúcia Borges, Vera Maria Viana Borges, Paulinho Natividade, Sebastião Purificati, Sandra Nunes, Walzenir Fiori, Maestro José Carlos Ligiero, Lira 14 de Julho, Cantor JR, Jaime Figueiral, Sebastião Rocha, Paulo Moraes, Argeu Vieira, André Megre, Mônica Fernandes, Gut Mello, Maria José Martins, Marisa Teixeira Valinho, Ana Maria Teixeira Baptista, Nina Mello Teixeira, Maria da Conceição Fragoso de Oliveira, Academia Ruy Castro, Cantor Sertanejo Lúcio Ramirez, Banda Fá Maior, Lília Manfrinato (Pianista Clássica) e a Cantora Lírica Maria do Carmo Lima Alvarenga, dentre muitos outros.
                     Para finalizar a Prof.ª Maria José Martins chamava ao palco, para os devidos aplausos, os artistas que tornaram ainda mais belas as Noites de Cultura e Arte com a  exposição de seus trabalhos, os artistas plásticos, artistas fotográficos, artesãos e decoradores. Podemos citar alguns, aleatoriamente, distribuídos pelas dez gloriosas noites:  Margarida Maria Almeida Soares Borges, Lourdes Gomes de Moraes, Ed Estevão, Fernanda Moraes de Almeida, Maria Amélia Pimentel, Sílvia Márcia Santos Nery,  Humberto Boniolo, Rosa Maria Carrereth Alves da Silva, Maria Clara Xavier de Lima, Maria Iza Freire, Vera Areas, Faustino Ruiz Fernandes, Maria José de Lima Lengruber, Glicélia de Fátima Andolfi, Maria Aída Garcia Fiori Couto, Alcemilson Pessanha Gomes, Leopoldo Guilherme Mathias, Léa Sthefen, Edson Vicente (Edinho), Marly Gomes Borges, Sônia Mazzini Arruda, Telma Oliveira Freire, o casal de artesãos Dr. José Alfredo Borges do Carmo e Dr.ª Cláudia Bastos do Carmo, o decorador Miguel Angelo Neves e outros.
               As magnificentes, inolvidáveis e apoteóticas noites que nos seduziram e encantaram os espectadores estarão para sempre no mais profundo de nossas memórias e sempre vivas em nossas almas e corações.

sábado, 29 de julho de 2017

JOSÉ DE OLIVEIRA BORGES (ZEZÉ BORGES, foi Vereador, Deputado Estadual e Prefeito de Bom Jesus do Itabapoana)


LIRA 14 DE JULHO (Publicado no Jornal "O NORTE FLUMINENSE" - 29 de julho de 2017)

LIRA 14 DE JULHO
                                                                                    Vera Maria Viana Borges  
                              Desde a antiguidade o homem se encantou e se deixou arrebatar pelos sons e pelas melodias. Até mesmo os próprios  animais mostram-se sensíveis aos seus encantos. Os povos de civilização mais rudimentar a cultivavam quer para o recreio espiritual ou para o incentivo na luta. Fez sempre parte dos cerimoniais sacros e diz-nos a “Bíblia” que o Rei Davi dançava nas procissões religiosas, à frente da ARCA, desferindo as cordas da harpa. Entre os gregos e romanos ocupou lugar predominante na educação do povo.
                          A música coloriu a minha vida com vibrante força. Foi bálsamo para minha alma e alimento para o meu  amor.  Cultivá-la, é cultivar o que há de mais belo e nobre. Como afirmou o Escritor Espanhol Miguel de Unamuno (1864 - 1936) “Não sei como pode viver quem não leve à flor da alma as lembranças da infância.” Há momentos revestidos de tal transcendentalismo que levando-nos aos páramos da alma nos remetem a um remoto tempo em que vejo minha amada e doce vila onde a música se veste nas roupagens dos dobrados e das protofonias, inebriando o ar com o som dos metais e das palhetas misturado com os vibrantes instrumentos de percussão. Pelas ruas, nas praças e coretos  a  Lira 14 de Julho, altiva, aprumada, exuberante e  mágica  há noventa e cinco anos causando prazer, supremo deleite, seduzindo, cativando e envolvendo a todos num turbilhão de emoções. Foi neste ambiente que vivi até os meus dez anos. A 14 de julho é a  fonte da qual sorvi todo o gosto musical que me acompanha.
                   Há alguns anos, em bate-papo com Geraldo Roseira Soares, obtive informações, examinando documentos que apontam para a fase em que Luís Tito de Almeida (Lulu Almeida), Custódio Soares de Oliveira, Elpídio Sá Viana, Durval Tito de Almeida, Sebastião Magalhães e Elias Borges iniciaram um trabalho de formação da Corporação Musical Lira 14 de Julho, que tem como data oficial de sua  fundação, 14 de julho de 1922.
                          Sem nenhum apoio oficial, os músicos citados, com instrumentos adquiridos pelos mesmos iniciaram a formação de uma banda rosalense que ensaiava nas casas dos próprios músicos. O empenho dos músicos e as possibilidades de se apresentarem, fizeram com que as festas populares de Rosal e adjacências tivessem uma nova atração; uma banda de música, para alegrar os saraus, leilões e ladainhas. Na década de 40, estabeleceu-se em sede própria, à Praça Alzemiro Teixeira e integrou-se à comunidade por meio da participação de tantos quanto revelassem talento e desejassem participar das aulas e apresentações. Importantes cidadãos e músicos fizeram parte da Corporação, dentre eles Feliciano de Sá Viana o introdutor da Música na região,  Tatão Magalhães, Aristides Nobre, Romualdo Sá Viana, Elpídio Sá Viana, Apolinário André dos Santos, Antônio Almeida, Sebastião Gomes Filho (Fio Bernardo), Vergílio Soares de Oliveira, Manoel Rosa (Carapina), Luiz Sá Viana, Antônio Almeida Viana, Professor Sebastião, Dionísio Pimentel, José Alonso Filho, Durval Almeida, Euzechias Tito de Almeida (Tuca, maestro por muitos anos), Dirceu Xavier de Almeida, Dário Xavier de Almeida, Nael, Elias Borges (Liá), Nelsino Gonçalves, Alvim Paulo de Aguiar, Álvaro Gomes de Oliveira, Chipinho, Bem Figueiredo, Tiãozinho, Toinzinho e muitos e muitos outros.
                      No decorrer de toda a sua existência manteve o respeito impresso pela tradição musical que a faz respeitada não só pelo povo da terra mas também por todos que apreciam o gênero e reconhecem a importância da música na formação da cidadania. Sua sede recém-ampliada com o apoio da municipalidade, sobrevive graças ao incentivo dos rosalenses e admiradores de outras plagas. As aulas de música  proporcionam sadia convivência entre professores e alunos. Creio que Euterpe o deus da música, esteve sempre atento a esta corporação e o Pai Eterno esteve sempre abençoando este punhado de abnegados, que roubando horas de seus afazeres ou a seus ócios, contribuíram grandemente não só para o recreio espiritual e aprimoramento estético, cultivando o que há de mais nobre e salutar  em nosso espírito, o gosto do belo.
                                 Em 1997 houve em Rosal, magnífica e esplendorosa festa, com extenso e bem elaborado programa para comemorar os 75 anos da sua tão importante Corporação Musical. De parabéns todos aqueles que se empenharam para a concretização do notável evento: o então Presidente Petrônio Gonçalves Figueiredo, o Tesoureiro Geraldo Roseira Soares, demais membros da Diretoria, o competente Regente, Maestro José Luiz Vargas, os componentes da Lira e toda a comunidade rosalense. Foi apoteótica a execução do dobrado “Capitão Caçula” (um dos meus preferidos, quando pego o acordeão é com ele que faço o aquecimento) e do Hino Nacional por todas as bandas; protofonia que encheu de vibração  o ar  com o som de palhetas, metais e percussão elevando-nos aos distantes páramos dos sonhos da nossa infância, e do magistral sonho de Luís Tito de Almeida (fundador), belamente realizado. 
                             Fabiana Morais,  Anselmo Júnior Borges Nunes, o Maestro Cely Tinoco, Regente da Banda e Professor de Música na sede da Entidade, o Presidente Ailton Alves e demais componentes da Diretoria, Luiz Tito Nunes de Almeida e demais músicos e muitos outros apoiadores e incentivadores da emérita Entidade são dignos das mais significativas homenagens e de efusivos aplausos pois estão dando seguimento àquela linda História iniciada em 1922. Dentre os músicos da nova geração destaca-se Davi,  filho de Fabiana, com apenas dez anos.
                       Nas comemorações dos noventa e cinco anos o Reconhecimento merecido e justo da Câmara Municipal de Bom Jesus do Itabapoana, por iniciativa do Vereador Paulinho do Adílio conforme ele mesmo declara: “É com imensa alegria e muito prazer que às vésperas da Lira 14 de Julho completar 95 anos de existência, venho informar que através de uma lei de minha autoria a nossa querida Lira 14 de Julho, que é orgulho dos rosalenses e de todos os que conhecem Rosal, tornou-se um PATRIMÔNIO CULTURAL, IMATERIAL, SOCIAL E TURÍSTICO do nosso Município. Bem mais que ser homenageada é merecidamente ser reconhecida, agora, através desta lei, já sancionada pelo Prefeito Roberto Tatu, a Lira está apta a receber recursos através de convênios nos âmbitos Municipal, Estadual e/ou Federal.” 
                              Parabéns, Vereador Paulinho, pela feliz iniciativa, nossos agradecimentos pelo relevante feito. Deus, Nosso Senhor, o abençoe juntamente com sua linda família.
                   AVANTE, LIRA AMADA! Aguardamos ansiosos pelas comemorações do CENTENÁRIO!!!

quinta-feira, 6 de julho de 2017

O APÓSTOLO DO BRASIL (Publicado no Jornal "O NORTE FLUMINENSE" - 30 de junho de 2017)

O APÓSTOLO DO BRASIL
                                                                                            Vera Maria Viana Borges
            Os dias avançam e praticamente meio ano já se foi. Chegou junho, mês consagrado ao SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS. Mês de tantos santos e de tantas festas, Santo Antônio, São João, São Pedro, São Paulo e dentre outros São José de Anchieta, comemorado no dia nove, um padre jesuíta espanhol, santo da Igreja Católica e um dos fundadores da cidade brasileira de São Paulo. Beatificado em 1980 pelo Papa João Paulo II e canonizado em 2014 pelo Papa Francisco, é conhecido como o Apóstolo do Brasil, por ter sido um dos pioneiros na introdução do cristianismo no país. Em abril de 2015 foi declarado copadroeiro do Brasil na 53ª Assembleia Geral da CNBB. Foi o primeiro dramaturgo, o primeiro gramático e o primeiro poeta nascido nas Ilhas Canárias. Foi o autor da primeira gramática da língua tupi, e um dos primeiros autores da literatura brasileira, para a qual compôs inúmeras peças teatrais e poemas de teor religioso e uma epopeia. É o patrono da cadeira de número um da Academia Brasileira de Música e Patrono da Academia Marial de Aparecida/SP, instituição idealizada e estruturada pelo Cônego João Correia Machado. Foi criada por Decreto do então Arcebispo de Aparecida, Dom Geraldo Maria de Moraes Penido, em 16 de julho de 1985, por ocasião do XI Congresso Eucarístico Nacional. Foi instalada no dia 21 de dezembro do mesmo ano. Em 6 de maio de 1985, o Bem-aventurado Padre José de Anchieta, primeiro escritor de Nossa Senhora no Brasil, foi declarado, por Decreto Pontifício, Patrono da Academia Marial. Em 1997 foi comemorado o IV Centenário de sua morte e mais vinte anos já se passaram.
              O Padre José de Anchieta nasceu a 19 de março de 1534 em La Laguna de Tenerife, Ilhas Canárias. Aos 17 anos ingressou na Companhia de Jesus, recém-fundada por Santo Inácio de Loyola. Chegou ao Brasil em 1553, na comitiva do segundo Governador-Geral, D. Duarte da Costa.  Em janeiro de 1554, foi a Piratininga (berço da futura cidade de São Paulo), para ser o primeiro mestre do Colégio São Paulo. Aos 25 anos tornou-se Reitor do Colégio de São Vicente e aos 43, Provincial da Ordem. Onze anos mais tarde transferiu-se para o Espírito Santo.
            Apreciando a figura de Anchieta, deve-se considerar dois aspectos: a obra social de longa existência benemérita e a literária, não só de poeta, mas também de dramaturgo.
           Falava e entendia o “tupi”, chegando a escrever a “Arte de Gramática da Língua Mais falada na Costa do Brasil” (1595). Acompanhou o Padre Manuel da Nóbrega na missão pacificadora à Praia de Iperoig, hoje Ubatuba-São Paulo. A paz foi firmada; a essa época compôs o seu Poema à Virgem Maria, escrito pelo Padre nas areias da Praia de Iperoig, guardando-o de memória para passá-lo para o papel em São Vicente.
          Para a tarefa missionária valia-se da Poesia e do Teatro, em vez da teoria preferia a prática, encenada em palco, difundida através da Poesia. O poeta e dramaturgo é tido como o iniciador, o fundador da literatura brasileira.
         Seus autos visavam despertar e conquistar o índio pelos sentidos, usando espetáculos cênicos, a música e o canto, nos adros das igrejas, nas aldeias, nas cidades, nos colégios, em palcos armados com estrados, onde contrastavam-se o Bem e o Mal, Deus e o Diabo, O Céu e a Terra, a Vida e a Morte, o Prêmio e o Castigo, o Pecado e a Santidade, a Salvação e a Condenação. Iniciou também a poesia lírica brasileira. Suas principais obras são: Ao Santíssimo Sacramento, A Santa Inês e o longo Poema, escrito em latim “ Bem-aventurada virgem mãe de Deus-Maria” e “Cartas” (edição Da Academia Brasileira de Letras e comentários de Afrânio Coutinho),com estilo agradável e preciosas informações.
           Em janeiro de 1565 desembarcou na Praia Vermelha, junto ao Pão de Açúcar, daí seguiu para Bahia e Pernambuco e depois para o Espírito Santo.
              No dia 15 de agosto de 1579 recebeu a imagem de Nossa Senhora da Assunção em Rerigtiba, atual cidade de Anchieta-ES com a apresentação do auto “Dia da Assunção” de sua autoria.
                 Em 1585 fundou a aldeia de Guaraparim, sob a proteção de Nossa Senhora da Conceição, escrevendo para a inauguração o mais expressivo auto tupi- “A Alma de Pirataraka”.
               Muitas foram as comunidades fundadas por ele no Espírito Santo, dentre elas destacam-se- São João de Carapina (1562); Nova Almeida, anteriormente denominada Reis Magos (1569); Rerigtiba, hoje Anchieta (1579) e Nossa Senhora da Conceição de Guaraparim, atualmente Guarapari (1585).
             Aos nove de junho de 1597 faleceu na aldeia de Rerigtiba, aos sessenta e três anos, sendo que quarenta e quatro deles, vividos no Brasil. Seu corpo foi levado em ombros indígenas, por quatorze léguas em três dias de caminhada, e o corpo do Santo Missionário chegou à Vila de Vitória, inalterado e conta-se que ninguém sentiu cansaço.
             Foi sepultado na Igreja de São Tiago anexa ao Colégio dos Jesuítas, atual Palácio do Governo. Seus ossos foram trasladados em parte para o Colégio da Bahia e para Roma, no ano de 1611 e em 1617 foram iniciados os processos de Beatificação e Canonização. Em 1736 foi declarado “Venerável” pelas virtudes exercitadas em grau heróico e em 1980 foi Beatificado o defensor dos Índios, o Santo Missionário e Apóstolo do Brasil. Após um processo de canonização de mais de 400 anos, o decreto foi assinado a 3 de abril de 2014. Em 24 de abril realizou-se a cerimônia de Ação de Graças, presidida pelo Papa, realizada na Igreja de Santo Inácio de Loyola de Roma. 
              No mês de junho uma multidão participa da caminhada festiva promovida pela Associação dos Amigos dos Passos de Anchieta.  A sua disposição em caminhar o levava a percorrer, duas vezes por mês, a trilha litorânea entre a então Rerigtiba (atual Anchieta) e a ilha de Vitória, com pequenas paradas para pregação e repouso nas localidades de Guarapari, Setiba, Ponta da Fruta e Barra do Jucu. Modernamente, esse percurso, com cerca de 105 quilômetros, vem sendo percorrido a pé por turistas e peregrinos, à semelhança do Caminho de Santiago, na Espanha.
               Vale a pena visitar o Santuário Nacional de São José de Anchieta e o Museu Nacional também em ANCHIETA/ES. Num grande pátio há um busto do Santo sob uma frondosa castanheira. Uma igreja histórica bem conservada, o museu, podendo-se ainda desfrutar de belíssima vista para o mar. Um  passeio histórico, cultural e religioso onde podem ser vistos  objetos relacionados a ele, suas RELÍQUIAS, um pedaço de sua tíbia e a cela onde faleceu. Um lugar agradável, onde se passa a limpo várias páginas da História do Brasil.
                 Em visita ao paradisíaco litoral capixaba, atravessando o Rio Benevente, há um lindo MONUMENTO, uma estátua em bronze, de corpo inteiro, na praia do centro de Anchieta onde se pode reverenciar o Santo Missionário e Apóstolo do Brasil.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

MÃE POR EXCELÊNCIA (Publicado no Jornal "O NORTE FLUMINENSE" - 31 de maio de 2017)

MÃE POR EXCELÊNCIA
                                                                                                Vera Maria Viana Borges 
                       Lépido e fagueiro chega o mês de maio revestido de tanto encantamento, transbordante de amor maternal.  Mês das Mães e da “MÃE das MÃES”, de infinitas bênçãos mariais.  Festivo o bimbalhar dos sinos que soam  prenunciando a Ave- Maria, para a reza do terço, do novenário e das ladainhas. Época de reflexão e adoção de firmes propósitos futuros, convictos na aceitação da vontade de Deus, com a graça e carinho de Sua Santa Mãe. Este maio é ainda mais festejado. No dia 13, comemora-se o Centenário das Aparições de Nossa Senhora em Fátima. A Festa da Virgem de Fátima é uma das celebrações marianas mais conhecidas no mundo inteiro, em memória à primeira aparição de Nossa Senhora em 1917 nas colinas da Cova da Iria (Portugal), a três pastorinhos, Lúcia dos Santos e seus primos Francisco e Jacinta Marto. 
                            “Nossa Senhora é a Virgem de Nazaré, que viveu com seu esposo José, na Palestina, há mais de dois mil anos  (Lucas 1, 26-33).  Conforme a Bíblia, especialmente os Evangelhos, Maria recebeu de Deus a missão de ser Mãe de seu Filho, Jesus Cristo, que se fez Homem e veio ao mundo para nos salvar (Lucas 1, 30-33; Mateus 1, 2-3; Gálatas 4, 4). Nossa Senhora, durante toda a sua vida, assumiu a missão que lhe fora confiada por Deus, entregando-se, com todo o seu ser, à obra libertadora de seu Filho, Jesus Cristo, conforme lemos no Evangelho de  Lucas (1, 38): “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim  segundo a tua palavra.” Nossa Senhora foi mãe, discípula e associada à obra redentora de Jesus, daquele que foi enviado pelo Pai do Céu para anunciar o reino de Deus e libertar as pessoas do pecado e de suas consequências  (Marcos 3, 31-35; Lucas 1, 38).”
                              “Cheia da graça de Deus, Maria, concebendo Jesus Cristo, pelo poder do Espírito Santo, foi mulher de fé, humilde e generosa, praticou a caridade, sempre forte na esperança e alegre na dedicação ao projeto do Pai (Lucas 1, 45-55; 2, 35)”. E nós, como somos? Temos fé? Somos humildes e praticamos a caridade, somos fortes e alegres, nos submetemos à vontade do PAI? Vivemos a exemplo da Família de Nazaré? Na era dos avanços tecnológicos e da busca desenfreada do prazer e do sucesso pessoal, fala-se muito do "eu" e quase nada ou nunca do "nós". Quando se afirma que no mundo já não existem fronteiras, a solidão nos ataca de forma inexorável.
                          A humanidade está vivendo um período de profundas transformações, devido a vários fatores: o progresso, a globalização, a industrialização, a difusão dos meios de comunicação social e outros. Tais transformações afetaram  em muito a vivência familiar. O tempo de convivência entre os membros da família tem diminuído assustadoramente. Antigamente, o papel de cada familiar era bem definido. A mãe cuidava da casa e dos filhos enquanto o pai ia trabalhar para o sustento da família. No caso da Família de Nazaré, José era carpinteiro. Hoje é diferente, tudo obedece à lógica da técnica, da produção, da economia e da modernização.  O ser humano  passou  a  ter valor para a sociedade, apenas em função da sua produtividade e de sua eficiência. A partir do momento em que não tem mais capacidade produtiva, o ser humano perde o seu valor, tornando-se "descartável".
                               O diálogo em família não é valorizado porque não gera dinheiro e os laços afetivos se desfazem. O que se torna mais importante é o "carro do ano”, a "roupa da moda", os últimos modelos do Computador, do Videogame, Celular, Tablets e as Novelas. O amor é a herança mais preciosa que os pais deixam para os filhos. Pode ser ensinado em cada momento da vida. Sobretudo nos momentos de crise. Maria, exemplo de Mãe! Imaginemos a casa de Nazaré em sua simplicidade, mas impregnada de amor. Amor que é respeito, compreensão e acolhimento. Maria assume com alegria as funções do lar. Cuida da casa, da alimentação e  tece túnicas. Faz tudo com suas próprias mãos. Cuida da formação religiosa do Menino Jesus. Quanto poderemos aprender! Infelizmente muitas vezes, nós não conseguimos enxergar a grandeza e a dignidade da família. O trabalho doméstico delegamos a terceiros, a educação e formação dos filhos é delegada às escolas, os problemas de ordem emocional são encaminhados aos psicólogos e pedagogos. É pela falta de Deus no seio das famílias, pela falta de amor, compreensão e diálogo e falta de conhecimento do que verdadeiramente seja uma família, que os problemas surgem nela.
                             Quando falamos na Virgem Maria, somos incapazes de ver a sua humanidade. Nós a imaginamos fora da realidade do mundo,  entretanto ela viveu como qualquer mulher do seu tempo, com seus afazeres e responsabilidades, em sintonia com o Criador, cultivando em seu coração a graça que lhe permitiu conceber e gerar o Filho de Deus. Estava em oração no momento da Anunciação e pode conhecer a Vontade do Pai  através do que lhe fora dito. Foi a uma cidade de Judá, distante de Nazaré para servir à prima Isabel. Não esperou ser servida. Foi servir.  Sempre solícita e carinhosa. Nas Bodas de Caná faltou o vinho. Os noivos ficariam envergonhados e  mesmo sabendo que não era chegada a hora de Jesus, não  se conteve e na bondade de seu coração materno dirigiu-se ao Filho: Não há mais vinho! ELA disse então aos serventes: “Fazei tudo o que ELE vos disser” e assim ELE realizou o primeiro milagre. Maria é a AURORA que chega clareando a tudo e a todos e com sua formosura anuncia o SOL , o seu amado Filho JESUS.
                                 Maria de ontem, Maria de hoje. Maria da Paz. Maria do Amor. Maria dos grandes  santuários. Maria da singela capelinha do interior, na mais alta serra. Maria dos lares. Maria, nossa força, nossa luz, nosso conforto e guia. Maria de todos os nomes e de todas as raças. ELA É UMA SÓ. A cada lugar onde veio nos visitar ou intercedeu por um milagre, ela recebeu um título, um nome para lembrar o precioso momento. Ela será sempre NOSSA SENHORA, sempre a mesma, Mãe de Jesus e Nossa. Ela abraça as nossas dores e é de fato a nossa Voz no Céu. Faltando em nossas vidas, o vinho do Divino Amor, do abandono, da confiança, da paciência nas tribulações, recorramos à Mãe  e não seremos confundidos. Ela pedirá a Jesus que faça o prodígio de CANÁ, e ELE encherá as talhas de pedra dos nossos corações com o vinho generoso e bom do Seu Divino Amor.
                          Nas Comemorações deste CENTENÁRIO, lancemo-nos nos braços de Maria e deixemo-nos acariciar por Ela. Depositemos nossas cabeças em seu colo. No colo da mamãe, da querida mãezinha, da MÃE POR EXCELÊNCIA.
                                   SALVE MARIA!!!