domingo, 20 de julho de 2014

EM PLENO VOO ( Publicado no Jornal "O NORTE FLUMINENSE" - 17 de julho de 2014)

EM PLENO VOO
                                                                                        Vera Maria Viana Borges
“O homem há de voar”. (Santos Dumont)  Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma, todo o universo conspira a seu favor. (Goethe) “Viver é acalentar sonhos e esperanças, fazendo da fé a nossa inspiração maior. É buscar nas pequenas coisas, um grande motivo para ser feliz!” (Mário Quintana)
O ritmo conturbado e alucinante da vida moderna gera impetuoso estresse que deixa o indivíduo ansioso, irritado e exausto. O sono já não é o mesmo, os sonhos já não são mais sonhos, são pesadelos. A  insônia aparece e há dificuldade para adormecer e após noite maldormida, levanta-se tão cansado quanto  se deitou. As pílulas para dormir são facas de dois gumes, produzem o sono mas interferem na capacidade de sonhar, componente necessário para um perfeito e salutar descanso. O sono e os sonhos não estão sendo suficientes para aliviar as nossas tensões. Buscamos técnicas para libertar nossos corpos e nossas mentes. Com tanta fragilidade, há uma corrida atrás de exercícios aeróbicos, de técnicas de relaxamento, de se fazer algo bem diferente da rotina diária, optando-se por trabalhos manuais e muitas outras alternativas. A maioria das pessoas tem um hobby e busca fórmulas mágicas mergulhando na literatura dos desesperados. Os autores deste tipo de textos faturam milhões, mas muitas vezes nem eles próprios resolvem os seus problemas. “Se conselho fosse bom, ninguém daria, venderia.” Caso o autor deste dito popular vivesse nos dias de hoje, ficaria espantado com a dimensão de sua profecia. Nenhum negócio é tão promissor quanto a venda de conselhos através dos livros, cursos, programas de TV, Cds e DVDs, chamados de autoajuda. Acredito na força da mente, acredito no PENSAMENTO POSITIVO. Podemos criar momentos mágicos ou até mesmo momentos trágicos. Somos o que pensamos. O cultivo de pensamentos positivos equilibrados com fé e amor terão frutos. Acredito na importância dos sonhos. Se visualizarmos os nossos desejos, bons ou maus, certamente eles serão realizados. É o que se dá com os pensamentos positivos que utilizamos para solucionar muitas de nossas tribulações. Quem alimenta sonhos diariamente, com certeza atingirá os seus objetivos. Das mentes sonhadoras nascem as notáveis descobertas, a beleza das artes e os mais sábios pensamentos e palavras, mas nada cai gratuitamente do Céu. Trabalhe e ESTUDE para que a oportunidade possa encontrá-lo preparado. Lembro-me com clareza da voz do meu saudoso pai, quando me via de terço na mão e passando com insistência na Igreja, às vésperas das provas: “Fia na VIRGEM sem estudar para ver o que acontece!”
Tenhamos sempre viva a criança que fomos dentro de nós. As crianças estão sempre cheias de sonhos. As mentes infantis são povoadas deles. Mas, aqui me refiro aos sonhos que são desejos ardentes, são aspirações. Sonhar é pensar insistentemente. Dentre os meus anseios, um em especial, é poder arrumar minha própria cama até o meu último dia. Se estendemos a colcha após dobrarmos os lençóis, guardando-os com os travesseiros é porque ainda temos força e independência, podendo ir e vir sem a ajuda de terceiros. Maravilhoso também é ter vigor para lidar com as panelas, fazer um delicioso bolo, alguns biscoitinhos, uma saborosa sobremesa. Poder AGIR até o derradeiro momento. É muito bom estar em AÇÃO, fazendo crochê, tricô, uma costura e quem sabe poetando, escrevendo belos e variados versos. Afirmou Thomas Jefferson: “Eu acredito demais na sorte. E tenho constatado que quanto mais eu trabalho, mais sorte eu tenho.” Disse Conrad Hilton: “O sucesso está ligado à ação. Pessoas prósperas estão sempre se mexendo. Elas cometem erros mas não desistem.” Já, Emerson nos adverte: “O sucesso na vida depende unicamente de insistência e ação.” Particularmente, penso que o homem de bom senso não se deixa acomodar em almofadas moles, ele arregaça as mangas, põe mãos à obra e vai à luta. É o que tem que ser feito. Se me coloco em AÇÃO, as pessoas poderão não acreditar no que eu falo, mas acreditarão no que eu faço. O exemplo é mais forte do que milhões de palavras. Já foi dito que “o importante não é convencer com grandes palavras, mas surpreender com grandes atitudes.” 
Mexa-se, trabalhe e exercite-se, mas não deixe de sonhar. Segundo Fernando Pessoa “Matar o sonho é matar-nos. É mutilar a nossa alma. O sonho é o que temos de realmente nosso, de impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso.” Nietzsche confirma: “Nada é tão nosso quanto nossos sonhos.” Sabemos que eles funcionam como uma válvula de escape das pressões do labor de todos os dias. Alguém não se torna velho pelo número de anos que viveu, torna-se velho quando deixar morrer o seu ideal, quando deixar que feneçam os seus sonhos. Devemos SONHAR muito, claro, mas não podemos deixar o nosso cotidiano de lado, precisamos enfrentar a realidade do dia a dia. É aquela história de medir a água e o fubá. Na vida tudo tem que ter equilíbrio. Nem tanto ao Céu e nem tanto ao Mar, nem tanto ao Feijão e nem tanto ao Sonho.
Sou poeta e nós poetas temos o privilégio, o dom de sobrevoar lugares encantados que sublimam a alma. Não fico apenas com a cabeça nas nuvens, tenho os pés no chão. Sou positiva, corro atrás dos meus sonhos, não espero cair do céu, vou à luta e sei que quando desejamos de verdade e com fé, nosso sonho tende a se realizar. Muito do que desejei ardentemente foi realizado, não por ter apenas “sonhado”, mas por me prevenir, esforçando-me incessantemente  para que a oportunidade me encontrasse preparada.
Sonhe muito! Para sonhar, não é necessário pagar imposto. E, como explicita o célebre Rubem Alves, “Quem é rico em sonhos não envelhece nunca. Pode até ser que morra de repente. Mas morrerá em pleno voo.”

domingo, 15 de junho de 2014

HAJA CORAÇÃO! (Publicado no Jornal "O NORTE FLUMINENSE" - 12 de junho de 2014)

HAJA CORAÇÃO!
                                                                               Vera Maria Viana Borges
         
                              “Ó sino de minha aldeia,/Dolente na tarde calma,/ Cada tua badalada/ Soa dentro da minha alma...” (Fernando Pessoa). Também nas minhas lembranças tange o sino da Igreja de Santana, na minha doce e serena vila. Creio, não há outra mais bela pois ela é a minha vila, minha terra, meu amor, meu encanto. A religiosidade e o amor telúrico são inerentes às fervorosas almas de sua gente. Também as criações artísticas são valorizadas por lá, assim como a paixão do brasileiro, o ópio nacional, o futebol, que naquele meu tempo de criança era o  esporte sagrado e nos domingos era a principal atração. No Rosal Esporte Clube o vermelho e o branco tremulavam em bandeiras agitadas por animadas torcidas.  Vale lembrar o Dedé André, o Maroca (Admard André dos Santos, meu saudoso pai), Ernesto Lumbreiras, Parafuso, Noir, Aurinho, Jocilem, Carlyle, Nico, Lula, Toninho Aguiar, Oswaldo Degli Spoti, Iranel, nos treinos e nas aguerridas disputas dos campeonatos... As bandeiras tremulavam ao som de seu hino, de autoria dos notáveis atletas- Noir, Jocilem, Iranel e Parafuso:“Eu sou Rosal de coração/ Clube pequeno, mas de grande tradição/ Vermelho e branco, me prende e me domina/ Eu sou Rosal campeão da disciplina...”. Mesmo tendo sido criada neste meio, se me perguntarem se gosto de futebol, vou dizer que sim, mas não me planto diante da TV para assistir aos jogos das tardes domingueiras. Gosto de saber dos resultados, mas quando se trata de COPA DO MUNDO, fico lá com o coração batendo a mil: “Eu sei que vou/ Vou do jeito que sei/ De gol em gol/ Com direito a replay/Eu sei que vou/ Com o coração batendo mil/ É TAÇA na RAÇA, BRASIL!!!” 
                              O Projeto de organização da COPA começou com a criação da FIFA (Federação Internacional de Futebol Associado) em 21 de maio de 1904. A entidade máxima do futebol foi fundada em Paris e tem sede em Zurique, na Suiça. A primeira Copa do Mundo foi disputada no Uruguai em 1930 e a seleção da casa saiu vencedora. A Sexta edição deu-se na Suécia em 1958. Naquele ano eu cursava o quarto ano do Ginasial. O Brasil saiu perdendo dos donos da casa, mas ganhou de 5 a 2, com dois gols do Pelé que contava apenas dezessete anos, dois gols do Vavá e um do Zagallo. Quatro anos depois, em 1962, eu estreava no Magistério Fluminense e apesar da Tchecoslováquia ter aberto o placar, o Brasil venceu por 3 a 1 de virada, com gols do Amarildo, Zito e Vavá. Em 1970, ano do meu casamento, o Brasil conquistou o terceiro título e assim adquiriu o direito de manter a Taça Jules Rimet, em definitivo. A Seleção e eu escrevíamos as nossas histórias e progredíamos. Em 1994, conquista o tetracampeonato, foi a primeira final decidida nos pênaltis e Romário foi o grande jogador, eleito o melhor do torneio . Em 2002 o mundo viu o Brasil ganhar pela quinta vez, conquistando o pentacampeonato. Ronaldo foi o artilheiro com oito gols. Vale lembrar o Capitão Carlos Alberto erguendo a taça em 1970, sua foto foi imortalizada.
                                  Agora é no Brasil!!! Lamento ouvir alguém dizer que torce para que percamos a COPA, para que o país melhore. É descabida a onda de protestos. Não adianta chorar sobre o leite derramado. Deviam ter protestado quando o Brasil foi eleito para sediar o megaevento. Que a vida é dura, é. A pobreza e as dificuldades  existem em todo lugar. Claro que seria bom que todo esse dinheiro gasto, fosse utilizado para melhorar a educação, a moradia, a saúde, a segurança e muitas outras necessidades de nossa população. Mas, se não houvesse COPA, será que estes bilhões de reais seriam transferidos  para suprir as necessidades  que desejamos? O povo tem direito à alegria também. O coração alegre é o melhor remédio, isto é bíblico. Por que ir aos Estádios ver o time do coração durante os campeonatos nacionais? Por que encarar trânsito, pagar ingresso e enfrentar as torcidas organizadas? Por que vestir a camisa do Clube, empunhar a Bandeira e encher o peito de emoção e explodir no grito de cada GOL? Por que tanta gente foi ao Rock in Rio? Por que multidões assistem aos Shows Musicais de artistas famosos? E, eu respondo: porque nem só de pão material vive o homem, mas por igual do pão e do espírito. Nosso povo exaurido pela labuta do cotidiano precisa também de lazer, de alegria, de distração para espairecer, recrear e entreter a fim de juntar forças para enfrentar as vicissitudes e o ofício de cada dia. O brasileiro gosta de futebol que sempre foi paixão nacional e agora na HORA “H” há quem queira atrapalhar, tirando o brilho do evento  e o sossego de todos.
                                          A Copa é um dos eventos esportivos mais assistidos no mundo. Ela tem efeitos positivos sobre o crescimento de certos setores e para o desenvolvimento do país-sede: instalações desportivas e estádios são reformados ou construídos, recursos são investidos em estradas, em aeroportos, em hotéis, em infraestrutura de modo geral, em telecomunicações que ficarão como benefícios para o país. Muitos produtos são produzidos  e vendidos. Os álbuns de figurinhas fazem a alegria dos torcedores que se encontram em vários logradouros para a troca das duplicatas e aqui em Bom Jesus , as crianças, os jovens e até adultos reúnem-se  na Praça Governador Portela. 
                                A esta altura, o Brasil já se vestiu de verde e amarelo. Os jingles e marchinhas já contagiam os brasileiros que torcem para que desta vez conquistemos o HEXACAMPEONATO. São animadas as conversas de botequim, onde  certamente haverá o bolão de palpites antes dos jogos. Rodas de amigos e familiares  se reúnem diante da TV cheios de otimismo e pensamento positivo,  valendo o desejo de mostrar o que é o BRASIL ao mundo inteiro. Que o tatu-bola, o FULECO nos dê sorte. Vamos aguardar o Galvão Bueno: é gol, gol, gol,  gol, goooooooooool , e é do BRASIL!!! HAJA CORAÇÃO!

segunda-feira, 12 de maio de 2014

CUIDADO COM O EGO (Publicado no Jornal "O NORTE FLUMINENSE" - 10 de maio de 2014)

CUIDADO COM O EGO
                                                                                                  Vera Maria Viana Borges
     O Padre Antônio Vieira (1608-1697) em um de seus famosos sermões advertia que “duas coisas há nos homens que os costumam fazer arrogantes, porque ambos incham: o saber e o poder.” Vaidade das Vaidades! A vaidade e o narcisismo são as piores das imperfeições, porque nos enganam. Por mais inteligente que sejamos, haverá sempre alguém mais inteligente. Por mais belo, mais forte, mais charmoso, mais sábio, haverá sempre alguém a superar-nos. Há quem perca o sentido das proporções julgando-se insuperável e desta forma,  inflado, sucumbe e cai no ridículo, enganado por si mesmo. O grande pensador Sócrates, pronuncia:” Só sei que nada sei, e o fato de saber isso, me coloca em vantagem sobre aqueles que acham que sabem alguma coisa.” Quanto ao saber, sei que somente DEUS é capaz de saber e conhecer todas as coisas, aqui, somos apenas aprendizes, uns com conhecimentos num determinado assunto, outros  conhecedores de outras áreas, todos nós usufruindo dos dons que ELE próprio nos concedeu. Segundo Paulo Freire, “Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre.” Quanto ao poder, há os que  ocupam cargos e se enchem de vão orgulho e de uma empáfia desmedida. Acostumam-se com o  poder posicional, e quando caem de seus postos, coitados! Ficam perdidos e muitas vezes entram em depressão porque não cultivaram o seu poder pessoal, colocaram todos os ovos numa só cesta. Disse Santo Agostinho: “O orgulho não é grandeza e sim inchação. O que está inchado parece grande, mas não tem saúde.” Precisamos cultivar aptidões várias, para que, havendo impossibilidade de se continuar pelo mesmo caminho, fazendo as mesmas coisas,  possamos adentrar por atalhos e seguir a  jornada em outros segmentos com determinação. “O que somos contribui muito mais para a felicidade do que o que temos.”(Arthur Schopenhauer)  Confirmando o pensamento anterior, transcrevo o poema “PRATA E OURO”, uma das páginas do meu livro “DE-VERAS... DI-VERSOS...”: “Não quero me desvairar/ Pela prata e ouro,/ Que aprisionam,/ Em pélago fementido.../ Por riquezas, vil metal/ Ou algum tesouro,/ Muitas vezes se ignora,/ Até o próprio Cristo./ Bens materiais e dinheiro jamais/ Deverão ser primazia do bem viver./ P’ra o caráter,/ O que somos vale mais,/ O ser/ É bem mais importante que o ter./ Ser tão puro e simples como lis nos campos,/ Ser digno, fiel,/  Ter bom senso e acreditar/ Que o que de fato tem valia/ É o que somos./ A um bom juízo pretendo ter direito,/ Verdade e justiça/ Quero proclamar/ Não em altas vozes,/ Mas sim em grandes feitos.”
     Os aborrecimentos de cada dia muito nos incomodam. A adversidade nos amedronta, mas é dela que na maioria das vezes, extraímos méritos inesgotáveis. “Fina é a ostra que quando é incomodada pelo grão de areia reage produzindo pérolas.” É nas derrotas que aprendemos a arte de vencer. A prosperidade é atrativa mas pode nos cegar e nos iludir fazendo com que esqueçamos o nosso grande BENFEITOR, AQUELE que nos proporciona todos os bens e todos os dons. São Francisco de Sales nos alerta: “A prosperidade é madrasta da virtude, cuja mãe é a adversidade.” Tomemos cuidado com esta madrasta, não nos deixemos enganar, porque somos viajores com destino ao Porto da Eternidade, à Morada do Céu.
     Política, futebol, investimentos, economia, e cultura são assuntos sobre os quais muito se fala, mas nem tanto se entende.  Vale pela emoção, pela catarse, pelo passar do tempo. É jogar conversa fora. Contudo na hora dos pontos nos “is” será bom seguir a receita dos mais antigos: caldo de galinha e prudência não fazem mal a ninguém. Há os que não usam a receitinha, adoram aparecer e gostam de se beneficiar às custas dos outros puxando-lhes o tapete  e já se sabe que  “Pé que dá fruta é o que mais leva pedrada.” À árvore estéril ninguém dá importância.  “O ciúme tem suas raízes num egoísmo constitucionalmente mórbido.”(Renato Kehl)  E, no entender de José Ingenieros “Todo artista medíocre é candidato a crítico. A incapacidade de criar impele-o a destruir.”  Há ainda os necessitados do estrelismo. Existem os notáveis, os dignos de nota, os que ocupam elevada posição social e os notórios que buscam os holofotes, recorrem a truques e artifícios, pondo-se em evidência  para serem notícias.
     Em contrapartida encontramos no livro “IMITAÇÃO DE CRISTO” a seguinte citação: “O homem tem duas asas, por meio das quais se eleva acima das cousas da terra: são a pureza e a simplicidade.” A simplicidade é a ausência de artifícios e excessos. É o caminho para se chegar à humildade e ser mais servil, menos arrogante e prepotente, combatendo e se livrando da inveja, do orgulho e do ciúme. Ser humilde é ter conhecimento daquilo que somos e que podemos, sem devaneio, sem caprichos e sem fantasias com dotes, dons, virtudes e qualidades que não temos. Ser humilde não é dizer “ sim” a tudo e a todos. É a avaliação do que se é e do que se vale. É conhecer a si mesmo, sem a necessidade de se impor aos outros. Não há necessidade de se buscar lugares de destaque, o melhor é ser como o puro, belo e singelo lírio que viceja em fétido pântano, como a perfumada rosa que nada diz de seu delicado perfume, como os rios que mesmo poluídos são capazes de mover moinhos e gerar energia e ainda como o SOL que se levanta solenemente a cada amanhecer e  sem se recordar das trevas da noite,  não se importa de se lançar sobre pobres e ricos, sobre os bons e os maus.
     Todos, sem exceção, temos saberes, quereres e deveres e somos inúmeros como as estrelas do firmamento, cada qual com o seu brilho. Sejamos como a Via Láctea, magnífica pela união de tantos astros, linda pela beleza do conjunto e como se fôssemos apenas músicos da Grande Orquestra regida pelo Criador. Sejamos faróis a iluminar com nossas palavras de encorajamento e com o nosso sorriso de entusiasmo. Possamos ser sempre exemplo de fé, de coragem, de alegria e otimismo e tenhamos muito CUIDADO COM O EGO, porque o PAVÃO de hoje pode ser o ESPANADOR de amanhã.

terça-feira, 22 de abril de 2014

TERRA BRASILEIRA (Do Livro "DE-VERAS... DI-VERSOS..." de Vera Maria Viana Borges)


FOLHAS DE OUTONO (Publicado no Jornal "O NORTE FLUMINENSE" - 13/04/2014)

FOLHAS DE OUTONO
                                                                                        Vera Maria Viana Borges

                              “Folhas de outono/ Fazem lembrar/ Eu e você/ Junto ao luar.../ Beijo seus lábios/ A murmurar/ Doces palavras/ Do verbo amar.” Música de Joseph Kosma, compositor húngaro naturalizado francês. Sua letra foi escrita em 1945 pelo poeta francês Jacques Prévert. “Les Feuilles Mortes” (As Folhas Mortas) é uma das mais belas canções da França. Incluída originalmente no filme “Les Portes de la Nuit” de Marcel Carné, com apenas pequenas partes cantaroladas pelos personagens de Yves Montand e Nathalie Nattier. Lançado em dezembro de 1946, foi um fracasso comercial, mas a canção se transformou em grande sucesso internacional. Em 1947, o compositor americano  Johnny Mercer escreveu a versão em inglês com o título “Autumn Leaves” (Folhas de Outono) que no melhor padrão de JAZZ teve interpretações extraordinárias. Em 1950 a cantora francesa Edith Piaf interpretou as duas versões (francês e inglês). Juvenal Fernandes fez  a versão brasileira que muito nos encanta. Em 1956 no filme da Columbia Pictures “Autumn Leaves” estrelado por Joan Crawford e Cliff  Robertson, foi interpretada por Nat King Cole. Tempo áureo do “CINE MONTE LÍBANO”. Tempo saudoso. No Aero Clube quantos se embalaram no mavioso e enternecedor compasso.
                           E, por falar em saudade, quem não ficou seduzido pela película “ Outono em Nova York”, que aborda as façanhas de um playboy de 50 anos, mestre da sedução sem compromissos, que conhece uma jovem com a metade de sua idade e o dobro em maturidade e exploram o amor em todas as suas fascinantes e assustadoras  características? Uma bela e sentida história que se desenrola numa única  e curta estação do ano, o outono, com todos os seus encantos e  com todas as suas cores.
                          A palavra outono vem do latim “autumnus” e está associada a “colheita” e “safra”. O Outono é a estação que chega após o Verão e antecede o Inverno, é uma estação intermediária caracterizada pela queda de temperatura e pelo amarelar das folhas das árvores. O chão fica salpicado de bonitas cores. Colore-se de verde, castanho, amarelo, laranja e vermelho. As folhas caem para que nasçam outras em seu lugar.  Tem as noites mais longas que os dias. Outros fenômenos marcantes são as mudanças bruscas de temperatura e diminuição da umidade do ar. Época em que ocorre a maioria das colheitas agrícolas, pois os produtos cultivados já estão bastante desenvolvidos, as folhas com poucos nutrientes, além dos frutos bastante maduros. Mas a árvore mantém-se viva.  Apesar da menor intensidade de luz ela produz energia suficiente para sustentar seu corpo sem as folhas. Atravessa o Inverno e na Primavera refloresce. É sábia a natureza! Se não houvesse a queda das folhas, as árvores não sobreviveriam à  próxima estação, suas folhas se queimariam com o frio do inverno e terminaria repentinamente seu ciclo de respiração. “ A natureza nos mostra a beleza de sua sabedoria: é preciso entrega, é preciso deixar ir o que não serve mais, para proteger o que é mais importante.”  
                        Assim como o outono, a Páscoa é um tempo de preparação e transformação. Páscoa significa a passagem da escravidão para a liberdade. É a maior festa do cristianismo e, naturalmente, de todos os cristãos, pois nela se comemora a Passagem de Cristo - "deste mundo para o Pai", da "morte para a vida", das "trevas para a luz".
                     Na vida tudo passa. As folhas caem e viram adubo para a semente que caiu, a criança passa dando lugar aos adolescentes e aos jovens e estes dão lugar aos adultos. A vida é passagem.  Os hebreus passaram pelo Mar Vermelho, Jesus passou por sua Paixão, Morte e Ressurreição e nós passamos para a vida nova trazida por Jesus pelo Batismo. 
                No limiar da vida pública de Jesus houve o seu Batismo. “Depois que Jesus foi batizado, saiu logo da água. Eis que os céus se abriram e viu descer sobre Ele, em forma de pomba o Espírito de Deus. E do céu baixou uma voz: “Eis meu filho muito amado em que ponho minha afeição.” Neste episódio estavam presentes as três pessoas da Santíssima Trindade: o PAI através de sua voz, o FILHO, o próprio Jesus e o Espírito Santo em forma de pomba.
                    No limiar da Paixão e da Páscoa, a Transfiguração.  Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e conduziu-os a uma alta montanha. Lá se transfigurou diante deles. Seu rosto ficou resplandecente como o sol e suas vestes ficaram brilhantes como a luz, de uma brancura ímpar. E eis que apareceram Moisés e Elias conversando com Ele. Veio uma nuvem luminosa e os envolveu e da nuvem uma voz que dizia: “Eis o meu Filho muito amado em quem pus toda a minha afeição: ouvi-o”. A Trindade se manifestou também no Tabor: o PAI através da voz, o FILHO , o próprio Jesus e o Espírito Santo na nuvem clara que os envolveu. Cristo ali preparou os Apóstolos para não se decepcionarem e nem se desesperarem diante da tragédia que seria a sua morte na cruz. Deu-lhes a certeza: “Eu vou ser Crucificado, eu vou morrer, mas tudo vai continuar.” E ELE ressuscitou no terceiro dia. Possamos reconhecer as transfigurações de Jesus nas pessoas que nos rodeiam e deixemos que ELE se transfigure em nós para que mais e mais pessoas  O conheçam e CREIAM NELE.
                     É vida que segue. A Festa da Páscoa está chegando. Páscoa é passagem. Passagem para uma nova vida, transformada, convertida numa nova vida em CRISTO, abundante de Graças Divinas. A exemplo da natureza, assumamos um compromisso, desapeguemos daquilo que não serve, deixemos ir o que não serve mais, para proteger o que é mais importante, o nosso Crescimento Espiritual. Que a TRINDADE SANTA permaneça em nós!  FELIZ PÁSCOA!!!