quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

APOSENTADORIA

APOSENTADORIA
                                                                                       Vera Maria Viana Borges
      
                                    A MATURIDADE é o alvorecer da SABEDORIA e a plenitude do homem. Ela contribui para a beleza e harmonia do lugar e proporciona a distribuição de talentos para todos aqueles que o habitam.  Só envelhece quem perde o interesse pela vida, quem deixa de sonhar, de procurar novos caminhos e novos mundos para conquistar. Deixando a mente aberta a novas ideias e a novos interesses, descortinando novos horizontes, permitindo que penetre o brilho do Sol e a inspiração de novas perspectivas de vida, haverá a possibilidade de se estar sempre jovem e com força vital. O elixir da vida está em cultivar o que foi bom e seguir novas direções no trabalho, na alegria de viver e no amor.
                   O ancião ainda é o mesmo, apenas com uma bagagem invejável. Ele tem um rico dossiê de iniciativas e além disso ele é resiliente. As pessoas mais velhas têm resiliência, são capazes de viver melhor e de acordo com a situação, levantam, sacodem a poeira e dão a volta por cima. Elas são menos impetuosas pois a vida já lhes burilou, acertou arestas e diante das dificuldades elas são capazes de entender melhor certos acontecimentos. Perdoam e desculpam com mais facilidade. Nos arroubos da juventude a reação era diferente, talvez explosiva, mas com o desenrolar do tempo percebe que as atitudes são muitas vezes mais importantes que os fatos e agem com mais paciência. Falo, claro, da maioria, pois há alguns renitentes, estressados, a quem a vida bate, bate, ensina, ensina e eles não aprendem. 
               Aumentando a expectativa média de vida é como se um número cada vez maior de pessoas tivesse a oportunidade de viver uma “quarta idade” para enriquecer, transmitir  e testemunhar com seus conhecimentos os autênticos valores humanos.  A velhice não existe, existem pessoas mais experientes que podem transmitir maravilhas a partir do momento em que estarão mais livres dos horários fixos de trabalho,  já desfrutando da merecida APOSENTADORIA.
       Aposentar não significa tornar-se inútil, a vida continua, talvez menos movimentada, certamente mais intensa e sobretudo mais plena de liberdade: mais livre, com mais tempo disponível  para louvar a Deus, para se dedicar à família,  para amar aos outros e  sobretudo àqueles que não têm uma vida fácil. É possível tornar plena esta  “quarta idade” com o que a PROVIDÊNCIA através da Ciência e das melhores condições de vida nos presenteou. E nada foi de mãos beijadas, foi tudo conquistado com trabalho digno, com luta e com contribuições por anos e anos para a Previdência. 
        “Uma sociedade que, deixando-se guiar unicamente pelos critérios do consumismo e da eficiência divide os homens em ATIVOS e INATIVOS e considera estes últimos como cidadãos de segunda categoria, abandonando-os à sua solidão, não se pode dizer verdadeiramente civil.”
            Retraite, em francês. Retirement, em inglês. Pensionamento, em italiano. Jubilación, em espanhol. Aposentadoria, em português. Das cinco palavras, a que vem do espanhol parece ser a única que se refere ao momento de deixar de trabalhar como uma fase de alegria: "jubilación", termo similar a "júbilo". Mas a fase da aposentadoria é mesmo alegre? Já ouvimos dizer de alguém que estava com boa saúde até se aposentar e depois foi como se sua saúde começasse a se desintegrar e a morte corresse ao seu encontro. Hoje em dia há muitos órgãos e profissionais que oferecem  suporte para os indecisos e orientação para os setentões. A seguir, veja os itens, dicas de Vera Lúcia Valsecchi de Almeida, professora doutora em serviço social da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo, e de Maria Cristina Gattai, doutora em psicologia social pela USP (Universidade de São Paulo): planeje, poupe, viaje, exercite-se, desenvolva habilidades, encontre um trabalho mais tranquilo, dê mais atenção à vida social, participe de trabalhos voluntários e divirta-se. O presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil, Alexandre Kalache diz que amor, saúde e felicidade são conquistas possíveis em qualquer idade. Ele, que foi diretor do programa de envelhecimento da Organização Mundial da Saúde diz que vive bem depois dos 60 quem conquista quatro coisas na vida que ele chama de “CAPITAIS”. “Para envelhecer bem você precisa de capital de saúde, indiscutível. Todo mundo concorda que envelhecer sem saúde não é uma boa", diz Kalache em matéria do Jornal Nacional da Rede Globo de Televisão.  Eis os capitais que ele considera os pilares para um saudável envelhecimento: Saúde, Conhecimento, Dinheiro e Fazer Amigos. Só que com os salários baixos, a maioria dos brasileiros não tem a capacidade de usufruir das três primeiras sugestões. Já quanto a fazer amigos, nosso povo é alegre, solidário e comunicativo. 
                  Lastimosa a atitude dos governantes do Estado do Rio de Janeiro, deixando sem seus proventos centenas de aposentados, trabalhadores que prestaram concurso e por muitos anos labutaram e contribuíram para a previdência para terem um final de vida feliz e com dignidade. Devido às incompetentes e más gestões que corroeram os cofres públicos, desde o final de 2015 o funcionalismo fluminense vem sofrendo com o décimo terceiro salário parcelado em cinco vezes e com o Calendário irregular de Pagamento de 2016 que foi pago apenas até outubro. Parcelaram o salário de novembro em cinco vezes e no dia cinco de janeiro pagaram a primeira parcela, a irrisória quantia de  R$ 316,00 reais (trezentos e dezesseis reais). Nem se fala em dezembro e décimo terceiro de 2016. A corda rebenta sempre do lado mais fraco e foram os aposentados e pensionistas os que ficaram sem receber porque eles são INATIVOS e sem atividade não podem fazer “PARALISAÇÃO”. Muitos já abriram mão de seus Planos de Saúde e estão vendendo utensílios de suas casas  e tentando vender os imóveis adquiridos com tanto sacrifício. Outros, sem remédios, sem ter o que comer, buscando cestas básicas, pedindo empréstimos, se endividando e sujando os nomes na Praça.  Injustiça com os PROFESSORES e em especial com APOSENTADOS E PENSIONISTAS. Por que são eles que têm que pagar  esta conta? Há um descaso muito grande com os Professores e com os Idosos. Eles se esquecem que o Professor é a viga mestra, é o sustentáculo da Educação, é o preparador de todas as outras profissões e portanto merece respeito. E quanto aos Idosos? Acham que serão eternamente jovens e estarão sempre no PODER?  Hoje é o dia da caça, amanhã será o do caçador. O que se exige não é favor e nem esmola, é direito conquistado e adquirido.
                  Esperamos por melhores dias e que 2017 seja pleno de LUZ e PAZ!

sábado, 24 de dezembro de 2016

RENASCIDOS NO NATAL (Publicado no Jornal "O NORTE FLUMINENSE - 17 de dezembro de 2016)

RENASCIDOS NO NATAL               
                                                                                             Vera Maria Viana Borges
          No crepúsculo deste ano que finda, o mundo inteiro se sensibilizou com a tragédia ocorrida com o avião em que viajava a equipe brasileira da Chapecoense da cidade de Chapecó/SC que caiu quando estava prestes a chegar ao seu destino, o aeroporto de Medellín, na Colômbia, onde deveria jogar a partida final da Copa Sul-Americana com o Atlético Nacional. No avião viajavam 77 pessoas (atletas, jornalistas, delegação técnica e tripulação), 71 morreram e seis sobreviveram ao acidente: dois membros da tripulação, três jogadores e um jornalista. A equipe que veio de baixo, com quarenta e três anos de história, foi campeã catarinense por cinco vezes e disputaria o seu maior título. Surgidos do anonimato construíram uma carreira de sucesso. Este foi o principal assunto durante vários dias no Brasil e no mundo. Foi um duro golpe para o futebol. Imensa tristeza, inúmeras famílias enlutadas. Comoção nacional! O Brasil parou e todo o povo brasileiro abalado, chorou  com todos os atingidos pelo terrível acontecimento. 
          Num dos dias mais tristes da História do futebol, enquanto o Brasil chorava, parlamentares mais preocupados com seus próprios interesses, na calada da noite, aprovaram medidas para desfigurar o pacote anticorrupção. Uma retaliação à operação Lava Jato. Do lado de fora, vândalos empunhando bandeiras destruíram repartições públicas, atearam fogo em carros, deixando um rastro de destruição na Esplanada dos Ministérios. A Câmara jogando um balde de água fria no combate à corrupção, o Legislativo declarando guerra ao Judiciário, um verdadeiro atentado à democracia. Situação crítica a que vivemos.
          É também de se lamentar a forma com que o aborto foi tratado num julgamento de Habeas Corpus, no STF, onde se entendeu que um aborto cometido até o 3º mês de gestação não é crime, inocentando uma clínica clandestina de aborto.  Um contrassenso, justo no Tempo do Natal que Celebra a VIDA. “A vida é um dom de Deus e só Ele é quem define sobre o seu fim”, assim se expressou a Santa Madre Teresa de Calcutá e ela ainda afirmou: “Eis porque o aborto é um pecado tão grave. Não somente se mata a vida, mas nos colocamos mais alto do que Deus; os homens decidem quem deve viver e quem deve morrer.” O embrião é VIVO, a vida se inicia no momento da concepção, quando o óvulo da mulher e o espermatozoide do homem que são células vivas se unem dando origem a um ser vivo da mesma espécie humana. “Ponho diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe, pois, a vida, para que vivas com a tua posteridade, amando o Senhor, teu Deus, obedecendo à sua voz e permanecendo unido a Ele. Porque é esta a tua vida e a longevidade dos teus dias na terra que o Senhor jurou dar a Abraão, Isaac e Jacó, teus pais”  (Deuteronômio, 30, 19 e 20 ).  Quando fomos concebidos tivemos no aconchego do útero de nossas mães o primeiro berço. Lá estivemos por um dia, um mês, dois meses, três meses... Tivemos, com a graça de Deus,  com a boa vontade, o amor e o carinho de nossos pais, o merecimento de nascer aos nove meses de gestação. Rogamos aos Céus por todos os nascituros e nos colocamos em defesa da VIDA HUMANA desde a sua concepção.
          Mediante tantas incoerências, fica difícil, mas fechemos os olhos e pensemos nas alegrias que hão de vir em 2017 com CRISTO renascido em nós. Seremos felizes! Deus conosco sorrirá, certamente! Que o espírito do Natal se espalhe pelo ar, fazendo nascer sementes de esperança.
          Época de refletirmos corrigindo falhas e adotando firmes propósitos de acertos futuros, e para isto será indispensável não pensarmos apenas no feriado prolongando, na Ceia, nas compras e presentes; no consumismo que transforma o maior evento da humanidade em festa pagã. Tenhamos um NATAL comprometido com o Evangelho, fazendo JESUS crescer. O advento além de tempo de esperança, é um tempo de compromisso na construção de um mundo melhor, mais fraterno, mais solidário. Vamos celebrar a Paz, a Fraternidade, a Unidade, o Amor, a Festa da Família.
         Abramos os corações para que Jesus penetre com a paz anunciada pelos anjos; paz com Deus e com os irmãos. Deus se fez solidário à nossa condição humana, fazendo-se nosso irmão para nos resgatar e salvar. A comemoração cristã não é apenas ideológica, é sim um grandioso acontecimento, com contrastante e dupla dimensão na singeleza do Pequenino e na grandiosidade do Criador, no nascimento do menino humilde e simples envolto em panos e no canto dos anjos traduzindo a grandeza de Deus: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade”.
          O nosso Natal seja uma Noite de ADORAÇÃO! Uma Noite Feliz! Noite de sonhos, noite sem mentiras! Noite de esperança, de alegria, porque é aniversário de Jesus. Festa de amor, de fraternidade, de unidade, de bondade e de paz. Noite da bondade de Deus, que por nos amar tanto enviou-nos o Filho Jesus, o Príncipe, o Arco-Íris da Paz. Em sua inexcedível bondade preparou tudo. Deus quis se fazer um de nós, para que se dissolvessem as trevas, para que se solucionassem os conflitos. Preparemo-nos para a celebração deste aniversário, desta Festa que nos reúne ao redor do Presépio que nos recorda o nascimento de Jesus e façamos uma revisão em nossa vida, para que possamos viver a exemplo da Família de Nazaré e que esta “Noite Feliz” perdure para todo o sempre e em especial por todos os dias do Novo Ano e possamos como irmãos, vencer tantos egoísmos, competições sem limites, crescentes desigualdades e consumismo exacerbado. Vivamos de uma nova maneira, renascidos no Natal compartilhado com os que sofrem, com os mais pobres e esquecidos, sejamos capazes de compaixão, afeto, com compromisso pela justiça.
             Que a Glória do Senhor desça sobre os que conosco caminham de mãos dadas. E possamos entoar juntos: “Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens que Ele ama!” Com os melhores e mais sinceros votos, oriundos do Cristo Glorificado desejamos que as confraternizações deste final de ano se concretizem com muita PAZ e HARMONIA e que o 2017 seja pleno de proveitosas realizações.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

À ACADEMIA CALÇADENSE DE LETRAS EM SEU JUBILEU DE PRATA


SAUDADE E GRATIDÃO (Publicado no Jornal "O NORTE FLUMINENSE" - 19 de novembro de 2016

SAUDADE E GRATIDÃO              
                                                                                           Vera Maria Viana Borges
          
                             Um sentimento de irreprimível saudade e cristalina gratidão invade-me a alma quando penso no Dr. Luciano Augusto Bastos.  Homem de princípios, de inexcedível bondade, humilde para tratar com os mais simples, afável com os íntimos e leal em todas as circunstâncias, até com os próprios adversários, quer no futebol, na política ou em quaisquer outros segmentos. Um homem de caráter. Inteligência peregrina que caminhava ao lado de natural modéstia. Profícuo, intenso em todas as suas atividades. Recém-formada, com distinção, fui acolhida por ele para integrar o quadro de Professores do Colégio Rio Branco, onde muito aprendi. Patrão sem igual, prudente, sábio, humano, respeitoso e respeitado. Para cada direção que olho vejo traços do exemplar chefe de família, do cidadão incansável, do advogado, magnífico jurista, do jornalista, do historiador, do membro de várias Entidades Culturais, de Clubes de Serviço e do emérito educador. Preservar a memória foi sempre o seu objetivo e sua preocupação. Garimpava as mais rutilantes joias e até mesmo as mais modestas e simples publicações. Para tudo que caia em suas mãos havia uma resposta. 
         Algumas vezes tivemos, eu e meu marido,  o prazer de sua visita. De certa feita trouxe-me a edição de “O Norte Fluminense”, de 19 de maio de 1996 com a seguinte publicação: “VERA VIANA LANÇA BOLETIM DE PROSA E POESIA - Auspicioso acontecimento Literário. A poetisa e declamadora Vera Maria Viana Borges da Academia Bonjesuense de Letras, é sem dúvida, uma figura de maior destaque em nosso meio cultural. Poetisa renomada tem ela uma produção intensa por onde flui toda a beleza de sua sensibilidade. Bonjesuense nascida em Rosal, ela é, também declamadora emérita, festejada em reuniões literárias, pertencendo ainda a diversas entidades culturais. Vera Viana vem de lançar  “ASTROS & ESTROS”, um boletim alternativo, com poesias e prosa.” E ele continua, tecendo comentários, fala do nosso editorial e finaliza: “Nossos aplausos à Vera Viana que com o lançamento projeta ainda mais nossa Bom Jesus.” 
          O Boletim Alternativo de Prosa & Poesia, ASTROS & ESTROS, era apenas sonho, sonho que fora tomando forma, fora se fortalecendo e acabou por se concretizar. E, foi sob o signo e as bênçãos de MARIA, Mulher Forte e Mãe que ele veio a lume. Era mês de maio de 1996, a brisa trescalante do "monsenhor" e das belas e perfumadas rosas dos encantáveis jardins, dos artísticos buquês em homenagem às mães, dos delicados arranjos das noivas e da decoração de lares e altares, impregnava a atmosfera perfumando o nosso primeiro número. Nasceu ASTROS & ESTROS, simbiose de amor e ideal, 8 (oito) pequenas páginas repletas de textos selecionados de escritores consagrados e de autores contemporâneos. O Boletim fundado, editado e redigido por mim, sem fins lucrativos foi feito apenas pelo imenso amor às letras, tudo sob minhas próprias expensas.
          Enquanto Oriente e Ocidente conturbam-se de egoísmo, paixões exacerbadas se sobrelevam aos mais elementares princípios, não se respeitando sequer a dignidade humana é deveras salutar que se faça algo para que se dissipe esta nuvem de discórdia. A idéia inicial foi unir ASTROS da literatura. Através das publicações, fomos reunindo "Astros" com seus "Estros", identificando tendências, ilustrando com fatos, com inspirados versos, textos claros e enxutos, com toques diferenciados. O contato foi muito estimulante. Continuamos nossa missão a serviço da Vida, do Amor e da Esperança, conduzindo-nos através da ARTE, aos páramos dos sonhos, à fraternidade universal, sem preconceitos de raça, cor, língua, religião, desenvolvendo os valores humanos, apreciando o BELO, o BOM e o BEM, sem sombra de dúvidas o melhor investimento para a construção do mundo com o qual sonhamos.
          A cada mês uma publicação. Completando um ano expedi convites para missa em trovas e uma apresentação teatral na Igreja de São José, no Bairro Lia Márcia. Neste primeiro ano de circulação fomos conquistando e ganhando credibilidade. Ao ensejo desta data, dirigi minhas preces ao Todo-Poderoso, para que nos cumulasse de suas bênçãos,  inspiração e força para que pudéssemos continuar com dignidade, a escrever a história iniciada com tanto gosto.
          Recebi mais uma vez a visita do ilustre amigo, trazendo-me a edição de 11 de maio de 1997 de “O Norte Fluminense”, com o artigo que segue: “IMPORTÂNCIA DO FATO (Luciano Bastos) Vou confessar a indecisão de como escrever sobre este fato. Acho-o tão excepcional que receio não expressá-lo como merece. Há um ano uma mulher de talento lançou uma publicação bonjesuense, um boletim alternativo de Prosa e Poesia. Deu o nome de “Astros e Estros” e foi dizendo que os humanos são caminhantes de uma mesma jornada e que devemos nos unir para dizimar a tristeza e dissipar a discórdia. E citou a Via Láctea, a beleza exuberante do conjunto de tantos astros, e afirma: “A maior beleza é a união / pois uma estrela sozinha / não será tão bela não”. Pelo engenho poético, inspiração e rica fantasia fica o significado de estros, sublimando, o título.
           Esta mulher de fibra e sensibilidade é Vera Maria Viana Borges. Que sopra a primeira vela de aniversário da publicação, com circulação nacional e internacional, levando enlevo, poesia e amor. Tudo isto às suas expensas. E com aquele seu jeitinho gracioso e especial, no seu registro, vai distribuindo as macias, perfumadas e delicadas pétalas de rosas que ela colheu no enlevo de sua imaginação, a todos os seus amigos, confrades e familiares.
         Aqui fica o registro com os aplausos que sei ser de todos. Romain Rolland comentando sobre os chamados heróis da história que triunfaram pelo pensamento ou pela força, disse que heróis são aqueles que foram grandes pelo coração. E conclui: “O “coração” não é apenas a região da sensibilidade, entendo ser ele o vasto reino da vida interior”. Vera Maria alia ao pensamento o seu coração, ao que escreve tenta conseguir, pouco a pouco, o que na estréia preconizou.”
            Presenteou-me na mesma data com um exemplar de uma publicação simples, do Grêmio Estudantil Rui Barbosa do Ginásio Nossa Senhora Aparecida, de Santo Eduardo/RJ. Lecionei lá e fui redatora-chefe do Boletim VOZ ESTUDANTIL no ano de 1963. Eu não guardei, mas o Dr. Luciano guardou por trinta e quatro anos. Talvez tenha recebido  do Dr. Renato Pereira Pinto que também era professor no referido educandário. Ao ler o Editorial percebi que a maneira de me expressar ainda era a mesma. Agora, decorridos quase cinquenta e quatro anos, naquele texto há a minha marca registrada, não fugi ao estilo. Ele não deixava passar nada em branco, era generoso por excelência. Imenso coração! Grande alma! Grandiosa sensibilidade! Sou-lhe imensamente grata.
            Maior prova do quanto ele sempre preservou a Cultura, é o fruto do seu sonho, o ESPAÇO CULTURAL LUCIANO BASTOS, que já alcançou fama e é mantido e dirigido por seus amados filhos, seguidores do seu RASTRO DE LUZ.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

ATHOS E SEUS ATOS (Publicado no Jornal "O NORTE FLUMINENSE" - 28/10/2016)

ATHOS E SEUS ATOS
                                                                                Vera Maria Viana Borges
              A literatura tem o mágico poder de atingir pessoas e lugares. Para ela não há distância. Ela une e entrelaça sentimentos e produz uma efervescência, uma fantástica troca de saberes e de informações. Amealhei inúmeros amigos mundo afora através dela. Com uma publicação apenas, muitas vezes recebemos respostas várias que vão  solidificando as velhas amizades e se espalham ampliando novos horizontes proporcionando novos conhecimentos. 
                 Em dezembro de 1997 publiquei  em “ASTROS & ESTROS” um pequeno artigo sobre o Grande Poeta e Jornalista Athos Fernandes, intitulado “ATHOS E SEUS ATOS” que transcrevo na íntegra: 
                “Athos Fernandes, o vulto que marcou época na nossa adorável Bom Jesus por 58 primaveras, já faz anos,  enche de poesia o céu... Seu canto é eterno, a morte não calou a voz do poeta, perpetuada em seus livros “Ofir”e “Shangri-la” e em vários órgãos da imprensa nacional. 
                 Um dos fundadores da Academia Bonjesuense de Letras, artífice grandioso do SONETO, legou-nos um rosário de nacaradas pérolas com suas expressivas e magníficas composições de apurada sensibilidade, beleza, profundidade e técnica. Sem dúvida, sua poesia tem perfeição na forma, originalidade e arte. Verdadeiro esteta! Amante da mitologia fez constar em suas obras, divindades gregas e romanas; lá estão Pégaso, a fonte de Hipocrene e muito mais... Ao longo de sua extensa produção também estiveram presentes locais, fatos e personagens bíblicos. 
               Aprimorou seu estro na poesia e no jornalismo onde foi fluente e seguro. Esteve por várias décadas à frente do jornal “A VOZ DO POVO” de Bom Jesus do Itabapoana. 
                 Sobrevive completo em seus pensamentos e atos através da literatura, o homem de princípios, digno e bom, prudente e sábio, modesto, que teve o privilégio de ter duas terras. “DUAS TERRAS: Filho de Itaperuna, eu vivo em Bom Jesus,/ minha terra também, pelo muito que a estimo./ Sou pedra que rolou e deu no mesmo limo,/ besouro que voou e deu na mesma luz!// De um povo eu sou irmão, do outro povo sou primo,/ e a amizade dos dois me conforta e seduz./ Das cidades não sei qual delas faz mais jus/ ao sincero louvor destes versos que rimo!// Se uma me deu o berço, a outra me deu o teto./ Lá, o amor juvenil, de sonhos mil repleto,/ cá, o amor outonal, que outros sonhos produz.// Força humana não há que laços tais desuna:/ se estou em Bom Jesus, recordo Itaperuna,/ se vou a Itaperuna, eu penso em Bom Jesus!”
                Que Deus Nosso Senhor o tenha em seu Reino de Luz e Glória! Querido poeta, a nossa saudade!...”
            Tão logo leu, A. ISAÍAS RAMIRES - Rio de Janeiro/RJ, se manifestou: “Foi grande a emoção que experimentei com a leitura em “Astros & Estros” (nº 13), boletim alternativo dirigido pela poetisa Vera Maria Viana Borges, de Bom Jesus do Itabapoana, neste Estado, da croniqueta “Athos e seus Atos”, homenagem bastante merecida ao poeta ATHOS FERNANDES, amizade com que fui honrado durante vários anos, quando mantivemos assídua troca de correspondência, cartas, artigos e livros que sempre releio com profunda ternura. O soneto citado - “Duas Terras”, é obra de alguém que nasceu poeta, verdadeiramente. Nele, o Autor retrata, com profunda sentimentalidade, o seu grande amor a duas belas cidades fluminenses: Itaperuna, onde nasceu, e Bom Jesus do Itabapoana, onde viveu e repousam seus restos mortais. Seus livros “Ofir” e “Shangri-la”, sempre os releio, pois sendo eu apaixonado pelo soneto, vislumbro, em seu Autor, um verdadeiro mestre nessa modalidade de poesia que, ultimamente, possui tão poucos artífices de qualidade. Por indicação do Athos, fui incluído na Academia Bonjesuense de Letras (sócio correspondente), ocupando a Cadeira nº 1, patroneada pelo insigne poeta OlegárioMariano.”
                  P. DE PETRUS - Rio de Janeiro/RJ, assim me escreveu: “PAX... Esteja bem de saúde, em companhia de todos os seus... Mais alguns momentos de enlevo e de alegria, hoje ao receber o seu (nosso) “ASTROS & ESTROS nº 13, lindo, lindo!... Agradeço-lhe pela oferta desse exemplar, também pelas publicações de um soneto meu e uma trova, que figuram na página 5, onde, o meu soneto está ao lado do soneto “Sonhos de Primavera”, do saudoso e querido Athos Fernandes que me conduziu à ACADEMIA BONJESUENSE DE LETRAS. Assumi a Cadeira 33, patronímica de OLAVO BILAC. No ano de 1979, a pedido do autor Athos Fernandes, preparei, planejei, coordenei e revisei “SHANGRI-LA”- Poesias. Athos Fernandes estava muito doente e não tinha condições físicas para levar a um bom termo a edição do seu livro. Quando o livro “SHANGRI-LA” saiu do prelo, o seu autor falecera 7 dias antes. Não pôde ver a sua obra... Tristíssimo o seu desenlace, após grave enfermidade que comoveu a todos nós, poetas e acadêmicos da ABDL. Eis uma trova do Athos Fernandes: Meu coração desafia/  vossa perícia, doutor;/ não cura a Cardiologia,/ cardiopatias de amor...”
                   EUCLIDES DA CUNHA - Inhaúma/MG assim declarou: “Externo-lhe sinceros agradecimentos, pelo envio do excelente alternativo "Astros & Estros", sob sua brilhante direção. Tenho sobre a mesa, os exemplares 23, 24, 25 e 26. Gostei de seus trabalhos poéticos. Muito bonito o soneto "Enquanto Houver Tempo"... Gostei também dos sonetos: "Felicidade", "És Sol, Querido!" e "Deixe Cristo Renascer". Destaco entre todos, o que se intitula: "TRISTEZA". Lindo, lindo o Editorial do nº 26. Parabéns! Admiro-lhe o fulgor do talento. Você é uma grande expressão cultural de Bom Jesus do Itabapoana. Quando se fala em Bom Jesus do Itabapoana, ocorre-me à memória o nome do saudoso Athos Fernandes, meu grande amigo. Tenho em mãos a edição do Anuário dos Poetas do Brasil, de 1997, com a brilhante participação do ilustre jornalista, poeta e escritor. Releio com lágrimas nos olhos, seu lindo soneto: "Estrela Cadente" que termina com o seguinte terceto: "Quantas noites o vi, no anseio de revê-la!/ Se um poeta é capaz de amar e ouvir estrela,/ só Deus sabe entender o que um poeta sente!"
                Reiterando-lhe agradecimentos pela remessa de "Astros & Estros”, aqui fica o meu fraternal abraço.”
                  Resta-nos a saudade da presença física do ilustre vate Athos Fernandes. Honra ao Mérito ao verdadeiro esteta que buscou a beleza e perfeição ao escrever.  Sua Magnífica Obra é um valioso legado e ele vive através dela.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

MÉDICO E POETA (Publicado no Jornal "O NORTE FLUMINENSE" - 30/09/2016)

MÉDICO E POETA                

                                                                                         Vera Maria Viana Borges
          Ayrthon Borges Seródio já está em contato direto com a Literatura Maior dos Anjos e Santos. Encontra-se na presença inefável do Eterno Senhor e Criador, mas nem mesmo a morte poderá calar a voz do poeta pois sua obra não se extinguirá, pelo contrário, germinará em novas gerações e produzirá bons e muitos frutos.
      Ainda menina quando iniciava os estudos de música, presenciei ensaios e preparativos da LIRA 14 de JULHO em Rosal, para a recepção do então formado médico Dr. Ayrthon Borges Seródio em sua terra, Barra do Pirapetinga.  Estudei, cresci, casei e me mudei para Santo Antônio de Pádua. Quatro anos após ao retornar precisei de cuidados médicos e Dr. Ayrthon foi o anjo que Deus colocou em minha vida. Ele me ajudou a superar repetitivas faringites e outras “ites”que me acarretaram uma febre reumática. Muito inteligente e um ser humano inigualável, cuidou de mim e do meu filho por muitos anos. Em 1977 conheci o seu outro mister através do seu livro “A SEARA DE VENTO” e em 1994 brindou-nos com “O SACRIFÍCIO INÚTIL”. Não sei dizer se ele foi melhor MÉDICO ou POETA  porque em ambos os ofícios ele se superou e tornou-se insuperável. Não consigo distinguir em que área atuou melhor.
             Em 1997 trouxe a lume “A FIGUEIRA ASSOMBRADA”. Não pude me calar e publiquei em “ASTROS & ESTROS” o que segue na íntegra: “Com versos que encantam, sublimam e emocionam a alma do leitor, pela metrificação perfeita, pela naturalidade das rimas, pelo talento, entusiasmo e a excelência dos temas, o consagrado vate bonjesuense Ayrthon Seródio nos premia com mais uma joia rara, a sua esplêndida obra “A Figueira Assombrada” que se compõe de dez sonetos alexandrinos, escritos recentemente, e de dez depoimentos de intelectuais especializados em poesia sobre o seu penúltimo livro publicado - “O Sacrifício Inútil”.
       Ayrthon Borges Seródio, nascido aos 21 de maio de 1929, em Barra do Pirapetinga, no município de Bom Jesus do Itabapoana, do matrimônio do venerando e saudoso casal Oliveiro Vieira Seródio e Maria José Borges Seródio, carinhosamente chamada “Nenzinha”, dotado de brilhante inteligência e privilegiada memória, médico dedicado com inúmeros cursos de especialização nas cidades de Niterói, Rio de Janeiro e São Paulo, exerceu as funções de Professor Assistente de Clínica Pediátrica Médica e Higiene Infantil, de Professor Assistente de Puericultura e Clínica da Primeira Infância, ambas na Faculdade Fluminense de Medicina em Niterói. Exerceu a Medicina em Nova Esperança/PR e de volta à terra natal, o pediatra, cardiologista e notável clínico geral fêz-se médico da Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro (Posto de Saúde), do Instituto Nacional da Previdência Social além de atender em consultório particular.
           Foi proprietário da Clínica de Repouso Itabapoana, fundador da Academia Bonjesuense de Letras, tendo atuado como presidente da mesma por quase vinte anos, presidiu o Conselho Municipal de Cultura e não escondia o fascínio pelo “manga-larga”, raça de cavalos bem selecionada e cuidada em seu belíssimo “Haras”.
              De imarcescíveis sonetos publicou “A Seara de Vento”, suave vento que fez o poeta se exprimir desnudando o próprio ser e em diáfana transparência deixou que se visse uma seara de Amor; seara do Belo, do Bem e do Bom. “O Sacrifício Inútil”, sonetos perfeitos repletos de filosofia e lirismo. Em “A Figueira Assombrada o poeta se supera. Sobrepujar-se a cada obra é privilégio de talentosos artistas. Eis o soneto que dá origem ao título:” A FIGUEIRA ASSOMBRADA// Era uma árvore antiga, enorme e bem copada,/ Que ficava no alto, além da ribanceira,/ Que abrigava o viajor no meio da jornada,/ O pássaro no ninho e a coruja agoureira.// Dizia um capiau que a vetusta figueira,/ Após a meia-noite, era mal-assombrada:/ A mula sem cabeça, uma grande caveira/ E gemidos de horror de uma alma penada...// Incrédulo demais e também corajoso,/ Passava no local à noite desejoso/ De alguma coisa achar... Talvez - quem sabe? - a mula...// Uma noite porém, já era madrugada,/ Vi duas bolas de fogo à beirada da estrada:/ Era um burro pedrês saciando a sua gula...”
             Em 1998  “À SOMBRA DOS IPÊS”: Em cada verso, a presença do poeta em toda a sua plenitude, revelando-se e superando-se a cada edição o mestre artífice do Soneto, uma forma difícil e nobre popularizada por Petrarca e praticada por Shakespeare e outros célebres . O velho, respeitável e belo soneto continua vivo e AYRTHON o manejou com maestria. O autor dedicou-o a três grandes intelectuais e amigos que com ele fundaram a "Academia Bonjesuense de Letras" em 1976: Athos Fernandes, de saudosa memória, um dos maiores poetas contemporâneos; Antônio Miguel, professor, jornalista, escritor e poeta dos mais festejados e Walter Siqueira, professor, poeta de invejável fertilidade, um plantador de ipês merecedor do primeiro texto do florilégio, o soneto que intitula a magnífica obra. 
            Até 2005 um ou dois livros por ano. Uma extensa e valiosa obra. Em seu livro “A FOLIA DE REIS” dedicou-me o soneto “Recordando na Escuridão”: “Hoje não houve luz nem força na cidade,/ Que às escuras ficou, na falta de energia;/ E o povo conformado, após a tempestade,/ De casa não saiu, deixando a rua vazia.// Então eu me lembrei da roça, com saudade,/ Da minha jovem mãe que de noite cosia,/ Da luz da lamparina, à tênue claridade,/ Na cena familiar que tanto enternecia.// Menino, ouvindo história à beira do fogão,/ Tomava o meu café, sem medo à escuridão,/ Só vivendo o presente e esquecendo o futuro.// Mas hoje é diferente, e numa luta inglória,/ Não há mais o fogão e ninguém conta história,/ Só resta a frustração de um viver inseguro.” Em agradecimento, compus-lhe o soneto alexandrino, “ANJO DE TERNURA  (Ao Poeta Ayrthon Seródio, em memória de sua progenitora - Dona Nenzinha): Existe uma Mulher, um Anjo de Ternura,/ Que Deus do Céu cobriu com especial fragrância.../ Encheu-a de carinho e infinita doçura/ E pôs no seu olhar perpétua rutilância.// Abençoou seu Ventre, a proteção segura,/ O primeiro endereço, aconchegante estância.../ O terno coração, só o Bem e o Bom augura,/ É paz, sabedoria, amor e tolerância.// Voz firme e aveludada a da MAMÃE querida/ Que entoa em cada berço uma canção de amor/ E conta bela história após a dura lida./ Não há maior laurel a qualquer criatura,/ Nem prêmio mais bonito e de imenso valor/ Que comparar alguém, a este ANJO DE TERNURA!”
         Ainda consternada pelo seu falecimento peço ao POETA MAIOR, o Deus Pai Todo Poderoso, para o acolher em SEU REINO DE GLÓRIAS.
           “Requiescat in pace”!!!

NA CONQUISTA DO OURO (Publicado no Jornal "O NORTE FLUMINENSE" - 31/08/2016)

NA CONQUISTA DO OURO

                                            Vera Maria Viana Borges 

             O mundo se rendeu aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Antes foram muitas previsões pessimistas, mas ao desenrolar dos acontecimentos foi um triunfo, causando satisfação plena. Foi sucesso absoluto e foi extraordinário o desempenho dos atletas brasileiros.
                 As cerimônias de abertura e de encerramento foram apoteóticas. O evento foi muito bem sucedido e apesar dos gastos com a estrutura esportiva a cidade ficou com legado importante. O Rio de Janeiro que sempre foi lindo por natureza, continua ainda mais lindo com a revitalização do porto. Beneficiou-se com nova linha de metrô e vários projetos municipais. O saldo foi positivo.
             Foram dezessete dias de encantamento e de fortes emoções. O brasileiro parecia estar num oásis, ou quem sabe no paraíso esquecido das mazelas que afligem o país. Em cada residência, bar e clube sempre havia uma turma entusiasmada diante da televisão torcendo e vibrando com os resultados. Foram momentos incríveis. 
               Os esportes praianos foram acontecimentos marcantes nas lindas paisagens da Cidade Maravilhosa. Há muito, a combinação de areia, sol e mar deixou de ser apenas curtição para tornar-se espaço privilegiado para a formação de espetaculares atletas em muitas modalidades.
            O brasileiro que andava meio desiludido, voltou a vibrar e se orgulhar da seleção brasileira de futebol. Com a vitória sobre a Alemanha conquistou o tão sonhado OURO. Os torcedores muito animados  aplaudiram entusiasticamente enquanto cantavam: “Eu sou brasileiro, com muito orgulho e muito amor...” ,  “O campeão voltou...”
                Hoje muito se fala na importância do esporte para a nossa saúde e bem-estar. Em busca de uma vida saudável  cresce o número de adeptos de vários tipos de atividade física, para a melhora do tônus muscular, para uma maior disposição, melhor flexibilidade e fortalecimento dos ossos e articulações. Além da redução do peso, gordura corporal, diminuição do colesterol ruim e aumento do bom e os benefícios do bem-estar que são expressivamente relevantes. Ao praticar uma atividade física, o fluxo sanguíneo cerebral melhora favorecendo a diminuição do estresse, da ansiedade, da depressão, aumentando significadamente a autoestima.
                  O esporte é uma escola onde se aprende a dominar a vontade e a controlar os impulsos obedecendo a determinadas técnicas. 
                 O espírito exausto pela lida diária precisa distrações que serão lenitivos para o corpo cansado. Proporcionar distração sadia ao espírito quer pela leitura, música, arte ou jogos familiares é um relevante socorro, cujo fruto se fará sentir no indivíduo, na família e na sociedade. O homem é essencialmente gregário. No entender de Martins Fontes em “TERRAS DA FANTASIA”, “O homem... obedece ao espírito gregário, é um ser que vive em bando, como os pássaros.” Aí está o papel prepoderante do esporte: agregar e mostrar a necessidade da autodisciplina para se atingir metas e objetivos.
                  Um espírito sadio num corpo sadio é a intenção de todos, eis o motivo porque o esporte  hoje deveria ser considerado nas atividades educativas como parte imprescindível de seu programa para que se fizesse jus ao aforismo latino: “mens sana in corpore sano.” O Brasil precisa investir de forma correta em projetos sérios, com a finalidade de formar mais atletas e desenvolver o potencial dos mesmos. Talentos nós temos de sobra e a prova disso são os resultados dos Jogos, que mesmo sem as melhores condições de preparação nossos desportistas conseguiram obter excelentes resultados. As vitórias de Diego Hypólito, Isaquias Queirós e Rafaela Silva demonstraram que a perseverança e o desempenho não dependem de dinheiro ou privilégio, mas de garra, determinação e estado de espírito. Conquistamos dezenove medalhas, e em sete delas brilhou o OURO. 
                Acompanhei atentamente as ginastas que lançavam as fitas em várias direções para criar desenhos no espaço, formando imagens de todo o tipo: serpentinas e espirais. Estes lançamentos exigem da ginasta coordenação, leveza, agilidade e plasticidade e o mais importante a flexibilidade. Inebriante e belo. Admirando tanta beleza, livramo-nos das pressões do dia a dia por instantes. Libertamo-nos por instantes. Acabando voltamos  à realidade. E é um encontrão com a realidade, mas voltamos fortalecidos para a luta diária. Precisamos destes oásis de prazer. Isto faz muito bem.
               Aguardamos pelos Jogos Paralímpicos que são o maior evento esportivo mundial envolvendo pessoas com deficiência. Incluem atletas com deficiências físicas (de mobilidade, amputações, cegueira ou paralisia cerebral), além de pessoas com deficiência intelectual. Eu prefiro a forma “paraolímpicos” mas a  intenção foi igualar o nome ao uso de todos os outros países de língua portuguesa: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Timor Leste, onde já se usava o termo Paralimpíadas. A palavra vem do inglês "paralympic” que mistura o início do termo "paraplegic" e com o final de "olympics" para designar o atleta paralímpico.
                A judoca Rafaela Silva em 8 de agosto de 2016, conquistou a medalha de ouro da categoria até 57Kg nas Olimpíadas Rio 2016 e o canoísta Isaquias Queirós conquistou  três medalhas nos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro: Prata na Canoa Individual - 1.000m, Bronze na Canoa Individual - 200m e Prata na Canoa de Dupla - 1.000m, com Erlon de Sousa Silva. Queiroz se tornou portanto o primeiro atleta brasileiro a conquistar três medalhas em uma única edição dos Jogos Olímpicos. Ambos vieram de favela ou periferia e lutaram com imensas dificuldades e deram exemplo de superação. Nos Jogos Paralímpicos há a inclusão dos atletas que além de superarem as dificuldades também superam suas deficiências físicas. Todos os holofotes se voltaram para os Jogos  Olímpicos. Esperamos  que eles se voltem da mesma forma para a edição que está porvir dos Jogos Paralímpicos que nos anos anteriores tiveram a cobertura reduzida significativamente pois a mídia não  lhes deu o destaque merecido.
                   E nós, pessoas comuns vamos nos exercitar, praticar esportes para uma vida mais saudável e feliz. Assim seremos mais que vencedores e conquistaremos o OURO.